ANTISSEMITAS DE PLANTÃO

O Presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, abre o seminário 'The World Without Zionism' (O mundo sem sionismo, 2006).

O Presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, abre o seminário 'The World Without Zionism' (O mundo sem sionismo, 2006).

Nos dias que correm, os antissemitas fazem plantão nas redações dos pequenos e grandes jornais, nas agências de notícias, blogs, sites e redes sociais. Nenhuma notícia sobre Israel deve ser publicada sem que sejam utilizados os termos aprovados pelo código de ética desses zelosos antissemitas. Tão seguros eles se encontram hoje no controle das mídias que nem percebem os deslizes que cometem no afã de destruir os judeus através da diabolização de Israel.

Não me dou mais ao trabalho de coletar essas matérias, tão abundantes, variadas e multifacetadas, para um dossiê do futuro, que poderia explicar de modo bastante didático, às gerações vindouras, como foi possível, em pleno século XXI, num mundo tão bem informado, um segundo Holocausto dos judeus.

Seguindo o código de ética dos antissemitas de plantão, as notícias devem fazer os leitores acreditarem que Israel ataca Gaza gratuitamente, numa rotina de ofensivas sem motivação, por pura crueldade. Todo ciclo de ataques e retaliações deve, segundo o código de ética antissemita, ser sempre iniciado pelos israelenses, jamais pelos palestinos. Sempre em resposta, os palestinos revidam, mas só para marcar sua posição de heróica resistência contra os agressores sionistas, em legítima defesa.

Tamanha distorção indica que os antissemitas de plantão se sentem bastante confiantes em suas manipulações dos fatos. Sem se dar mais ao trabalho de tomar cuidado com as palavras na preservação de um mínimo de pensamento lógico, um grande jornal já pode apresentar aos seus leitores, em boa parte doutrinados pelo código de ética antissemita, o revide israelense como um ataque e o ataque palestino como um revide, somando mais um grão de areia na ampulheta antissemita que marca o tempo que resta aos judeus antes da execução do Holocausto II.

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10 TONELADAS DE PROPAGANDA

O  mundo apóia com paixão o terror imposto pelo Hamas na Faixa de Gaza, como se os palestinos fossem os novos judeus oprimidos por um Estado Nazista, que teria transformado aquele território no “maior campo de concentração do mundo”. E condena com a mesma paixão as IDFs, que conseguiram frustrar a tentativa insana de 663 ferozes pacifistas de 37 países  que, pretextando levar ajuda humanitária aos palestinos, sonhavam em romper o bloqueio a Gaza à força.  

A ardilosa empreitada de apoio ao terrorismo contou com a participação de celebridades duvidosas como Mairead Corrigan, a irlandesa Prêmio Nobel da Paz; Denis Halliday, ex-assistente de secretário geral da ONU; Haneen Zoubi, membro árabe israelense do Knesset; Raed Salah, líder de um ramo do Movimento Islâmico em Israel; Henning Mankell, novelista sueco; Iara Lee, cineasta americana-brasileira; e certo número de parlamentares europeus e árabes. O objetivo guerreiro de quebrar o bloqueio legal estava claro desde o cartaz que divulgava a missão e o movimento: 

Cartaz do Free Gaza Movement: a meta é romper o bloqueio legal

Dori Goren, Embaixador de Israel no Uruguai, esclareceu no La Republica que as IDFs agiram segundo normas do Direito Naval Internacional: um Estado em situação de beligerância tem o direito de impedir contrabando de armas à zona de conflito impondo bloqueio naval defensivo mesmo em águas internacionais. Assim o fez a ONU no Líbano pela decisão 1701 do Conselho de Segurança. Também o pedido israelense para que a “Flotilha da Liberdade” acatasse o bloqueio amparou-se no artigo 67 (a) do Manual de Direito Internacional de San Remo sobre conflitos bélicos navais.   

A “Flotilha da Liberdade” não tinha objetivos humanitários: “Essa missão não é sobre entregar ajuda humanitária, é sobre quebrar o bloqueio de Israel”, reiterou à AFP a implacável Greta Berlin, da ONG internacional  The Free Gaza Movement, que organizou, com a ONG européia The European Campaign to End the Siege on Gaza e a ONG turca Insani Yardim Vakfi (IHH), associada aos grupos terroristas Hamas e União do Bem, financiados pelo Irã – segundo o Coronel Richard Kemp, ex-comandante das Forças Britânicas no Afeganistão – essa complexa operação de martírio: “Esperamos duas coisas boas dessa viagem: chegar em Gaza ou morrer”, declarou uma orgulhosa tripulante da Marmara Mavi, a nave provida pela IHH, em meio a alegres cânticos antissemitas de Infitada, com os quais os 350 turcos fundamentalistas islâmicos embarcados saudaram a partida.  

Atolados em propaganda, também os brasileiros inflamam-se contra as IDFs. Eis algumas opiniões de leitores da Folha on Line (mantidos os erros de grafia e concordância, as frases truncadas e mal escritas) diante do fracasso da “Flotilha da Liberdade” em furar o bloqueio de Israel, sempre condenado antes de qualquer investigação dos fatos, pelo mundo sordidamente antissemita, do Papa Bento XVI a Mahmoud Ahmadinejad:     

“Os caras têm a coragem de falar que foram atacados! Um assalto desses, típico de comandos, altamente treinados. Quem em sã conciência iria atacar esses caras? Suicídio seria, ainda mais sabendo da índole dos judeus! Povo maldito! Só louco pensa o contrário!” Márcio Teodoro

“Que vergonha, Israel, agindo assim vcs parecem os nazistas com a famosa Blitzkrieg, cadê os terroristas a bordo?” Sergio Bezzan. 

“Israel é tornou-se Alemanha Nazista melhorada, modernizada e muito mais odiada.” Fernando Fábio

“O Conselho de Direitos Humanos da ONU aprovou resolução que determina “o envio de uma missão internacional para investigar violações das leis internacionais”. Foi aprovada por 32 dos 47 membros do Conselho, Três países se pronunciaram contra, entre eles os Estados Unidos. Como sempre os EUA mais uma vez incentivam a prática de toda sorte de barbárie por Israel, assegurando impunidade, não importando que crianças, velhos, mulheres grávidas sejam vítimas de crimes deliberados desses carniceiros.” Helio Figueirdo

“Israel, sequestrou, assassinou, saqueou covardemente pacifistas em missão humanitária, em águas internacionais. Isso é crime de guerra. Mas o governo terrorista de Israel não será punido, pois os poderosos EUA os acoitam e participam desse banquete de sangue inocente. Somente a volta do Partido Trabalhista poderá diminuir os estragos causados pelos fanáticos terroristas judeus. Somente a aceitação das diferenças poderá trazer paz ao Oriente Médio e ao mundo.” Cristiano Garcia

“Esse Estado nazi-fascista passou dos limites, mata pessoas indefesas e não respeita as leis internacionais. Certo mesmo está o Presidente do Irã, pois Israel deve ser riscado do mapa. O Brasil deve imediatamente romper qualquer laço diplomático com esse país que mantém um milhão e meio de pessoas confinadas no maior campo de concentração do mundo.” Davi Silva. 

“Israel é um câncer cravado na região. Sua presença ali gera tensões no mundo todo. Tanto lugar no mundo para criar o estado israelense e criam logo no meio dos árabes… Os judeus com certeza se esqueceram o que seus antepassados passaram nas mãos dos nazistas e agora usam métodos semelhantes com os palestinos.” Renato Ferreira. 

“Terroristas, e outros em geral, não levam uma estrela na identificando-os, assim podem estar no meio de qualquer atividade. Israel desde que deram-lhes um estado, estão metendo-se em tudo na região com apoio dos EUA. O que deveria ser feito é um bloqueio comercial internacional contra Israel. Se eles tiveram seu estado, porque os palestinos não podem ter o seu. E o mundo hoje critica Hitler, quantos Israel já matou após a II guerra? Está certo? Querem mandar na região. EUA/Israel mesma coisa.” Paolino Legname. 

“Os ativistas acabaram de deixar a pocilga israel. Foram ‘confiscados’ todos os seus celulares, máquinas fotográficas e de vídeo. Agora fica esclarecida a ação de pirataria de israel. Latrocínio.” Ivanov Albanese

Etc. etc. etc. 

Idiotas como esses contam-se aos milhões no mundo, e alguns deles, diplomados em jornalismo, logo chegam à grande imprensa. Âncoras do SBT afirmaram ser impossível distinguir quem atacou quem na abordagem dos navios embora apenas um cego não veja nos vídeos postados no YouTube como a turba pacifista cai matando sobre cada soldado embarcado. Repórteres da Globo induziram a perturbada Iara Lee a depor contra a verdade afirmando que os tripulantes que atacaram os soldados com facas, coquetéis molotov, barras de ferro e outras armas improvisadas se “defenderam apenas com socos e pontapés” contra “os caras” que “chegavam atirando para matar”.

Fotos divulgadas na galeria turca Hurriyet mostram como os pacifistas humanitários da “Flotilha da Liberdade” receberam os soldados israelenses: com farta distribuição de coquetéis molotov e barrinhas de ferro, num festivo batismo de sangue, digno dos navios da série de terror Piratas do Caribe. Constata-se nessas fotos dos próprios elementos do Marmara Mavi o que já se pudera constatar nos vídeos divulgados pelas IDF: nenhum dos soldados entrou empunhando armas, e mesmo assim foram recebidos com violência e à socapa, covardemente. Um dos soldados grita de dor depois de receber golpes na cabeça, outro está prestes a ser linchado, outro ainda jaz ensangüentado ao chão. Um humanitário parece ter acabado de esfaqueá-lo pacificamente na virilha: empunha ainda a faca afiada.

Iara Lee declarou, contudo, que os caras chegaram dando tiros na cabeça de todo mundo, obrigando os pacifistas humanitários a se defenderem com socos e chutes enquanto as mulheres desciam para o andar de baixo. Como o diretor cego de Dirigindo no escuro, Iara Lee deve dirigir mesmo quando não enxerga nada, ou como o Dr. Mentalo de O homem dos olhos de raio X, deve ver através das paredes…

Também a essa socialite socialista e artista arteira, dedicada a ações ilegais junto a elementos terroristas (seis deles já identificados pelas IDFs como associados aos grupos Viva Palestina, Hamas, Jihad Islâmica e Al Qaeda) parece natural reagir a uma abordagem militar com ações defensivas: “Eu acho que no desespero o que eles acharam ali, ó, eles pegaram: vassoura, canivete, sei lá, se tivesse alguma faca de comer…”, declarou ao Jornal Nacional.

Mas não são vassouras e facas de cozinha o que os pacifistas humanitários empunham, segundo suas próprias imagens, mas barras de ferro, porretes, facas de caçador.  Foram encontradas dezenas dessas armas dentro do Marmara Mavi, além de máscaras contra gás, coquetéis molotov e estilingues com bolas de gude e pedras selecionadas, no tamanho ideal, embaladas em práticos saquinhos plásticos, prontas para o uso dos consumidores jihadistas  – embora não se tenha divulgado que os humanitários petendiam guerrear um pouco, pacificamente, antes de entregar as suas 10 toneladas de suprimentos em Gaza.

Iara Lee prometeu enviar “à ONU, às TVs, às pessoas do Movimento da Paz e da Justiça” as fitas gravadas pelo cinegrafista da  Sérvia no Marmara Mavi, que ele conseguiu carregar escondidas na cueca. (Ele deve ter aprendido com os nossos mensaleiros, que escondem os dólares na cueca, na meia). Mas ela só fará isso depois de editar o material: “Pretendo editar as imagens até domingo e divulgá-las tanto para a imprensa brasileira quanto para a norte-americana. Também quero enviar para a ONU, para ajudar nas investigações do incidente”. Ao mesmo tempo, declarou que os israelenses são assassino e ladrões: “Além de assassinos, pois entraram atirando na gente como se fosse a 3ª Guerra Mundial, eles também são ladrões. Estão editando imagens feitas por jornalistas que estavam nos barcos para contar a história do jeito deles, deturpando tudo […]”. Claro, só ela pode editar as imagens e contar a história verdadeira, de um só lado, suprimindo as imagens que não interessam, que compometem…

Iara Lee ainda defendeu a ação dos pacifistas humanitários que resultou em nove mortos e trinta feridos: “É claro que [a ação dos pacifistas humanitários] foi uma vitória política. Infelizmente, é duro dizer isso, mas quando morrem ou são feridos cidadãos da Noruega, dos EUA, da Comunidade Européia, o mundo presta atenção. Não são apenas os palestinos sendo massacrados”. Entramos, assim, na Jihad.02, com suas operações de martírio estendida aos simpatizantes, aos idiotas úteis de todo o mundo. Também eles precisam agora morrer pela causa palestina, não apenas os homens-bombas…

Esses formadores de opinião continuarão seu trabalho sujo de esclarecer as massas sem cultura suficiente para entender questões complexas. Recebendo as diretivas dos Ministérios Ocultos da Propaganda Nazista, insistirão que a “Flotilha da Liberdade” era de ajuda humanitária; e que suas 10 toneladas de alimentos e remédios fariam a diferença numa Gaza miserável. Contudo, este clipe postado pelo Roots The Club, a 30 de abril de 2009, ou seja, após o bloqueio, revela com exuberância a falácia imoral da caracterização de Gaza como o “maior campo de concentração do mundo”:

 

Assim o Roots The Club se decreve: “Uma combinação única de design contemporâneo e chiquê urbano, Roots The Club é um ícone no coração de Gaza City. Esse complexo multiuso – que inclui uma cozinha internacional, fino restaurante para jantares, um elegante hall de banquetes e um café no terraço – fica a poucos minutos das principais atrações, shoppings e centros de negócios de Gaza. Está a apenas 200 metros das areias brancas das praias de Gaza.” (Tradução do autor do original em inglês). 

O clipe entusiasmou o “ativista” Lubnani2009, que o adicionou aos preferidos de seu canal no YouTube, decorado com a mensagem: “Morte a Israel”, escrita em todas as línguas, e que conta com 1082 amigos. Claro que o luxo brega do Roots The Club destina-se às elites palestinas, mas também os mercados populares de Gaza revelam uma abundância que contrasta violentamente com a imagem oficial de Gaza disseminada pelos Ministérios Ocultos da Propaganda Nazista. 

Os palestinos não vivem nenhuma crise humanitária, como clama os sicários da ONU. Segundo o ponderado jornalista Tom Gross, que visitou recentemente os territórios palestinos, há mais Mercedes Benz circulando em Gaza que em Tel Aviv; e especialmente na Cisjordânia, graças a acordos com Israel, o progresso econômico é espantoso: em Jenin foi inaugurado um moderníssimo shopping center (a matéria é ilustrada por fotos dele). 

E, mesmo assim, os palestinos continuam a receber a maior quota de ajuda humanitária do planeta, em prejuízo das regiões realmente miseráveis, e muitíssimo mais necessitadas: Israel transfere diariamente 18 toneladas de ajuda humanitária a Gaza, que pode, assim, dispensar tranquilamente as 10 toneladas de suprimentos da  “Flotilha da Liberdade”. 

Essas 10 toneladas foram providas por centenas de ativistas internacionais numa operação nababesca envolvendo seis embarcações de luxo, organizada por uma ONG terrorista turca milionária. Esses riquinhos radicalizados embarcaram carregando numerosos equipamentos de produção. Apenas Iara Lee declarou ter perdido nessa operação de martírio uma quantidade de câmaras e lentes que ela avalia em 150 mil dólares. Isso já revela que o objetivo da “Flotilha da Liberdade” não era nem mesmo romper o bloqueio (ação extremista ilegal de sucesso sabidamente duvidoso) e sim documentar essa provocação, registrando em fotos, filmes e vídeos todos os incidentes – de preferência sangrentos – que ela inevitavelmente causaria, para assim  prover o mundo de mais umas 10 toneladas de propaganda anti-Israel

Gaza não precisa de ajuda humanitária: o Hamas rejeitou as 10 toneladas de suprimentos da “Flotilha da Liberdade”, despachadas por Israel do porto de Ashdod. As autoridades de Gaza surrealisticamente exigiram, para receber aquela ajuda, “garantias de que Israel deixou em liberdade todos os detidos” (Taher A-Nunu, porta-voz do executivo do Hamas). A carga ficará apodrecendo em 20 caminhões, na passagem fronteiriça de Kerem Shalom, a 60 quilômetros da Faixa de Gaza…  Para o Hamas, tão ético, a honra e a política é tudo o que conta; prover os palestinos é de somenos importância. 

Gaza não precisa de ajuda humanitária, mas de uma democracia que erradique o terror que a dominou. E os ativistas riquinhos que apóiam a tirania do Hamas (que tortura e assassina oponentes, faz das crianças palestinas escudos humanos e submete a população à sharia medieval), deviam ou assumir seu antissemitismo ativo alistando-se em partidos neonazistas, ou retornar à esquerda e militar nas verdadeiras causas progressistas. 

Como? Prestando ajuda humanitária às crianças que morrem de fome na África; fazendo campanhas para libertar os prisioneiros políticos de Cuba e do Irã; sustentando a luta das mulheres muçulmanas, cujos direitos são sistematicamente violados pela sharia; defendendo a existência ameaçada dos homossexuais, violentamente oprimidos, fuzilados e enforcados em regimes islâmicos; socorrendo as centenas de milhares de refugiados do Sudão; e apoiando o complexo combate dos soldados israelenses e norte-americanos, que morrem para defender as liberdades democráticas que restam nos oásis ocidentais, contra as redes terroristas que se espalham pelo mundo, cobrindo-o com o manto tenebroso do obscurantismo.

PROCURA-SE O MINISTRO DA DEFESA DO IRÃ

Procurado...

Procurado...

Desde novembro de 2007, o general Ahmad Vahid, recentemente nomeado Ministro da Defesa do Irã, é alvo de uma Circular Vermelha (Red Notice) emitida pela INTERPOL a pedido das autoridades argentinas. Ele é Procurado (Wanted) por seu envolvimento, como comandante da Força Quds, “unidade especial” da Guarda Revolucionária do Irã, no atentado terrorista de 18 de julho de 1994 contra a Associação Mutual Israelita Argentina (AMIA), em Buenos Aires, que matou 85 pessoas e feriu 150. Vahid foi indicado para o cargo pelo Presidente Mahmoud Ahmadinejad e a indicação foi aprovada a 3 de setembro de 2009 pelo Majlis, o Parlamento do Irã.

A Circular Vermelha emitida pela INTERPOL não é uma ordem de prisão, mas um dos meios que a organização possui de informar seus 187 países-membros sobre uma ordem de prisão emitida por autoridade judiciária nacional, nesse caso pela Argentina. Este país-membro indiciou nove indivíduos por envolvimento no atentado à AMIA; a INTERPOL endossou a Circular Vermelha para seis deles, incluindo Ahmad Vahidi, em decisão tomada na sua Assembléia Geral em Marrakesh. A INTERPOL ajuda as forças policiais nacionais a identificar e localizar os Procurados, respeitando a soberania e a independência de cada país-membro. Ela não pode ordenar a prisão dos Procurados, decisão que deve ser tomada por cada país-membro. Mas muitos países-membros consideram a Circular Vermelha uma ordem válida de prisão preventiva, especialmente se há compromisso com o país que emitiu a ordem através de tratado de extradição bilateral. No caso do Ministro Vahid, a INTERPOL encoraja seus escritórios nacionais a cooperar em base bilateral e oferece toda ajuda necessária[1].  

O caso requer algumas considerações sobre os problemas delicados que acarreta a presença cada vez mais ostensiva do Irã na América Latina. Imaginemos o Ministro Vahid integrando a comitiva do Presidente Mahmoud Ahmadinejad em sua anunciada visita ao Brasil (e ao Equador): cumprirão os nossos governantes o Tratado de Extradição entre o Brasil e a Argentina, prendendo e extraditando o ilustre visitante, recebido em tapete vermelho? No Brasil de Lula, que se aproxima de modo dissimulado das ditaduras que Chávez corteja abertamente, é interessante imaginar as figuras caligarescas de Celso Amorim, Marco Aurélio Garcia e Tarso Genro justificando o rompimento do Tratado firmado em 1961. Eles agiriam sob a pressão de um Hugo Chávez pronto para invadir o Brasil com seu exército revolucionário caso a Polícia Federal, a contrapelo do governo, decidisse cumprir a Circular Vermelha e o artigo primeiro do Tratado: “As Altas Partes Contratantes obrigam-se à entrega recíproca, nas condições estabelecidas pelo presente Tratado e de conformidade com as formalidades legais vigentes no Estado requerido, dos indivíduos que, processados ou condenados pelas autoridades judiciárias de uma delas, se encontrem no território da outra”.

O Ministério das Relações Exteriores da Argentina já divulgou uma nota oficial considerando a designação do general Ahmad Vahid para o Ministério da Defesa do Irã como “uma afronta” à Justiça de seu país, assim como às vítimas do ataque monstruoso. O vice-chanceler de Israel, Dani Ayalon advertiu, com muita propriedade, que a nomeação do Ministro Vahid “é mais uma peça do mosaico” que reflete a influência do Irã sobre a América do Sul, tendo sua base logística na Venezuela, podendo trazer sérios riscos à região.

Indiferente à afronta iraniana ao país-irmão, Hugo Chávez levou mais longe sua revolução bolivariana, aliando-se a qualquer ditadura que se proclame contra o imperialismo americano: da castrista às islâmicas. Em seu périplo atual, ele visitou a Síria, a Líbia, a Argélia e o Irã. Na Síria, afinado com o Presidente Bashar al-Assad, que se diz “pronto para a paz, ao contrário de Israel”, depois de suspender as negociações de paz em dezembro de 2008 após a ofensiva israelense em Gaza, provocada pelo lançamento de milhares de foguetes por um Hamas armado pela Síria e pelo Irã, Chávez declarou que “o Estado de Israel tornou-se um Estado genocida, um Estado assassino, inimigo da paz”.

O caudilho venezuelano acusou Israel de ser “parte dos esforços imperialistas para dividir o Oriente Médio… O mundo inteiro sabe disso. Porque o Estado de Israel foi criado? Para dividir. Para impedir a união do mundo árabe. Para assegurar a presença do Império Americano em todas essas terras […]. É agora ou nunca a hora de libertar o mundo do imperialismo e mudar o mundo unipolar num mundo multipolar […]. É hora de levantar novamente a bandeira de Nasser por socialismo, poder popular e libertação do povo árabe”, declarou, evocando o nacionalismo egípcio pan-árabe do nefasto Jamal Abdel Nasser[2], antes de ir celebrar com Moammar Gaddafi o aniversário de seus 40 anos no poder na Líbia…[3].

Na República Islâmica do Irã, que Chávez visitou pela sétima ou oitava vez, tendo já firmado com Ahmadinejad “mais de 200 protocolos de cooperação econômica, energética, industrial, cultural e sanitária”[4], declarou que seus dois países “idealistas e revolucionários” estarão “lado a lado na campanha contra os poderes arrogantes do mundo”, ajudando “nações revolucionárias através da futura expansão e consolidação de seus laços”. Ahmadinejad declarou que “a expansão das relações Teerã-Caracas é necessária, dados os interesses, amigos e fés comuns”[5]. Causa espanto que desejando “expandir-se” na América Latina, o Irã achincalhe a Argentina e seus aliados, nomeando para Ministro da Defesa um general procurado pelo pior atentado terrorista na história recente da América Latina. E acolha os protestos do caudilho venezuelano contra uma base militar norte-americana na Colômbia, iniciando suas ingerências “idealistas” e “revolucionárias” na América Latina. Uma mão suja lava a outra: Chávez recompensa o apoio de Ahmadinejad defendendo o programa nuclear do Irã, garantindo ser um “direito soberano dos povos” o de ter “todos os equipamentos e estruturas para usar a energia atômica para fins pacíficos” e que “não há uma única prova de que o Irã esteja construindo uma bomba atômica […]. Logo nos acusarão de também estar construindo uma bomba atômica na Venezuela”. Essa declaração revela qual o principal objetivo comum entre Irã e Venezuela: Chávez pretender construir, com a ajuda do Irã, uma vila nuclear em Caracas…

Na nova corrida nuclear ora empreendida por arremedos de Hitler no Terceiro Mundo, notícias inquietantes começam também a arranhar a imagem do Brasil como país confiável. Além do empenho da Administração Lula em aproximar-se de ditaduras islâmicas, seguindo a estratégia terceiro-mundista ditada por Cuba[6], o Ministro da Ciência e Tecnologia, Roberto Amaral, declarouem 2003 à BBC Brasil que o Brasil deveria buscar o conhecimento necessário à fabricação da bomba atômica[7]; em 2004 houve um primeiro incidente com a Agência Internacional de Energia Atômica (AEIA), que encontrou certa resistência às inspeções das centrífugas de enriquecimento de urânio nas usinas de Resende[8]; em 2007, o general José Benedito de Barros Moreira, secretário de Política, Estratégias e Relações Internacionais do Ministério da Defesa, defendeu na TV a necessidade do Brasil possuir bombas atômicas para “proteger seus recursos naturais”[9].

Agora, o livro A Física dos explosivos nucleares, divulgando a tese de doutorado Simulação numérica de detonações termonucleares em meios híbridos de fissão-fusão implodidos pela radiação, defendida pelo físico Dalton Ellery Girão Barroso no Instituto Militar de Engenharia (IME) do Exército, confirmou que o Brasil detém conhecimento e tecnologia para desenvolver a bomba atômica e despertou, ao reproduzir informações sigilosas sobre a ogiva nuclear americana W-87, novas suspeitas na AEIA, que solicitou a apreensão da obra. Militares insatisfeitos com essa “ingerência” levaram o caso ao ministro da Defesa, Nelson Jobim, que desacatou a agência e manteve a polêmica em segredo, até que ela vazou na imprensa[10]. Também é sintomático que um jornalista próximo dos círculos do poder como  Paulo Henrique Amorim defenda um Brasil-potência, um Brasil atômico: “O Brasil precisa da bomba atômica”, escreveu o infeliz, “pois só assim o país será respeitado pelo mundo”. [11] Como se o mundo “respeitasse” a Coréia do Norte, o Paquistão…

Quanto à alegação de que o Irã estaria desenvolvendo apenas um programa de “energia atômica para fins pacíficos”, seria universalmente aceita se não soasse tão sinistra nas bocas de Ahmadinejad e Chávez. Eles mesmos fazem o mundo duvidar de suas alegações no momento mesmo em que as formulam uma vez que afirmam, antes ou depois, ou simultaneamente que “Israel será varrido em breve do mapa” e que o “Estado judeu é inimigo da paz”. Nesse contexto de cinismo e dissimulação, desenvolver um programa de “energia nuclear para uso pacífico” significa tanto desenvolver um programa de energia nuclear para uso pacífico quanto fabricar bombas atômicas para usá-las contra o inimigo da paz – seja chantageando Israel para que ceda aos ditames da “causa palestina” (cuja utopia é o fim do Estado Judeu), seja destruindo Israel à velha maneira de Dr. Strangelove, sem esquecer o milhão de árabes ali residentes, para legar uma liberada Palestina radioativa aos “queridos” palestinos que sobrarem da explosão…

 


 

[1] INTERPOL statement clarifying its role in case involving Iranian minister wanted by Argentina. INTERPOL, 4 set. 2009. URL: http://www.interpol.int/Public/ICPO/PressReleases/PR2009/PR200980.asp.

[2] Israel a ‘genocidal’ ‘killer’ state, says Chávez. Islâmi Davet, 4 set. 2009. URL: http://www.islamidavet.com/english/2009/09/04/israel-a-genocidal-killer-state-says-chavez/.

[3] Chávez Blasts Israel while in Syria. Islâmi Davet, 4 set. 2009. URL: http://www.islamidavet.com/english/2009/09/04/chavez-blasts-israel-while-in-syria.

[4] Chávez termina sua oitava visita oficial ao Irã. O Estado de S. Paulo, 6 set. 2009. URL: http://www.estadao.com.br/noticias/internacional,chavez-terminasua-oitava-visita-oficial-ao-ira,430363,0.htm.

[5] Ahmadinejad Seeking to Boost Global Resistance against Arrogant Powers. Islâmi Davet, 5 set. 2009. URL: http://www.islamidavet.com/english/2009/09/05/ahmadinejad-seeking-to-boost-global-resistance-against-arrogant-powers/.

[6] Bomba atômica tornaria Brasil um ‘pária’, diz diplomata. O Globo, 16 nov. 2007. URL: http://g1.globo.com/Noticias/Brasil/0,,MUL183441-5598,00.html; Bomba atômica no Brasil. Veja, sem data. URL: http://veja.abril.com.br/em-dia/bomba-atomica-303111.shtml.

[7] FIGUEIRÓ, Asdrúbal. Brasil deve dominar tecnologia da bomba atômica, diz ministro. BBC Brasil, 5 jan. 2003. URL: http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2003/030105_amaralafdi.shtml.

[8] QUADROS, Vasconcelo. Domínio sobre enriquecimento de urânio reforça preocupação. Terra / JB Online, 5 set. 2009. URL: http://noticias.terra.com.br/brasil/interna/0,,OI3959843-EI306,00.html.

[9] Defesa atômica. O Estado de S. Paulo, 17 nov. 2007. URL: http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20071117/not_imp81583,0.php.

[10] QUADROS, Vasconcelo. Brasil já tem tecnologia para desenvolver bomba atômica. Terra / JB Online, 5 set. 2009. URL: http://noticias.terra.com.br/brasil/interna/0,,OI3959788-EI306,00.html.

[11] AMORIM, Paulo Henrique. O Brasil precisa da bomba atômica. Blog Paulo Henrique Amorim. URL: http://www.paulohenriqueamorim.com.br/?p=17158.

O SELVAGEM, O NOBEL E O BRASIL EM GENEBRA

Depois que 40 diplomatas da União Européia juntaram-se à iniciativa do Reino Unido de abandonar o auditório durante o discurso de Mahmoud Ahmadinejad contra Israel na véspera do dia em que os judeus relembram seus seis milhões de mortos no Holocausto, Sergio Widder, representante do Simon Wiesentahl Center na América Latina, conseguiu capturar a imagem mais grotesca do “Circo Durban II”: um dos 180 membros da entourage-de-choque do Presidente iraniano agrediu verbalmente o Prêmio Nobel de Literatura e sobrevivente do Holocausto, Elie Wiesel, com gritos histéricos de “Sio-nazista”, em clipe postado no YouTube sob o título de Elie Wiesel Verbally Abused as “Zio-Nazi” by Ahmadinejad Entourage at Durban II:

Da suposta “Conferência contra o racismo” ausentaram-se nove países que a consideram ilegítima: Alemanha, Austrália, Canadá,  Estados Unidos, Holanda, Israel, Itália, Nova Zelândia e Polônia. De fato, a Conferência é  financiada, conforme dados fornecidos pela UN Watch, pela Rússia, pela China, pela Suíça e diversos estados islâmicos que, sob o pretexto de lutar contra o racismo, desejam somente atacar Israel através de protestos de cunho anti-semita, ou seja, assumindo o racismo como se fosse o anti-racismo. Nunca George Orwell foi tão atual…

O Brasil logo receberá com honras de Estado o Presidente do Irã, cujo regime financia grupos terroristas, fuzila homossexuais, apedreja mulheres “adúlteras”, promove em todas as mídias comparações de judeus a porcos, macacos e cachorros, nega o Holocausto, prega varrer Israel do mapa, etc. A propósito dessa visita e da participação do Brasil no “Circo Durban II”, o jornalista Reynaldo Azevedo publicou em seu blog na Veja on line uma lista com nomes e funções dos 33 membros da expressiva Comitiva Brasileira que viajou a Genebra para gastar um pouco das nossas abundandes verbas públicas em atividades muito proveitosas para todos os brasileiros dessa mesma lista.

Um dos materiais distribuídos pelas Comitivas Brasileiras que se deslocam até essas conferências “contra o racismo” para nos representar e tratar dos nossos problemas mais urgentes relativos ao tema proposto é o panfleto produzido pela CNAB-Brasil (Congresso Nacional Afro-Brasileiro) intitulado Down with the Nazi-Israel Apartheid. O documento não traz data, e provavelmente foi confeccionado para Durban I, já que faz uma referência a Ariel Sharon. Longe de tratar do racismo no Brasil e das questões que interessam – ou deveriam interessar  – aos afro-brasileiros, o panfleto concentra-se na repetição das surradas e vergonhosas comparações do Exército israelense às tropas SS e de Israel ao Apartheid sul-africano, “legitimadas”  pela declaração anti-semita de Nelson Mandela destacada em epígrafe.

Em sua política de aproximação com ditaduras, partidos e regimes comprometidos com o terror, como na assinatura de sucessivos acordos do PT, do PDT e do PCdoB com o Partido Baath da Síria, o Brasil demonstra caminhar por uma senda perigosa: a Administração Lula, por um lado, prestigia a comunidade judaica, a fim de paralisar suas críticas e desmobilizá-la, e, por outro, aninha nas salas secretas do poder grupos exóticos que adotam o anti-semitismo (o “socialismo dos idiotas”) a fim de  arregimentá-los, a cada confronto, na defesa de seus aliados islâmicos na luta que se quer “anti-racista” e “anti-colonialista”, e que integra, na verdade, a escalada mundial de um novo fascismo.