PASOLINI POR HERBERT LIST

O fotógrafo alemão Herbert List

O fotógrafo alemão Herbert List.

Herbert List (1903-1975) foi um fotógrafo alemão que manteve uma relação ambígua com o poder nazista, fazendo passar o homoerotismo de suas imagens de contrabando no culto ao corpo do regime (ele é representado pelo personagem Joachim Lenz no belo romance autobiográfico The Temple, de Stefen Spender).

Por não ser um “ariano puro”, tendo um avô judeu, List não podia publicar suas fotos, mas isso não o impediu, por outro lado, de ser engajado no Exército, servindo em 1941 na campanha da Noruega como desenhista de mapas. Numa viagem a Paris, retratou Picasso, Jean Cocteau, Christian Bérard, Georges Braque, Jean Arp, Juan Miró e outros artistas que o nazismo proibia como “degenerados”.

Após a guerra, Robert Capa o apresentou à Magnum Photos e ele passou a trabalhar para revistas como Vogue, Harper’s Bazaar e Life. Suas composições em preto e branco, austeras e clássicas, especialmente seus nus masculinos realizados na Itália e na Grécia, tiveram grande influência na fotografia contemporânea homoerótica ligada à moda (Herb Ritts, Bruce Weber).

Em suas viagens à Itália, Herbert List fotografou diversas personalidades locais, entre as quais Pier Paolo Pasolini, em Roma. As fotos de Pasolini por List são publicadas em livros e na Internet como se tivessem sido batidas todas no mesmo ano, sendo este ano diferente conforme a publicação: 1949, 1950, 1953.

No próprio site oficial da Magnum Photos elas foram classificadas e datadas como sendo todas de 1953. Imagino, contudo, que esse aparente conjunto único de fotos de Pasolini por List constitua, na verdade, duas séries distintas, e que tenham sido tiradas em dois momentos diferentes da vida do retratado.

Eu dataria a primeira série com o ano de 1950, logo depois que o jovem poeta perdeu seu emprego de professor devido ao escândalo sexual em Ramuscello em 1949, quando chegou a Roma desempregado, sobrevivendo num pequeno apartamento na Piazza Costaguti, com a mãe trabalhando como empregada doméstica.

Ou mesmo de 1951, quando, ao conseguir um emprego de professor numa escola particular de Ciampino, Pasolini, que se locomovia de ônibus pela cidade, alugou uma casa na via Tagliere, na borgata Rebibbia, onde passou a abrigar o pai militar aposentado, que se entregava à bebida, retornando assim ao triste convívio familiar, depois de ter expulsado Pasolini de casa. Foi o período mais difícil da vida do poeta.

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A segunda série eu dataria de 1954, quando Pasolini começou a ganhar dinheiro como roteirista na Cinecittà, abandonando o emprego de professor, ou de 1955, quando a publicação de Ragazzi di vita (e o escândalo que o romance provocou) fez de Pasolini uma celebridade cultural: ei-lo agora mais maduro e feliz, frequentando restaurantes da moda, andando pela cidade em seu próprio automóvel…

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