ARTISTAS BOICOTADORES DE ISRAEL – PARTE 2: A SEQUÊNCIA

 

Partners - 31a Bienal before

O obscuro artista libanês militante da causa palestina que divulgou via Facebook o manifesto dos 55 artistas boicotadores de Israel, que exigiam da 31ª Bienal de São Paulo, com orçamento total de R$24 milhões, a retirada do apoio de R$90 mil que Israel destinou à exposição de 3 artistas israelenses selecionados, cantou vitória anunciando, pela mesma via, que os 55 foram ouvidos.

Após “negociações coletivas”, a Fundação Bienal comprometeu-se a retirar o logo do Consulado de Israel como “patrocinador máster” do evento, mantendo-o apenas aos artistas israelenses apoiados. “Essa transparência será aplicada a todos os financiamentos nacionais para artistas na Bienal.”, afirmou o obscuro artista libanês.

Como essa segregação seria feita não foi explicado, mas parece que um papelote deve ser toscamente colado nos cartazes e catálogos já impressos, explicando que os apoios são específicos de cada artista/país. A grotesca solução proposta pela Fundação Bienal após as “negociações coletivas” (imagino cenas bizarras e de horror típicas de assembleias comunistas, nazistas e islamitas) satisfez os artistas boicotadores de Israel.

Segregando os três israelenses com o logo do Consulado de Israel simbolicamente convertido em “estrela amarela” pelo movimento BDS, imposta com a cumplicidade da Fundação Bienal, que “não tinha como devolver o dinheiro”, os 55 artistas boicotadores de Israel atingiram seu objetivo de confundir guerra com genocídio, autodefesa com massacre, terrorismo com resistência e arte com propaganda.

Baseados em crenças de inspiração nazista, os artistas do evento macabro que abre suas portas nesta sexta-feira em São Paulo conseguiram impor sua vontade totalitária à organização brasileira, sob o pretexto de que “o financiamento [de Israel] pode comprometer e minar a razão de existência de seus trabalhos”.

Entendemos melhor o caráter propagandístico da “arte” a ser exposta nessa Bienal islamizada ao sermos informados pelo artista libanês militante da causa palestina que “a luta por autodeterminação do povo palestino se reflete nos trabalhos de muitos artistas e participantes da Bienal, envolvidos com direitos humanos e lutas populares em escala global.”

Sabemos qual é o caráter desses “direitos humanos” e dessas “lutas populares em escala global”: ele nada tem a ver com a violação dos direitos humanos praticada na maioria dos países envolvidos com a causa palestina, mas sempre e apenas com as supostas violações cometidas por Israel.

Dois dos três artistas israelenses financiados por Israel assinaram o manifesto e participaram do Boicote BDS ao seu país. Nada como cuspir no prato em que se come! É uma atitude nobre e corajosa, que mostra o que vale a ética na sociedade global dominada pelo islamofascismo aliado às esquerdas totalitárias.

O manifesto de Facebook conclui-se com a seguinte frase de efeito: “A opressão de um é a opressão de todos.” Os 55 artistas que agora oprimem os 3 colegas israelis, que passam a ser vistos (com o colaboracionismo masoquista de 2 deles) como animais no zoo, não se sentem como opressores.

Henrique Sanchez, membro do Movimento Palestina para Tod@s (Mop@t), atuante no Brasil desde 2008, declarou que “a desvinculação do apoio de Israel à Bienal foi uma importante vitória” do movimento BDS, abrindo “precedentes para a construção de amplas ações, iniciativas e campanhas de boicote cultural no Brasil”.

O caso demonstra que ceder o mínimo que seja ao terrorismo infiltrado acarreta consequências devastadoras à democracia do país hospedeiro. Dois artistas palestinos ficaram indignados com o fato de o site do Consulado de Israel linkado na página da Bienal informar que as recentes operações militares do país em Gaza eram atos de autodefesa contra as hostilidades iniciadas pelo Hamas. Ou seja, eles se indignaram com a verdade! Querem impor a mentira palestina ao mundo inteiro, e até mesmo no site do Consulado de Israel.

Um desses paranoides afirmou que “jamais teria aceitado participar de uma mostra se soubesse que seria patrocinada por Israel”. Adepto do apartheid de Israel no mundo ele assim conclui sua arenga racista: “Eles querem nos usar por meio da arte para legitimar e purificar o genocídio que eles estão conduzindo agora na faixa de Gaza.” A visão que o Palestino Vitimado tem do mundo é um inferno, e ele não cessa de expandi-la aonde quer que esteja, até que o inferno que ele criou em sua mente tenha o tamanho da Terra.

Ataques terroristas são legítimos; defender-se deles, não: essa é a lógica terrorista dos terroristas. Os quatro árabes (dois palestinos, um egípcio e um libanês) interessados no BDS contra a Bienal paulista que os selecionou recusaram-se a abandonar simplesmente a mostra, alegando que o contrato assinado com a Fundação os obrigava a devolver o dinheiro da produção de seus trabalhos. Que chato, hein? A dignidade tem um preço, mas esses paladinos da Justiça não estão dispostos a pagá-lo.

O mais curioso é que o artista libanês que assumiu a liderança do protesto confessou temer ser punido em seu país ao retornar de uma Bienal apoiada por Israel: “Participar dessa mostra pode ter graves consequências legais para mim”, declarou à imprensa. Como é? O campeão dos direitos humanos “violados” por Israel teme voltar ao seu país e sofrer sanções e sabe-se lá mais o quê só por ter participado de uma mostra patrocinada por Israel?

O coitado do artista que vive sob tal regime de opressão deveria boicotar, antes de tudo, seu próprio país e a si próprio, excluindo-se de todo e qualquer evento em que seu trabalho, quando financiado por seu país, é assim manipulado para legitimar graves violações de seus direitos humanos.

DOCUMENTAÇÃO

Nota emitida pelo Consulado de Israel em 8 de setembro de 2014

O Estado de Israel e seu Ministério de Relações Exteriores cooperam de longa data com a Bienal de São Paulo, e obras israelenses foram exibidas em cada uma das Bienais realizadas.

Alguns meses atrás, curadores da Bienal se dirigiram ao nosso Ministério, solicitando a participação de Israel, como sempre tem sido feito – e paralelamente examinando as possibilidades de Israel contribuir financeiramente para a Bienal. Israel propôs certa quantia, os curadores solicitaram um aporte maior e Israel acedeu a este pedido também.

Alguns dias antes da inauguração da mostra, foi publicado manifesto de um grupo de artistas em repúdio ao patrocínio de Israel, manifesto esse apoiado por determinados curadores – parte dos quais haviam anteriormente procurado Israel para solicitar sua contribuição financeira.

Israel considera a atitude dos artistas signatários e o apoio destes curadores como uma iniciativa nefasta, contraproducente, nociva e moralmente condenável, que pretende prejudicar, boicotar e discriminar um Estado participante da Bienal. Esta iniciativa é negativa para a arte e a cultura, que os artistas da Bienal deveriam apreciar e proteger, pois arte e cultura são linguagens universais, que não conhecem limites e fronteiras.

Elas podem e devem aproximar povos e segmentos sociais e políticos. A atitude dos artistas e curadores causou prejuízo a estes mesmos princípios, ao prestígio da arte e da cultura em geral e ao da Bienal, em particular.

Política e cultura não devem se misturar e não se deve utilizar e se aproveitar da cultura para atingir fins políticos. A Bienal se realiza para expressar e dar espaço adequado e importante para a arte e a cultura – as lutas políticas se devem fazer nos foros políticos nacionais e internacionais adequados, que foram constituídos para esses fins.

A inaceitável tentativa – já frustrada –  dos artistas assinantes com o apoio dos curadores de “sequestrar” a Bienal para fins políticos é contra os princípios que devem reger os importantes eventos culturais internacionais.

O Consulado Geral de Israel em São Paulo agradece ao presidente da Fundação Bienal de São Paulo, Dr. Luis Terepins, ao Conselho da Bienal e a todos aqueles que se esforçaram para chegar a uma solução viável para todos e permitiram a realização da Bienal, com a participação de todos os países e patrocinadores do evento, contribuindo assim para salvaguardar a mostra dos prejuízos que a atitude daqueles artistas e curadores poderia ter acarretado.

Posição do Presidente da Bienal

Luis Terepins, presidente da Bienal, declarou: “Somos uma instituição plural, não tomamos partido”, disse à Folha de S. Paulo. “Buscamos apoio de todos sem discriminação. Esse problema que existe entre Israel e palestinos fica lá. O grande exemplo que a temos de dar é o que buscamos construir.”

Como os curadores da Bienal apoiaram o manifesto – “o tema é maior que a 31ª Bienal” -, a solução “intermediária” encontrada foi definir que o patrocínio de Israel será apenas para os quatro artistas israelenses presentes na mostra.

Resposta de Leandro Spett Spett

O jovem artista Leandro Spett Spett repudiou o manifesto, que qualificou de uma iniciativa “patética, pífia e contraproducente. […] A arte está acima de rótulos, etiquetas e plataformas políticas. Ela jamais poderia ser sequestrada por quem se julga superior. Estes artistas fizeram da arte e do evento seus reféns, eles sequestraram a Bienal. […] É justo criticar qualquer país e sua política, mas por meio da arte e não nos bastidores”:

Crítica de Sheila Lerner

Num artigo para O Estado de S. Paulo, a crítica Sheila Leiner mostrou a contradição do artista libanês boicotador de Israel, que “trabalha com o dinheiro da Bienal (já que o Líbano não patrocina o evento), ao mesmo tempo em que questiona o patrocínio”. E também destacou a essência do movimento BDS, que gera “ódio, exerce coação, ameaça, influencia pessoas e tenta impor sua vontade pelo uso da apreensão”, concluído: “Esta é exatamente a forma de ação política que define o terrorismo”.

2

FONTES

Boletim Informativo da Confederação Israelita do Brasil, 11/09/2014.

FRANCISCO NETO, José. Bienal de Arte de São Paulo não terá mais o apoio de Israel. Brasil de Fato, 01 de setembro de 2014. Disponível em: http://www.brasildefato.com.br/node/29688.

MARTÍ, Silas. Árabes ameaçam deixar Bienal por causa de patrocínio de Israel. Folha de S. Paulo, 28 de agosto de 2014. Disponível em: http://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2014/08/1506926-arabes-ameacam-deixar-bienal-por-causa-de-patrocinio-de-israel.shtml.

Anúncios

ARTISTAS BOICOTADORES DE ISRAEL

31-bienal-de-sao-paulo-big

Politicamente, os 55 artistas que exigem da Fundação Bienal de São Paulo a retirada do apoio que Israel deu ao evento em sua 31ª edição, para a qual foram selecionados, estão mais atrasados que o Anão Diplomático, que já autorizou o retorno de seu embaixador a Tel-Aviv, após as tão “necessárias” consultas empreendidas durante o conflito provocado pelos terroristas do Hamas em Gaza.

Numa Carta Aberta à Fundação Bienal, eles escrevem que “ao aceitar esse financiamento [não especificado no texto], o nosso trabalho artístico exibido na exposição é prejudicado [sic] e, implicitamente, usado para legitimar agressões e violação do direito internacional e dos direitos humanos em curso em Israel [sic]”. Ou seja, o “dinheiro sujo” de Israel prejudica o trabalho e corrompe as boas intenções desses artistas puros…

Puros de alma como os “cristãos velhos de sangue limpo” e os “arianos de sangue puro”, eles recaem na noção mística primitiva aplicada aos judeus pela Inquisição e revivida pelo Nazismo, segundo a qual os judeus são os “contaminadores” do mundo.

Os artistas boicotadores de Israel seguem igualmente os métodos que os nazistas inauguraram em 1933 nos chamados Boicotes aos Judeus, com a diferença de que hoje essas práticas antipáticas da extrema-direita são redimensionadas para um movimento cool e pós-moderno: o Boicote ao Estado Judeu, também chamado de BDS (Boycotts, Divestment and Sanctions against Israel), articulado pelos militantes palestinos.

Como que dotados de um faro apurado de cães de caça, os artistas engajados no BDS detectaram que “a Fundação Bienal de São Paulo aceitou dinheiro do Estado de Israel” e apontaram seus dedos duros: “o logo do Consulado de Israel aparece no pavilhão da Bienal, em suas publicações e em seu website”. Oh!

Selecionados por uma Bienal que descobrem estar assim “contaminada pelo dinheiro de Israel”, os 55 artistas ingratos (incluindo eventuais judeus que desprezam seu povo) exigem agora, num ultimátum, que aquela Fundação “amiga de Israel” escolha: ou ela devolve o que recebeu de Israel, ou eles retiram suas obras da exposição. Como são importantes!

Tivessem coerência ideológica, e não quisessem de fato expor seus trabalhos dentro de uma Bienal “amiga de Israel” para “legitimar” com suas obras ditas artísticas “agressões e violação do direito internacional e dos direitos humanos”, de que culpam exclusivamente o Estado Judeu, como bode expiatório do mundo assim “purificado” por um ódio que se quer universal, eles é que simplesmente se retirariam do evento.

Poderiam então montar uma Bienal paralela de protesto, para a qual certamente encontrariam generoso financiamento das ditaduras do Oriente Médio que exterminam homossexuais, lapidam mulheres e usam crianças como carne de canhão. Esse apoio não prejudicaria em nada seus trabalhos sensíveis apenas ao contato com o “maldito” Estado de Israel.

Mas isso logo não lhes bastaria, pois o que esses artistas querem mesmo é perseguir Israel: “Rejeitamos a tentativa de Israel de se normalizar dentro do contexto de um grande evento cultural internacional no Brasil”, afirmam delirantes, querendo que o mundo pregue no peito do Estado Judeu uma enorme estrela amarela.

Com empáfia, os artistas boicotadores de Israel demonstram odiar esse Estado acima de todos os outros, sobre os quais não veem pesar quaisquer “agressões e violação do direito internacional e dos direitos humanos”, incluindo o Brasil entre os Estados campeões da Justiça da chamada “comunidade internacional”.

Não convém lembrar os 50 mil assassinatos anuais que ocorrem no país-sede da Bienal, recriminado pela Comissão Interamericana de Direitos Humanos pelo desrespeito aos indígenas em Belo Monte e pela ONU por toda a barbárie reinante em seus presídios superlotados, verdadeiras masmorras medievais, segundo o próprio Ministro da Justiça do atual governo, que nada faz para mudar a situação.

Os artistas alérgicos ao “dinheiro do Estado Judeu” não são afetados com os prêmios, apoios, bolsas e pagamentos que  recebem de seus e de outros Estados violadores dos Direitos Humanos. Só um Estado os incomoda no mundo. “Israel é a nossa infelicidade”, pensam com amargura os 55 paladinos da ética ao se juntar, para aliviar seus corações, ao que há de mais retrógrado e de podre no mundo atual.

FONTE DAS FRASES CITADAS

FILHO. Celso. Em carta aberta, artistas repudiam apoio de Israel à Bienal de São Paulo. O Estado de S. Paulo, 29 Agosto 2014. Disponível em: http://cultura.estadao.com.br/noticias/artes,em-carta-aberta-artistas-repudiam-apoio-de-israel-a-bienal-de-sao-paulo,1551594.

OS PINÓQUIOS DO HAMAS FAZEM SUCESSO NO BRASIL

pinoquio-nariz-grande-attilio-mussino

Ilustração de Attilio Mussino (1878-1954) para Avventure di Pinocchio, de Carlo Collodi, edição R. Bemporad e figlio, de 1911.

O MEMRI traduziu do árabe para o francês (que verto aqui para o português) um documento de extremo interesse para quem acompanha o conflito entre o Estado de Israel e os terroristas do Hamas, que controlam o território de Gaza, fazendo do povo palestino uma vítima das conhecidas barbáries perpetradas pelo fundamentalismo islâmico travestido de “resistência”:

MENSAGEM PARA OS ATIVISTAS DO FACEBOOK NO SITE DO MINISTÉRIO DO INTERIOR DO HAMAS

EXCERTOS DAS DIRETRIZES DO DEPARTAMENTO:

Toda pessoa morta ou caída como mártir deve ser chamada de “civil de Gaza ou Palestina”, antes de especificar o seu papel na Jihad ou posto militar. Não se esqueçam de sempre acrescentar as palavras “civis inocentes” ou “inocentes”, referindo-se às vítimas dos ataques de Israel em Gaza.

Comecem [seus relatórios sobre] as ações de resistência pela expressão “em resposta ao cruel ataque israelense” e concluam com a frase: “essas numerosas pessoas são mártires desde que Israel lançou sua agressão contra Gaza.” Sempre se certifique de manter o princípio: “o papel da ocupação é atacar, e nós na Palestina estamos sempre no modo reativo.”

Tenham cuidado para não espalhar boatos de porta-vozes israelenses, especialmente aquelas que afetam o front interno. Cuidado para não adotar a versão [dos acontecimentos] da ocupação. Vocês devem sempre emitir dúvidas [sobre a versão deles], refutá-la e considerá-la como falsa.

Evitem postar fotos de ataques de foguetes sobre Israel a partir dos centros da cidade de Gaza. Isso [serviria] de pretexto para atacar áreas residenciais da faixa de Gaza. Não publiquem ou não partilhem fotografias ou clipes de vídeo mostrando locais de lançamento de foguetes ou [as forças] do movimento de resistência na faixa de Gaza.

Para os administradores de páginas de informações no Facebook: não publiquem fotos de homens mascarados com armas pesadas em grande plano, para que sua página não seja fechada [pelo Facebook] sob o pretexto de incitamento à violência. Em suas informações, certifique-se de especificar: “os obuses localmente manufaturados usados pela resistência são uma resposta natural à ocupação israelense que deliberadamente dispara foguetes contra civis na Cisjordânia e em Gaza”…

Além disso, o Ministério do Interior preparou uma série de sugestões destinadas aos ativistas palestinos que interagem com os ocidentais através das mídias sociais. O Ministério sublinha que essas conversas devem diferir das trocas com outros árabes:

Quando vocês falam para o Ocidente, devem usar um discurso político, racional e convincente e evitar o palavreado emotivo choramingas da empatia emocional. Alguns ao redor do mundo estão dotados com uma consciência; vocês devem manter contato com eles e usá-los em benefício da Palestina. O papel deles é provocar vergonha pela ocupação e expor suas violações.

Evitem entrar numa discussão política com um ocidental para convencê-lo de que o Holocausto é uma mentira e uma enganação; por outro lado, associe-o aos crimes de Israel contra civis palestinos.

A narrativa da vida em comparação com a narrativa do sangue: [falando] para um amigo árabe, comecem com o número de mártires. [Mas falando] para um amigo ocidental, comecem com o número de mortos e feridos. Certifiquem-se de humanizar o sofrimento palestino. Tentem retratar o sofrimento dos civis em Gaza e na Cisjordânia durante as operações da ocupação e seus bombardeios de cidades e vilas.

Não postem fotos dos comandantes militares. Não mencionem seus nomes em público, não louvem os sucessos deles nas conversas com amigos estrangeiros! [1]

A “Mensagem para os ativistas do Facebook” postada no site do Ministério do Interior do Hamas revela com clareza que esse grupo terrorista possui uma estratégia de propaganda digna de um Josef Goebbels, mesclada, contudo, a uma ingenuidade que chega a ser infantil (Goebbels jamais divulgava publicamente suas estratégias de propaganda), que a torna ainda mais fascinante para os que sofrem de esquerdismo, essa “doença infantil do comunismo” (nas famosas palavras de Lenin) e que adotam a estratégia proposta pelos terroristas islâmicos mesmo sabendo tratar-se de mentiras puras, distorções da verdade e falsificação dos fatos.

Especialmente no Brasil a estratégia perversa do Hamas alcançou um alto índice de popularidade junto à população letrada, sendo adotada por toda a esquerda idiotizada pela ideologia (a “falsa consciência”, na célebre definição de Marx), pelas “mídias independentes” e muito frequentemente pelas mídias de consumo, e agora até pelo próprio governo. Numa nota divulgada a 23/07/2014, o Itamaraty fez um de seus pronunciamentos mais lamentáveis, igualmente digno de Josef Goebbels:

O Governo brasileiro considera inaceitável a escalada da violência entre Israel e Palestina. Condenamos energicamente o uso desproporcional da força por Israel na Faixa de Gaza, do qual resultou elevado número de vítimas civis, incluindo mulheres e crianças. O Governo brasileiro reitera seu chamado a um imediato cessar-fogo entre as partes. Diante da gravidade da situação, o Governo brasileiro votou favoravelmente a resolução do Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas sobre o tema, adotada no dia de hoje. Além disso, o Embaixador do Brasil em Tel Aviv foi chamado a Brasília para consultas. [2]

Mais uma vez, por obra desse governo, o Brasil se viu exposto ao ridículo e ao vexame mundiais. Quer dizer então que um país em eterna guerra civil, onde a cada ano 50 mil pessoas morrem assassinadas, incluindo mulheres e crianças, quer se alçar como árbitro de um conflito externo sobre o qual nada entende? Chamar o embaixador do Brasil em Tel-Aviv para consultas?! O Brasil quer romper relações diplomáticas com Israel? Já fomos promovidos ao status da Venezuela?

A Chancelaria de Israel respondeu à altura: “Esta é uma lamentável demonstração de por que o Brasil, um gigante econômico e cultural, continua a ser um anão diplomático. O relativismo moral por trás deste movimento faz do Brasil um parceiro diplomático irrelevante, que cria problemas ao invés de contribuir para soluções.”, declarou o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores de Israel, Yigal Palmor [3], que ironizou a derrota brasileira na Copa como exemplo de desproporcionalidade, explicando que a guerra não é uma partida de futebol, e que só não há centenas de mortos em Israel porque esse país construiu um sistema anti-mísseis eficiente, e não se desculpará por isso. [4]

O embaixador brasileiro respondeu dizendo em tom bovino que seu país reconhecia o direito de defesa de Israel, mas não aceitava a desproporção das mortes palestinas. Ou seja, Israel pode se defender dos ataques terroristas palestinos desde que morra de seu lado um número igual ou próximo. Infelizmente, Israel zela pela vida e pela segurança de seus cidadãos e, por isso, não pode oferecer centenas de mortos para satisfazer o senso de proporcionalidade dos antissemitas. 

A posição alucinada do Itamaraty foi criticada pela CONIB (Confederação Israelita do Brasil) e pela ANAJUBI (Associação de Advogados Brasil-Israel), mas louvada, é claro, na Faixa de Gaza: “O Brasil é melhor do que os países árabes, como o Egito, que não fazem nada”, reportou o correspondente Diogo Bercito da Folha de S. Paulo [5]. Estamos mal mesmo, nos alinhando com os terroristas palestinos que nem os países árabes apoiam mais, e seguindo à risca as diretrizes dos Pinóquios do Hamas…

Fontes:

[1]: http://www.memri.fr/2014/07/22/directives-du-ministere-de-linterieur-du-hamas-aux-activistes-en-ligne-parlez-toujours-de-civils-innocents/

[2]: http://www1.folha.uol.com.br/mundo/2014/07/1490447-israel-repudia-critica-do-brasil-sobre-bombardeios-na-faixa-de-gaza.shtml?cmpid=%22facefolha%22

[3] http://www.jpost.com/Operation-Protective-Edge/Brazil-recalls-ambassador-for-consultations-in-protest-of-IDF-Gaza-operation-368715

[4]: http://g1.globo.com/mundo/noticia/2014/07/porta-voz-de-israel-reage-e-afirma-que-desproporcional-e-7-1.html

[5]: http://www1.folha.uol.com.br/mundo/2014/07/1490447-israel-repudia-critica-do-brasil-sobre-bombardeios-na-faixa-de-gaza.shtml?cmpid=%22facefolha%22

SEM OLHOS EM GAZA

O artigo “Bloqueio faz de Gaza prisão ao ar livre” (Folha de S. Paulo, 6 jun. 2010), assinado por Marcelo Ninio, enviado especial a Gaza, é um bom exemplo de reportagem produzida segundo os modelos oferecidos gratuitamente pelos Ministérios Ocultos da Propaganda Nazista. Ele foi escrito para substituir a descrição objetiva dos fatos por uma ficção dramática, remodelando a realidade sensível segundo a representação dessa realidade pré-modelada na mente do público já doutrinado. Assim, sob a foto de uma praia cheia de palestinos tomando sol e jogando bola em Gaza, a legenda: “Centenas de palestinos freqüentam o litoral, um dos principais refúgios contra a miséria que assola o território em decorrência do bloqueio israelense.”

A legenda poderia ser apenas: “Centenas de palestinos freqüentam o litoral”. Mas o que ganharia a causa palestina com isso? É preciso meter ideologia. Um comunista completaria a legenda: “Centenas de palestinos freqüentam o litoral, um dos principais refúgios contra a miséria que assola o território”, sugerindo a ruindade da administração capitalista do governo, a exploração dos trabalhadores palestinos pelos palestinos ricos, etc. Mas o que ganharia a causa palestina com isso? Não, é preciso meter ideologia e ainda por cima anti-israelismo. É preciso castigar Israel: “Centenas de palestinos freqüentam o litoral, um dos principais refúgios contra a miséria que assola o território em decorrência do bloqueio israelense.” Agora, sim, o quadro está completo. A culpa é de Israel. Podemos prosseguir.

“As prateleiras dos mercados da faixa de Gaza estão cheias. […] Mas três anos de bloqueio arrasaram a economia local, deixaram quase metade da população desempregada e tornaram inacessíveis para a maioria […] os produtos que enchem as prateleiras.” Aqui, um comunista notaria que o problema então não é a falta de produtos, que enchem as prateleiras, mas a distribuição deles, tal como é realizada internamente em Gaza. Mas não se deve jamais culpar a administração do Hamas. É preciso culpar sempre e apenas Israel. Segundo os militantes da causa palestina, apenas Israel, que é mau, bloqueia Gaza; o Egito, que também bloqueia Gaza, é bom, não bloqueia porque quer, apenas porque cumpre ordens de Israel, esse “Estado Nazista” que manda no mundo inteiro…

A reportagem prossegue com suas imagens contraditórias de miséria dramática e boa vida com diversão e fartura na praia: “A vida continua. Famílias fazem fila em sorveterias. […]. À noite, os cafés ficam cheios de jovens fumando narguilé, e casais passeiam pela orla […]. […] Na área de maior densidade populacional do mundo, a maioria não tem para onde ir. A escassez de bens causada pelo bloqueio é driblada com o contrabando em centenas de túneis que passam sob a fronteira com o Egito. Mas a falta de liberdade para deixar o pequeno território por terra, mar ou ar justifica a fama de Gaza de ‘a maior prisão do mundo’.” Não sei se Gaza é maior que Cuba, mas se for está conseguindo superar Cuba em diversão e terror… O certo é que milhões de africanos famintos adorariam viver numa prisão cheia de guloseimas, como a de Gaza, já na de Cuba não seria tão apetitoso viver: as regalias estão reservadas apenas aos turistas comunistas que vão ali se abastecer de propaganda, relaxando em hotéis de luxo.

Leia-se, por exemplo, a grande queixa de Mohammad Abu Mandeel, gerente de qualidade da Paltel, empresa palestina de telecomunicações, registrada na reportagem: “A vida aqui é comer, beber, dormir e esperar […]. A maioria dos jovens e das crianças daqui jamais viu outro lugar.” Bem, a maioria dos jovens e das crianças do Brasil nunca saiu do Brasil. A maioria dos jovens e das crianças da África nunca saiu da África. A maioria dos jovens e das crianças da Rússia nunca saiu da Rússia. Pior ainda em Cuba, onde a totalidade dos jovens e das crianças nunca saiu de Cuba.

A reportagem vai atingindo picos de delírio em suas contradições: “Quem chega a Gaza esperando cenas de fome típicas da África e lojas vazias, se surpreende com a variedade das mercadorias disponíveis. Fora bebidas alcoólicas, vetadas pelo governo islâmico do Hamas, há de tudo, de perfumes de grife a computadores. Comerciantes de Gaza contam que é possível encomendar qualquer coisa pelos túneis. […] ‘Não há ninguém morrendo de fome’, diz o porta-voz do Hamas Taher Alnonno. ‘Mas a vida não é só comida. A pressão psicológica afeta a todos de forma profunda.’.”

Ah, quer dizer que a crise humanitária em Gaza, causada pelo bloqueio de Israel, é meramente psicológica. Os palestinos são um povo muito especial, o mundo precisa tratar da depressão dele. É o único povo que precisa de socorro mundial e de centenas de humanitários carregando em flotilhas toneladas de suprimentos desnecessários para socorrê-lo – desnecessários porque esse povo, na verdade, não passa fome, nem tem qualquer necessidade urgente de alimentos e remédios, e na verdade está apenas traumatizado com o bloqueio.

A reportagem revela números curiosos: “Segundo o PAM (Programa Alimentar Mundial), 7 de cada 10 habitantes de Gaza recebem ajuda humanitária. Antes do bloqueio, 150 mil pessoas trabalhavam em Israel. Só 2% das fábricas que existiam antes do cerco continuam operando. ‘Pode ser que não haja crise humanitária no sentido estrito. Mas, se as organizações saírem, Gaza entra em colapso’, diz Jean-Noel Gentile, do PAM.” Mas quem disse que as organizações sairão de Gaza? Israel era o único país que dava emprego aos palestinos, mas eles preferiram eleger um governo que nega a existência de Israel, se explodir onde antes ganhavam a vida e lançar milhares de foguetes para receber de troco não mais empregos, mas destruição pesada e bloqueio. Enquanto isso, ao invés de levar alguma racionalidade aos dementes que controlam os palestinos, as ONGs e a ONU criaram em Gaza um gigantesco Programa Bolsa Família, transformando o povo palestino em povo dependente de ajuda externa e consumidor de donativos internacionais, nele desestimulando o desenvolvimento de uma economia local.

Os palestinos recebem tudo na boca, e vivem a boa vida de quem obtém de graça o que outros povos precisam suar muito trabalhando para conseguir. Mesmo assim, eles estão traumatizados, pois ainda que recebam e tenham de tudo na sua “prisão a céu aberto” não podem mais se deslocar até Israel para se explodirem (graças ao Muro, à época tão condenado pela comunidade internacional), nem fabricar aqueles milhares de foguetes que lançavam contra Israel (graças ao bloqueio que a comunidade internacional ora contesta). Eles ainda jogam algumas dezenas de foguetes, mas não é como antes.

O bloqueio acabou com a maior diversão dos palestinos. Daí a depressão deles. Um terrível sentimento de impotência os aflige. Por isso a comunidade internacional não vai mais admitir esse bloqueio. Os palestinos não podem ficar deprimidos. Eles precisam voltar a sorrir, dedicando-se ao lançamento intensivo de foguetes contra Israel. Afinal, o Estado Judeu tornou-se o culpado pela infelicidade do mundo, segundo o velho preceito nazista (“os judeus são a nossa infelicidade”), atualizado para todo o planeta, em tempos de globalização.

Assim, a reportagem nega que o Hamas tenha a intenção de fabricar bombas e foguetes, como sempre o fez, e como gostaria tanto de voltar a fazer, caso o bloqueio fosse levantado: “[…] as restrições à entrada de materiais de construção perpetuam o drama. Cimento, ferro e vidro são vetados por Israel – sob a alegação de que podem ser usados para fins militares pelo Hamas.” Pois é: a  razão do bloqueio não passa de uma alegação de Israel. A verdade está sempre e apenas na boca do Hamas, do Fatah, dos palestinos. Israelenses, judeus, sionistas – são todos dissimulados: eles só alegam, nunca afirmam, nunca dizem a verdade. Só os palestinos afirmam, só os palestinos declaram, só as fontes palestinos são confiáveis…  asseguram-nos os Ministérios Ocultos da Propaganda Nazista.

10 TONELADAS DE PROPAGANDA

O  mundo apóia com paixão o terror imposto pelo Hamas na Faixa de Gaza, como se os palestinos fossem os novos judeus oprimidos por um Estado Nazista, que teria transformado aquele território no “maior campo de concentração do mundo”. E condena com a mesma paixão as IDFs, que conseguiram frustrar a tentativa insana de 663 ferozes pacifistas de 37 países  que, pretextando levar ajuda humanitária aos palestinos, sonhavam em romper o bloqueio a Gaza à força.  

A ardilosa empreitada de apoio ao terrorismo contou com a participação de celebridades duvidosas como Mairead Corrigan, a irlandesa Prêmio Nobel da Paz; Denis Halliday, ex-assistente de secretário geral da ONU; Haneen Zoubi, membro árabe israelense do Knesset; Raed Salah, líder de um ramo do Movimento Islâmico em Israel; Henning Mankell, novelista sueco; Iara Lee, cineasta americana-brasileira; e certo número de parlamentares europeus e árabes. O objetivo guerreiro de quebrar o bloqueio legal estava claro desde o cartaz que divulgava a missão e o movimento: 

Cartaz do Free Gaza Movement: a meta é romper o bloqueio legal

Dori Goren, Embaixador de Israel no Uruguai, esclareceu no La Republica que as IDFs agiram segundo normas do Direito Naval Internacional: um Estado em situação de beligerância tem o direito de impedir contrabando de armas à zona de conflito impondo bloqueio naval defensivo mesmo em águas internacionais. Assim o fez a ONU no Líbano pela decisão 1701 do Conselho de Segurança. Também o pedido israelense para que a “Flotilha da Liberdade” acatasse o bloqueio amparou-se no artigo 67 (a) do Manual de Direito Internacional de San Remo sobre conflitos bélicos navais.   

A “Flotilha da Liberdade” não tinha objetivos humanitários: “Essa missão não é sobre entregar ajuda humanitária, é sobre quebrar o bloqueio de Israel”, reiterou à AFP a implacável Greta Berlin, da ONG internacional  The Free Gaza Movement, que organizou, com a ONG européia The European Campaign to End the Siege on Gaza e a ONG turca Insani Yardim Vakfi (IHH), associada aos grupos terroristas Hamas e União do Bem, financiados pelo Irã – segundo o Coronel Richard Kemp, ex-comandante das Forças Britânicas no Afeganistão – essa complexa operação de martírio: “Esperamos duas coisas boas dessa viagem: chegar em Gaza ou morrer”, declarou uma orgulhosa tripulante da Marmara Mavi, a nave provida pela IHH, em meio a alegres cânticos antissemitas de Infitada, com os quais os 350 turcos fundamentalistas islâmicos embarcados saudaram a partida.  

Atolados em propaganda, também os brasileiros inflamam-se contra as IDFs. Eis algumas opiniões de leitores da Folha on Line (mantidos os erros de grafia e concordância, as frases truncadas e mal escritas) diante do fracasso da “Flotilha da Liberdade” em furar o bloqueio de Israel, sempre condenado antes de qualquer investigação dos fatos, pelo mundo sordidamente antissemita, do Papa Bento XVI a Mahmoud Ahmadinejad:     

“Os caras têm a coragem de falar que foram atacados! Um assalto desses, típico de comandos, altamente treinados. Quem em sã conciência iria atacar esses caras? Suicídio seria, ainda mais sabendo da índole dos judeus! Povo maldito! Só louco pensa o contrário!” Márcio Teodoro

“Que vergonha, Israel, agindo assim vcs parecem os nazistas com a famosa Blitzkrieg, cadê os terroristas a bordo?” Sergio Bezzan. 

“Israel é tornou-se Alemanha Nazista melhorada, modernizada e muito mais odiada.” Fernando Fábio

“O Conselho de Direitos Humanos da ONU aprovou resolução que determina “o envio de uma missão internacional para investigar violações das leis internacionais”. Foi aprovada por 32 dos 47 membros do Conselho, Três países se pronunciaram contra, entre eles os Estados Unidos. Como sempre os EUA mais uma vez incentivam a prática de toda sorte de barbárie por Israel, assegurando impunidade, não importando que crianças, velhos, mulheres grávidas sejam vítimas de crimes deliberados desses carniceiros.” Helio Figueirdo

“Israel, sequestrou, assassinou, saqueou covardemente pacifistas em missão humanitária, em águas internacionais. Isso é crime de guerra. Mas o governo terrorista de Israel não será punido, pois os poderosos EUA os acoitam e participam desse banquete de sangue inocente. Somente a volta do Partido Trabalhista poderá diminuir os estragos causados pelos fanáticos terroristas judeus. Somente a aceitação das diferenças poderá trazer paz ao Oriente Médio e ao mundo.” Cristiano Garcia

“Esse Estado nazi-fascista passou dos limites, mata pessoas indefesas e não respeita as leis internacionais. Certo mesmo está o Presidente do Irã, pois Israel deve ser riscado do mapa. O Brasil deve imediatamente romper qualquer laço diplomático com esse país que mantém um milhão e meio de pessoas confinadas no maior campo de concentração do mundo.” Davi Silva. 

“Israel é um câncer cravado na região. Sua presença ali gera tensões no mundo todo. Tanto lugar no mundo para criar o estado israelense e criam logo no meio dos árabes… Os judeus com certeza se esqueceram o que seus antepassados passaram nas mãos dos nazistas e agora usam métodos semelhantes com os palestinos.” Renato Ferreira. 

“Terroristas, e outros em geral, não levam uma estrela na identificando-os, assim podem estar no meio de qualquer atividade. Israel desde que deram-lhes um estado, estão metendo-se em tudo na região com apoio dos EUA. O que deveria ser feito é um bloqueio comercial internacional contra Israel. Se eles tiveram seu estado, porque os palestinos não podem ter o seu. E o mundo hoje critica Hitler, quantos Israel já matou após a II guerra? Está certo? Querem mandar na região. EUA/Israel mesma coisa.” Paolino Legname. 

“Os ativistas acabaram de deixar a pocilga israel. Foram ‘confiscados’ todos os seus celulares, máquinas fotográficas e de vídeo. Agora fica esclarecida a ação de pirataria de israel. Latrocínio.” Ivanov Albanese

Etc. etc. etc. 

Idiotas como esses contam-se aos milhões no mundo, e alguns deles, diplomados em jornalismo, logo chegam à grande imprensa. Âncoras do SBT afirmaram ser impossível distinguir quem atacou quem na abordagem dos navios embora apenas um cego não veja nos vídeos postados no YouTube como a turba pacifista cai matando sobre cada soldado embarcado. Repórteres da Globo induziram a perturbada Iara Lee a depor contra a verdade afirmando que os tripulantes que atacaram os soldados com facas, coquetéis molotov, barras de ferro e outras armas improvisadas se “defenderam apenas com socos e pontapés” contra “os caras” que “chegavam atirando para matar”.

Fotos divulgadas na galeria turca Hurriyet mostram como os pacifistas humanitários da “Flotilha da Liberdade” receberam os soldados israelenses: com farta distribuição de coquetéis molotov e barrinhas de ferro, num festivo batismo de sangue, digno dos navios da série de terror Piratas do Caribe. Constata-se nessas fotos dos próprios elementos do Marmara Mavi o que já se pudera constatar nos vídeos divulgados pelas IDF: nenhum dos soldados entrou empunhando armas, e mesmo assim foram recebidos com violência e à socapa, covardemente. Um dos soldados grita de dor depois de receber golpes na cabeça, outro está prestes a ser linchado, outro ainda jaz ensangüentado ao chão. Um humanitário parece ter acabado de esfaqueá-lo pacificamente na virilha: empunha ainda a faca afiada.

Iara Lee declarou, contudo, que os caras chegaram dando tiros na cabeça de todo mundo, obrigando os pacifistas humanitários a se defenderem com socos e chutes enquanto as mulheres desciam para o andar de baixo. Como o diretor cego de Dirigindo no escuro, Iara Lee deve dirigir mesmo quando não enxerga nada, ou como o Dr. Mentalo de O homem dos olhos de raio X, deve ver através das paredes…

Também a essa socialite socialista e artista arteira, dedicada a ações ilegais junto a elementos terroristas (seis deles já identificados pelas IDFs como associados aos grupos Viva Palestina, Hamas, Jihad Islâmica e Al Qaeda) parece natural reagir a uma abordagem militar com ações defensivas: “Eu acho que no desespero o que eles acharam ali, ó, eles pegaram: vassoura, canivete, sei lá, se tivesse alguma faca de comer…”, declarou ao Jornal Nacional.

Mas não são vassouras e facas de cozinha o que os pacifistas humanitários empunham, segundo suas próprias imagens, mas barras de ferro, porretes, facas de caçador.  Foram encontradas dezenas dessas armas dentro do Marmara Mavi, além de máscaras contra gás, coquetéis molotov e estilingues com bolas de gude e pedras selecionadas, no tamanho ideal, embaladas em práticos saquinhos plásticos, prontas para o uso dos consumidores jihadistas  – embora não se tenha divulgado que os humanitários petendiam guerrear um pouco, pacificamente, antes de entregar as suas 10 toneladas de suprimentos em Gaza.

Iara Lee prometeu enviar “à ONU, às TVs, às pessoas do Movimento da Paz e da Justiça” as fitas gravadas pelo cinegrafista da  Sérvia no Marmara Mavi, que ele conseguiu carregar escondidas na cueca. (Ele deve ter aprendido com os nossos mensaleiros, que escondem os dólares na cueca, na meia). Mas ela só fará isso depois de editar o material: “Pretendo editar as imagens até domingo e divulgá-las tanto para a imprensa brasileira quanto para a norte-americana. Também quero enviar para a ONU, para ajudar nas investigações do incidente”. Ao mesmo tempo, declarou que os israelenses são assassino e ladrões: “Além de assassinos, pois entraram atirando na gente como se fosse a 3ª Guerra Mundial, eles também são ladrões. Estão editando imagens feitas por jornalistas que estavam nos barcos para contar a história do jeito deles, deturpando tudo […]”. Claro, só ela pode editar as imagens e contar a história verdadeira, de um só lado, suprimindo as imagens que não interessam, que compometem…

Iara Lee ainda defendeu a ação dos pacifistas humanitários que resultou em nove mortos e trinta feridos: “É claro que [a ação dos pacifistas humanitários] foi uma vitória política. Infelizmente, é duro dizer isso, mas quando morrem ou são feridos cidadãos da Noruega, dos EUA, da Comunidade Européia, o mundo presta atenção. Não são apenas os palestinos sendo massacrados”. Entramos, assim, na Jihad.02, com suas operações de martírio estendida aos simpatizantes, aos idiotas úteis de todo o mundo. Também eles precisam agora morrer pela causa palestina, não apenas os homens-bombas…

Esses formadores de opinião continuarão seu trabalho sujo de esclarecer as massas sem cultura suficiente para entender questões complexas. Recebendo as diretivas dos Ministérios Ocultos da Propaganda Nazista, insistirão que a “Flotilha da Liberdade” era de ajuda humanitária; e que suas 10 toneladas de alimentos e remédios fariam a diferença numa Gaza miserável. Contudo, este clipe postado pelo Roots The Club, a 30 de abril de 2009, ou seja, após o bloqueio, revela com exuberância a falácia imoral da caracterização de Gaza como o “maior campo de concentração do mundo”:

 

Assim o Roots The Club se decreve: “Uma combinação única de design contemporâneo e chiquê urbano, Roots The Club é um ícone no coração de Gaza City. Esse complexo multiuso – que inclui uma cozinha internacional, fino restaurante para jantares, um elegante hall de banquetes e um café no terraço – fica a poucos minutos das principais atrações, shoppings e centros de negócios de Gaza. Está a apenas 200 metros das areias brancas das praias de Gaza.” (Tradução do autor do original em inglês). 

O clipe entusiasmou o “ativista” Lubnani2009, que o adicionou aos preferidos de seu canal no YouTube, decorado com a mensagem: “Morte a Israel”, escrita em todas as línguas, e que conta com 1082 amigos. Claro que o luxo brega do Roots The Club destina-se às elites palestinas, mas também os mercados populares de Gaza revelam uma abundância que contrasta violentamente com a imagem oficial de Gaza disseminada pelos Ministérios Ocultos da Propaganda Nazista. 

Os palestinos não vivem nenhuma crise humanitária, como clama os sicários da ONU. Segundo o ponderado jornalista Tom Gross, que visitou recentemente os territórios palestinos, há mais Mercedes Benz circulando em Gaza que em Tel Aviv; e especialmente na Cisjordânia, graças a acordos com Israel, o progresso econômico é espantoso: em Jenin foi inaugurado um moderníssimo shopping center (a matéria é ilustrada por fotos dele). 

E, mesmo assim, os palestinos continuam a receber a maior quota de ajuda humanitária do planeta, em prejuízo das regiões realmente miseráveis, e muitíssimo mais necessitadas: Israel transfere diariamente 18 toneladas de ajuda humanitária a Gaza, que pode, assim, dispensar tranquilamente as 10 toneladas de suprimentos da  “Flotilha da Liberdade”. 

Essas 10 toneladas foram providas por centenas de ativistas internacionais numa operação nababesca envolvendo seis embarcações de luxo, organizada por uma ONG terrorista turca milionária. Esses riquinhos radicalizados embarcaram carregando numerosos equipamentos de produção. Apenas Iara Lee declarou ter perdido nessa operação de martírio uma quantidade de câmaras e lentes que ela avalia em 150 mil dólares. Isso já revela que o objetivo da “Flotilha da Liberdade” não era nem mesmo romper o bloqueio (ação extremista ilegal de sucesso sabidamente duvidoso) e sim documentar essa provocação, registrando em fotos, filmes e vídeos todos os incidentes – de preferência sangrentos – que ela inevitavelmente causaria, para assim  prover o mundo de mais umas 10 toneladas de propaganda anti-Israel

Gaza não precisa de ajuda humanitária: o Hamas rejeitou as 10 toneladas de suprimentos da “Flotilha da Liberdade”, despachadas por Israel do porto de Ashdod. As autoridades de Gaza surrealisticamente exigiram, para receber aquela ajuda, “garantias de que Israel deixou em liberdade todos os detidos” (Taher A-Nunu, porta-voz do executivo do Hamas). A carga ficará apodrecendo em 20 caminhões, na passagem fronteiriça de Kerem Shalom, a 60 quilômetros da Faixa de Gaza…  Para o Hamas, tão ético, a honra e a política é tudo o que conta; prover os palestinos é de somenos importância. 

Gaza não precisa de ajuda humanitária, mas de uma democracia que erradique o terror que a dominou. E os ativistas riquinhos que apóiam a tirania do Hamas (que tortura e assassina oponentes, faz das crianças palestinas escudos humanos e submete a população à sharia medieval), deviam ou assumir seu antissemitismo ativo alistando-se em partidos neonazistas, ou retornar à esquerda e militar nas verdadeiras causas progressistas. 

Como? Prestando ajuda humanitária às crianças que morrem de fome na África; fazendo campanhas para libertar os prisioneiros políticos de Cuba e do Irã; sustentando a luta das mulheres muçulmanas, cujos direitos são sistematicamente violados pela sharia; defendendo a existência ameaçada dos homossexuais, violentamente oprimidos, fuzilados e enforcados em regimes islâmicos; socorrendo as centenas de milhares de refugiados do Sudão; e apoiando o complexo combate dos soldados israelenses e norte-americanos, que morrem para defender as liberdades democráticas que restam nos oásis ocidentais, contra as redes terroristas que se espalham pelo mundo, cobrindo-o com o manto tenebroso do obscurantismo.

NOVA RODADA DE AÇOITES MUNDIAIS NO LOMBO DE ISRAEL

O mundo não se cansa de açoitar Israel. O lombo do Estado Judeu já está bem calejado. Cercado de inimigos por todos os lados, Israel conseguiu sair vitorioso de todas as guerras que lhe moveram os países árabes. Mas os palestinos envolvem, cada vez mais, o mundo nessa guerra. Eles desejam que todos tomem parte das rodadas de açoites e apedrejamentos que organizam contra Israel, numa Grande Intifada Planetária. Os idiotas úteis que aderem à causa são os mesmos que vêem o mundo com um único olho, o da esquerda. Trata-se de um olho cego, tomado pela catarata com a queda do Muro de Berlim, o fim da URSS e a extinção progressiva dos regimes comunistas. A esquerda apodrecida só revive como os mortos-vivos: defendendo causas totalitárias.

Claro que Israel cometeu mais um erro ao abordar a “Mavi Marmara”, a “Flotilha da Liberdade” (sic), um grupo de seis navios que transportava, sem autorização nem controle, mais de 750 pessoas e 10 mil toneladas de “ajuda humanitária” (sic) para os terroristas do Hamas que assaltaram Gaza:

Para quê abordar essa “Flotilha da Liberdade”? A operação parecia destinada desde o início ao fracasso: meia dúzia de soldadinhos não iria “parar” centenas de fanáticos islamitas, entoando cânticos antissemitas de guerra, determinados a matar e morrer como mártires pela causa insana da Insani Yardim Vakfi (a ONG terrorista que organizou a expedição selvagem). Pela enormidade da operação, percebe-se que ainda corre muito dinheiro pelo mundo no apoio ao terror. Israel devia ter simplesmente afundado a “Flotilha da Liberdade”.

Mas entre os tripulantes da “Flotilha da Liberdade” havia militantes dos quatro cantos do mundo, inocentes úteis como a brasileira Iara Lee, que conheci nos festivais de Leon Cakoff: eles formavam um casal muito ativo mundo afora, na seleção das inúmeras porcarias que exibiam, entre um que outro bom filme, na Mostra Internacional de Cinema. E ai dos críticos que não elogiassem as porcarias: eram punidos com a retirada de suas permanentes e dos eventuais convites para macarronadas! Parece que Iara, agora envolvida em causas sociais, embarcou, com seu passaporte norte-americano, na canoa furada dos palestinos. Será devidamente deportada de Israel e recebida com honras pelos entusiastas da Mostra…

Parece que em 5 dos 6 navios abordados a operação foi bem sucedida, não tendo ocorrido violência. Mas ao abordarem o sexto barco, tripulado por cerca de 600 árabes fanatizados os soldados foram recebidos pelos pacifistas humanitários com todo o respeito, isto é, a golpes de faca, cassetete, barra de metal, lançamento de cadeiras e coquetéis molotov, bombas de gás, chutes, pontapés e balas, em verdadeiros linchamentos humanitários e pacíficos. Cada soldado que descia era cercado e linchado de forma humanitária e pacífica:

Um soldado israelense foi esfaqueado por um pacifista humanitário e quando dois pacifistas humanitários apossaram-se de duas armas dos soldados e abriram fogo, os demais reagiram em legítima defesa. No tiroteio que então se seguiu, 9 terroristas foram mortos e mais de 30 saíram feridos. Do lado israelense, 7 soldados foram feridos, dois deles gravemente. Países árabes bradaram aos céus contra o que definiram de “massacre” e “assassinato de Estado”. Nenhuma palavra nas mídias sobre a ilegalidade da “Flotilha da Liberdade”, sobre as (inexistentes) tentativas da ONU de impedir a operação de guerra dos pacifistas humanitários, sobre as agressões violentas aos soldados israelenses que, mais uma vez, foram obrigados a agir sozinhos contra o mundo inteiro cúmplice do terror. Imediatamente, os Estados aliados do terror – em primeiro lugar o Irã, seguido de países europeus e latino-americanos solidários (Venezuela, Brasil, Bolívia) apoiaram as mais vigorosas chicotadas morais contra Israel.

O Embaixador de Israel no Brasil, Giora Becher, foi convocado pelo governo brasileiro para “dar explicações”. Ele esclareceu o caso à embaixadora Vera Lúcia Barrouin Crivano Machado: os soldados embarcaram sem empunhar suas armas, mas foram atacados pelos “pacifistas” e reagiram em legítima defesa. Indiferente aos esclarecimentos, o Ministério das Relações Exteriores do Brasil continuou a categorizar a flotilha como “humanitária” e “pacifista”: Não há justificativa para intervenção militar em comboio pacífico, de caráter estritamente humanitário”. Em resposta, o Embaixador de Israel reafirmou que a flotilha tinha o objetivo político de apoiar o regime ilegal e terrorista do Hamas em Gaza, inexistindo ali crise humanitária: todo tipo de ajuda ingressa diariamente na região.

Israel oferecera aos organizadores da flotilha a alternativa de seguirem para o porto de Ashdod, onde os suprimentos de ajuda humanitária seguiriam para Gaza por via terrestre. Os organizadores não aceitaram. Os organizadores rejeitaram também realizar a entrega dos materiais através dos canais apropriados da ONU e da Cruz Vermelha. O grupo afirmou repetidas vezes que a intenção era romper o bloqueio marítimo em Gaza.

Levando em consideração o terror imposto pelo Hamas, o bloqueio realizado não apenas por Israel, mas também pelo Egito, é legal e justificado, como esclarece o documento The Gaza flotilla and the maritime blockade of Gaza – Legal background. Porque apenas Israel é acusado de fechar as fronteiras com Gaza? Porque o Egito mantém suas fronteiras com Gaza igualmente fechadas? Permitir uma “Flotilha da Liberdade” entrando ilegalmente em Gaza abriria um corredor de contrabando de armas e terroristas, com disseminação de violência em toda a área. Após os repetidos avisos aos organizadores de que não seria permitido romper o bloqueio, e seguindo a lei marítima, Israel impôs seu direito. Os membros da flotilha não atenderam as propostas israelenses nem aceitaram a solicitação das FDI, antes da abordagem, de que a flotilha os acompanhasse encerrando o evento de forma pacífica.

Como sempre, a máquina de propaganda palestina ganhou um novo tento. Uma Intifada desencadeou-se em Paris: uns 1200 manifestantes com bandeiras palestinas lançaram pedras contra a embaixada de Israel, na Avenida Champs-Elysées, gritando slogans antissionistas. As manifestações foram convocadas por grupos pró-palestinos, com a participação do Partido Comunista e do Partido Verde. Milhares de pessoas saíram em protesto em Estrasburgo, Lille, Marselha, Lyon, Toulouse. Em Madri, cerca de 600 manifestantes reuniram-se em frente ao Ministério de Assuntos Exteriores, com a participação do coordenador geral da coalizão Esquerda Unida, Cayo Lara, e do presidente da Associação Cultura, Paz e Solidariedade, Manuel Espinar, cujo filho embarcara na “Flotilha da Liberdade”, pedindo solidariedade para com o povo palestino. Em Valência, a concentração foi convocada pela Rede de Solidariedade com a Palestina. Centenas de pessoas se manifestaram em Sevilha, em apoio ao povo palestino… E assim o mundo vai virando um inferno, infestado de jihadistas.

AS CRIANÇAS MÁRTIRES

Podemos perdoar vocês por matarem nossos filhos. Mas jamais os perdoaremos por nos fazer matar os seus. Não haverá paz enquanto vocês nos odiarem mais do que amam suas crianças.

Golda Meir a Anwar Saddat, antes das negociações de paz.

 

As pessoas normais não sabem que tudo é possível.

David Rousset, em L’Univers concentrationnaire.

 

Desde os filmes de Sergei Eisenstein, imagens de criancinhas são usadas pela propaganda de guerra para comover os ingênuos a fim de favorecer regimes freqüentemente sanguinários. Os tiranos mostram-se amorosos com criancinhas em fotos e filmes, enquanto exterminam friamente seus opositores e “inimigos objetivos”, aos quais acusam de matar crianças inocentes. Quem poderia ficar indiferente à cena de Stachka (“A greve, 1925), em que o menino que brincava de soldado durante a repressão à greve operária de 1912 tem seu corpinho suspenso pelo cossaco e jogado do alto do alto do cortiço, até espatifar-se no chão? Ou à cena de Bronenosets Potyomkin (“O encouraçado Potenkim”, 1925), em que o cossaco de 1905 esmaga com seu fuzil o garotinho que rola num carrinho de bebê escadaria de Odessa abaixo? Ou à cena de Aleksandr Nevskiy (“Alexandre Nevski”, 1938), em que a criança é lançada viva à fogueira pelo tirano teutônico que invade a Rússia do século XIII?

 

Essas “corajosas” críticas de Eisenstein dirigiam-se, contudo, à Rússia czarista anterior à Revolução de 1917 e à Alemanha do “presente enquanto passado” (os teutônicos do século XIII representando os nazistas de 1938). Ou seja, as críticas reduziam-se a uma propaganda do Estado: suas imagens de criancinhas martirizadas serviam para encobrir os horrores do regime soviético. O próprio Stalin não hesitou em segurar no colo a risonha menina Guelia Markizova, de seis anos de idade, cujos pais ele mandou fuzilar, promovendo com essa foto sua imagem de “amigo das criancinhas”. Também Adolf Hitler, responsável pelo assassinato de cerca de 1.500.000 crianças judias e de milhares de crianças ciganas, gostava de ser filmado e fotografado recebendo buquês de flores de criancinhas ou afagando cães, sendo admirado pelo povo alemão por seu amor aos animais e aos pequeninos; pioneiro da política ecológica de “desenvolvimento sustentável”, ele proibiu a vivisseção de animais, ao mesmo tempo em que permitiu aos médicos nazistas realizarem suas “experiências” em judeus e ciganos. Durante a Guerra Fria, os anticomunistas acusavam os comunistas de “comer criancinhas”, num eco da “caça às bruxas” dos tempos da Inquisição, quando os judeus eram freqüentemente acusados de sacrificar criancinhas cristãs para usar o sangue delas na preparação de suas matzot de Pessah, pelo que eram linchados pelas multidões piedosas ou queimados vivos pelo próprio Estado, então “braço secular” da Igreja.

 

Nos dias atuais, as mídias de consumo repetem como papagaios eletrônicos a propaganda totalitária espalhada pelo terror a respeito do “holocausto” das crianças de Gaza. Inumeráveis manifestos clamam pela destruição de Israel a fim de impedir que esse “monstro genocida”, esse “vampiro sanguinário”, esse “pequeno Satã” drene e beba todo o sangue das criancinhas palestinas. Não apenas militantes extremistas, mas também comentaristas, jornalistas, acadêmicos, escritores e filósofos assumem esse anti-israelismo, pregando boicotes ao Estado Judeu e comparando, sem qualquer constrangimento, os sionistas aos nazistas, Israel à Alemanha Hitlerista, as IDF às tropas S.S., o Muro de Proteção ao Gueto de Varsóvia, Gaza a Auschwitz. O antissemitismo retorna como antissionismo, numa escalada global de perigosas distorções da realidade, que ameaçam repetir a História em farsa de proporções gigantescas e conseqüências imprevisíveis.

A escalada que levou ao novo surto de antissemitismo/antissionismo remonta à retirada israelense de 2005. Gaza passou a ser controlada pelo Hamas, que trucidou seus rivais do Fatah e transformou o território numa Salò islâmica. Um instantâneo desse horror podia ser visto num vídeo que mostrava os homens do Hamas abatendo a tiros dezenas de homens supostamente ligados ao Fatah, em 2007. Era um registro ilustrativo da natureza do Hamas e de seus métodos de matança: os palestinos supostamente ligados ao Fatah eram obrigados a deitar em fila ao longo de um muro, à luz do dia, num arrabalde da cidade, para serem fuzilados. Notem bem: não eram colocados contra o muro, como se espera de uma execução sumária, mas deitados diante do muro: os mascarados do Hamas atiravam, então, seguidamente, a certa distância, em seus corpos, mirando as cabeças, mas obviamente custando a acertar, fazendo assim a agonia dos fuzilados se prolongar ao máximo. Se esse vídeo foi censurado por razões “humanitárias”, alguns exemplos da barbárie do Hamas ainda podem ser acessados como este registro do terror das milícias islâmicas do Hamas contra palestinos a cantar músicas do Fatah a 10 de outubro de 2007: no clipe Hamas crime against people in Gaza city, os mascarados chegam atirando para o alto, destroem as mesas colocadas na calçada e espancam violentamente os “rivais” que pareciam festejar um casamento.

Numa retrospectiva do totalitarismo palestino, o 12 de novembro de 2007 em Gaza será futuramente comparado, pelos historiadores do conflito, guardadas as devidas proporções, à Noite das Facas Longas, com o Hamas esmagando – não na calada da noite, mas em plena luz do dia – seus rivais do Fatah durante uma festa terrorista em homenagem a Yasser Arafat. O acontecimento foi registrado pela TV EuroNews no clipe Gaza City – Gaza Strip – EuroNews – No Comment, postado em duas partes: na primeira parte, pode-se apreciar a festa terrorista do Fatah; na segunda parte, tem início a razzia do Hamas, cuja violência transforma a festa terrorista, em comparação, numa festa infantil. A selvageria que marcou, de lado a lado, a tomada do poder pelo Hamas em Gaza também foi registrada pela CNN neste clipe postado no YouTube sob o título Hamas in Control of Gaza. Essa razzia foi exaltada numa animação postada no YouTube sob o título de Cartoon by Hamas, produzida pelo Hamas, e na qual estropiadas Ratazanas (representando os homens do Fatah), armadas e corrompidas pelos EUA, perturbam a digestão do Leão (o Hamas), que rói um osso duro (Israel). Quando as Ratazanas atacam uma mesquita, o Leão decide largar o osso (suspender seu “programa de resistência”) para esmagar as Ratazanas, que partem então em debandada para a Cisjordânia, enquanto Gaza volta a florescer sob a bandeira do Hamas:

 

 

Finalmente, com a aprovação pelo Conselho Legislativo Palestino das “leis corânicas” (a Sharia) em Gaza, penas de chibatada, amputação das mãos, enforcamento e crucificação foram adotadas para eliminar qualquer desvio de comportamento, e suprimir toda liberdade de expressão e de opinião. A seção 84 da lei declara, por exemplo, que: “Qualquer um que beba vinho, possua ou produza vinho será punido com 40 chibatadas se ele for muçulmano; e qualquer um que beba vinho, ou perturbe outra pessoa (com vinho), ou cause nele estresse por estar bebendo vinho em público; ou vá a algum lugar público bêbado, será punido com não menos que 40 chibatadas e encarcerado por pelo menos três meses”. E a seção 59 estabelece que “punições capitais serão usadas contra palestinos que intencionalmente […] enfraquecerem o espírito da força de resistência do povo; ou espionar contra os palestinos, especialmente durante a guerra” [Al-Arabiya, 24 dez. 2008; Al Hayat, Londres, 24 dez. 2008].

 

Ao mesmo tempo, entendendo a retirada israelense de Gaza como “sua” vitória, e depois de lançar 10 mil foguetes Qassan contra Israel, ao longo dos últimos oito anos, o Hamas obteve do Irã e da Síria foguetes Grad, de fabricação chinesa e russa, capazes de atingir cidades a 40 km da fronteira, colocando em risco quase 1 milhão de israelenses. O Hamas usou a precária “trégua”, interrompida em dezembro, para rearmar-se, dentro da tradição islâmica de oferecer tréguas quando os combatentes muçulmanos estão em pequeno número ou falta-lhes munição, ou ainda quando se espera que o inimigo se converta ao Islã. Segundo um manual de jurisprudência islâmica, Umdat al-Salik (“A confiança do viajante”), certificado pela Universidade Al-Azhar, uma trégua pode durar até dez anos – tempo previsto no Tratado de Hudaibiya, acordado entre o profeta Maomé e os Quraysh de Meca. Durante a trégua, Maomé assaltou caravanas, comprou armas, conquistou aldeias, comercializou escravos e aumentou seus combatentes: pode assim romper a trégua acordada após apenas dois anos e conquistar Meca. Quanto a acordos firmados, eles podem ser quebrados a qualquer momento, uma vez que aos islamitas é permitido mentir aos “infiéis”. Seguindo essas tradições, o Hamas ignorou os apelos do Fatah para renovar a “trégua” com Israel, sentindo-se talvez já forte o suficiente para “destruir a entidade sionista” com seus novos foguetes. Foi quando Israel decidiu bombardear os lançadores em Gaza, vitimando centenas de terroristas e seus escudos humanos.

 

Como sempre, os pacifistas condenaram Israel, exigindo um cessar-fogo imediato. Teriam crédito se tivessem exigido antes o mesmo do Hamas. Enquanto só israelenses sofriam, não se via manifestação pacifista, só pactos de silêncio com o terror. Quando o Hamas foi atacado, os pacifistas ergueram suas vozes em coro para oferecer ao terror uma nova chance – a de obter e lançar foguetes mais potentes contra Israel. Ora, o terror não cede à diplomacia. É preciso, pois, destruir sua infra-estrutura. Contudo, a violência, mesmo justificada, pode gerar mais violência. A verdadeira solução – o fim do terror – só viria com a reeducação das populações palestinas doutrinadas no sonho do martírio. Mas como realizar essa reeducação sem antes destruir a infra-estrutura do terror? Ninguém consegue decifrar esse enigma que, em forma de círculo vicioso, devora as crianças palestinas. Além disso, o mundo assiste com indiferença e até com respeito à educação para a morte que essas crianças recebem de seus pais e mestres.

 

A educação para a morte é tão contrária à natureza humana que cria, na alma palestina, uma humanidade paradoxal, que vive uma dupla moral, de incrível hipocrisia. É notável, por exemplo, que, como podemos ver no clipe Gazan Woman Sends her Hamasnik Son to Hell, uma mãe palestina possa abençoar o envio de seu filho Hamasnik para a morte com uma alegria indisfarçável, esperando que seu pimpolho assim atinja o “nível 100” e mereça entrar no sétimo céu e receber as 72 virgens que ali o aguardam; e que ela mesma, através desse martírio, obtenha a maior glória que uma mãe pode alcançar; e que, quando Hamasnik torna-se esse mártir que ela tanto desejou, essa mesma mãe procure as câmaras de TV para chorar e berrar como uma louca de tragédia grega – em paródia palestina –, como se fosse uma mãe normal, pobre e desgraçada, que acabou de perder seu bebezinho crescido, sua criança inocente, que ela jamais imaginou pudesse vir a morrer de uma forma tão violenta, massacrado pelo inimigo sionista; contra o qual, no entanto, ele foi, de livre e espontânea vontade, explodir-se, com a sua benção:

 

 

O Ocidente assistiu passivo e respeitoso à inquietante formação da nova geração de crianças terroristas pelo Hamas. Essa nova geração substituiu a anterior, já bastante perniciosa, mas menos radical, formada pelo Fatah, constituída por crianças atiradoras de pedras. Essa geração de “crianças da intifada” é simbolizada pela heroína de uma animação assinada por “Nazarpour”, postada como Palestine Cartoon, em que vemos uma inocente menina catando pedras e sendo ameaçada por um tanque israelense; no estúdio da TV americana, um soldado israelense com galo na cabeça e olho roxo reclama por ter sido atingido por dois “terroristas palestinos”. A TV americana é cúmplice do soldado, pois não mostra ao público os cadáveres das duas crianças palestinas que jazem nas imediações ensanguentadas com seus pobres estilingues. Com sua mãe, diante de uma vitrina repleta de brinquedos, a menina escolhe um bonequinho de “intifada”, com estiligue. Em seguida, ela vê a Tenebrosa Morte segurando um bonequinho de soldado israelense, caminhando em sua direção, ampliando cada vez mais o “tenebroso” símbolo da Estrela de Davi; decide então lançar pedras nos soldados israelenses. Mais tarde, ela vê um desses soldados martelando uma enorme Estrela de Davi no centro da bandeira palestina; ela se enfurece e atira uma pedra no símbolo judaico, que desaba sobre o soldado, deixando-o estonteado. A menina ri com vontade, feliz e contente:

 

 

Essa geração de crianças ativistas foi ainda mais radicalizada pelo Hamas, para servir de carne para canhão. A sua missão não é mais a lapidação de soldados israelenses, mas o martírio. Após o Fatah, o Hamas atualizou o uso que o nazismo fez das crianças alemãs, engajando-as na Juventude Hitlerista e, mais tarde, criando exércitos de crianças para lutar no front; e também o uso que o Exército Vermelho fez das crianças russas, sob Stalin, como se viu em Ivanovo Detstvo (“A infância de Ivan”, 1961), de Andrei Tarkovski; e no documentário russo “Crianças da guerra”, sobre a criação dos Acampamentos dos Pioneiros, onde crianças, muitas das quais órfãs de guerra, eram treinadas para usar armas e atravessar a linha de fogo com mensagens e munições. Mas os palestinos não adotaram simplesmente as técnicas de guerra total (incluindo a atualização dos kamikazes japoneses na figura dos homens-bombas) como também as aperfeiçoaram. Basta lembrar que a doutrinação nazista das crianças, se tinha início nas Escolas de Adolf Hitler, só era efetivada com o ingresso dos adolescentes a partir dos treze anos de idade nas Juventudes Hitleristas. Já a doutrinação do Hamas começa literalmente no berço, no jardim da infância, quando as crianças palestinas têm apenas dois anos de idade, sendo desde então uniformizadas e armadas pelos próprios pais e mestres para propagandas, manifestações e festividades. Na TV Al-Aqsa o programa infantil semanal Os Talentosos, que “vasculha a Palestina de norte a sul para descobrir crianças talentosas e criativas, com idéias espantosas e grandes projetos, a fim de tornar o povo palestino aquele com a mais desenvolvida e avançada cultura”, apresentou a 3 de setembro de 2007 um especial de início de ano escolar com “o talentoso Ahmad”: um menino de dois anos abençoado por Alá com tal amor patriótico que já sabia tudo sobre como tornar-se Shahid (mártir) na Jihad (guerra santa) contra os “terroristas que ocupam a Palestina”. Assim o vemos no vídeo Hamas Indoctrinating Toddlers arrastando seu corpinho em uniforme do Hamas, metralhadora em punho, espreitando o inimigo entre as folhagens, treinando para o martírio:

 

 

Como a Wehrmacht fez com sua Juventude Nazista; e como o Exército Vermelho fez com seus Pioneiros, os terroristas palestinos usam suas crianças talentosas, seus Pioneiros do Amanhã, para abrir caminho a terroristas armados e informar-lhes sobre a movimentação das tropas inimigas, como se pode ver no vídeo This Is How The Palestinians Using Their Children, que inclui o registro de um menino-bomba desarmado pelas IDF; o de outro, detido quando preparava seu atentado; além de cenas de propaganda ingênua sobre o “lado humano” dos soldados israelenses e das crianças palestinas: uma menina palestina ferida com pedradas tratada em hospital israelense; um soldado israelense despedindo-se de crianças palestinas; e outro ensinando passos de dança a crianças palestinas do outro lado do muro.

 

Também A luta do Hamas contra Israel na Faixa de Gaza (é preciso confirmar a idade no site para ver o clipe que possui imagens de violência gráfica) mostra como as crianças palestinas são usadas como robôs humanos, movidos por controle remoto pelo Hamas, que as enviam à morte enquanto mantêm suas próprias vidas protegidas. Sob a falsa aparência de sua pouca idade e de sua inocência, essas crianças são usadas como para servirem de olheiros na frente de combate; resgatar armas de combatentes mortos, brincar em áreas de lançamento de foguetes e assim deter ataques israelenses; transportar armas; e carregar explosivos em suas mochilas escolares para se explodirem nas proximidades de israelenses. O resultado é que, na guerra do Hamas contra Israel, um número excepcional de crianças foi vitimado: “combatentes” menores de idade, aquartelados nos alvos estratégicos para se tornarem “mártires”; arrastados para esses locais pelos líderes terroristas; ou orgulhosamente conduzidos por seus pais e mestres. Os palestinos condenam Israel pelo massacre de suas “crianças inocentes” e as mídias ocidentais, em mais uma recaída no antissemitismo cristão, acusam os judeus de “massacre”, “genocídio”, “limpeza étnica” e “holocausto”. Nenhuma força ocidental impediu o Hamas de integrar as crianças palestinas à sua infra-estrutura de terror. Nos debates, artigos, análises e noticiários da guerra, foram deliberadamente ignorados os fatos monstruosos produzidos pelo Hamas para que se pudesse lançar contra Israel acusações de “crime de guerra”, “crime contra a humanidade”, “massacre”, “genocídio”, “limpeza étnica” e “holocausto”. Quando, entre outubro de 2000 e janeiro de 2005, 123 crianças israelenses foram, em sucessivos atentados, trucidadas por homens-bombas palestinos dentro de Israel, em ônibus, pizzarias, residências, longe de qualquer alvo militar, os noticiários evitaram com o máximo cuidado o uso de termos como “crime de guerra”, “crime contra a humanidade”, “massacre”, “genocídio”, “limpeza étnica” e “holocausto”. O politicamente correto oblige, já que a nova “ética jornalística” ensina que os repórteres devem ser sempre duros e parciais com Israel, e ao mesmo tempo mitigar toda e qualquer mazela perpetrada pelo “sofrido povo palestino”. Isso implica em jamais nomear os membros do Hamas como terroristas, designando-os apenas por eufemismos como “militantes”, “ativistas”, “milicianos”, “guerrilheiros”; e em colocar sob suspeita qualquer informe israelense, cujas autoridades devem estar sempre alegando e jamais afirmando, declarando, explicando; enquanto as autoridades palestinas estão sempre afirmando, declarando, explicando, e jamais alegando. Um programa humorístico israelense fez, a propósito, paródia exemplar sobre o comportamento irracional da imprensa mundial mostrando como a BBC, em sua cegueira voluntária, pendia sempre para o lado dos palestinos, ignorando propositadamente a realidade “do lado de lá”, no mais patético antissemitismo.

 

A 2 de janeiro de 2009, uma semana após o início das operações militares em Gaza, o Hamas convocou um “dia de ódio” contra os bombardeios. Israel reforçou a segurança em Jerusalém Oriental e impôs restrições ao movimento dos palestinos da Cisjordânia. Os preparativos para a ofensiva por terra foram finalizados, tanques e soldados concentraram-se na fronteira. Várias famílias palestinas deixaram a área e o Exército israelense liberou a saída de estrangeiros da Faixa de Gaza, ao mesmo tempo em que impediu a entrada de jornalistas, declarando a área zona militar fechada. Nizar Rayyan, um dos principais líderes do Hamas em Gaza, foi morto em um bombardeio. Indiferente aos apelos de cessar-fogo, o Hamas voltou a lançar foguetes, declarando que só estudaria a possibilidade de uma trégua se Israel suspendesse o bloqueio à Faixa de Gaza. Mais tarde, o chefe do Hamas, Khaled Mechaal, de seu confortável exílio, bem longe de Gaza, na abertura de uma reunião árabe sobre a guerra em Doha, declarou: “Apesar de todas as destruições em Gaza, não aceitaremos as condições de Israel em vista de um cessar-fogo porque a resistência em Gaza não foi vencida” (Le Monde, 16 jan. 2009).

 

Graças à pressão da comunidade internacional, que obrigou Israel a declarar um cessar-fogo unilateral, o terrorismo palestino pode ainda cantar vitória entre as ruínas, ganhando um novo fôlego. Moralmente derrotado, Israel passou novamente à História (de acordo com a opinião pública) como o vilão do conflito: acusado de “crimes de guerra”, de uso de “armas proibidas” e de um inominável “massacre” de 1400 palestinos. Contudo, o próprio Hamas estimou o contingente de seus combatentes em 40 mil, ou seja: considerando as supostas 400 mortes de civis inocentes, 1000 das 1400 vítimas oficiais seriam membros do Hamas, o que nos remete ao dado mais inquietante da guerra: o cessar-fogo teria garantido vida e liberdade total para 39 mil terroristas do Hamas, preservando 99% de seu contingente de combatentes. Seis milhões de alemães – 10% da população da Alemanha – tiveram de ser mortos até que os nazistas decidissem assinar a capitulação e a Europa se libertasse do nazismo e da guerra. Preferindo uma remota aparência de “paz” em Gaza, o mundo pretende ignorar a inexistência de claras manifestações de repúdio da parte da população civil de Gaza ao terror do Hamas (a despeito das críticas veladas à condução da luta, das reclamações de perda de suas casas próprias, usadas pelos terroristas para esconder explosivos, etc.); o que significa que a “inominável” destruição causada em Gaza não foi suficiente para abalar o totalitarismo palestino. Para muitos analistas, inclusive, a presença do Hamas na região teria sido até reforçada…

 

Com toda sua perversidade, os nazistas alemães ainda simulavam uma vida normal, produzindo e consumindo um estilo de vida tradicional para as massas, que incluía, dentro de seu totalitarismo, além do militarismo e do terror, a manutenção de um espaço – naturalmente manipulado – para o prazer e a diversão. Já os islamitas radicais impõem em suas sociedades totalitárias uma vida sem qualquer espaço para a diversão e o prazer. Com a proibição do álcool, com a submissão das mulheres, com a condenação do “dia dos namorados”, com a criminalização da homossexualidade, etc. toda a energia vital da população é canalizada para a conversão do fiel em mártir na jihad. Assim pode um clipe musical do Hamas vangloriar a opção de uma mãe por carregar no seu colo não mais sua filha, mas uma bomba: “a bomba é mais importante que eu” – constata a filha rejeitada, mas feliz com a descoberta, já decidida a seguir a mãe após seu martírio, ao qual ela assiste pela TV.

 

Para as mídias ocidentais, embaladas em sua dramaturgia cristã, tradicionalmente antissemita, as crianças judias, por serem consideradas as vítimas “ricas e poderosas” do conflito, podem continuar a ser aterrorizadas por foguetes e eventualmente mortas, só merecendo ser choradas pelos seus. Desejavam mais mortes em Israel para tornar a guerra “proporcional”, desapontados com o fato de que essas não ocorram com mais freqüência num país que preza a vida e protege sua população, judia ou não, provendo as residências de bunkers e as cidades de abrigos em toda parte. Já as crianças palestinas, por serem consideradas as vítimas “pobres e oprimidas”, devem ser choradas por todos, mesmo quando voluntariamente expostas ao perigo de morte e convertidas pelo Hamas em crianças-terroristas, tendo sua inocência abusada e violentada, até serem colocadas a serviço de uma causa monstruosa – o “fim da entidade sionista” – conforme a Carta do Hamas. Ora, essa meta só poderia ser alcançada sob o cadáver de toda a população israelense (incluindo um milhão de árabes palestinos), sob bombardeio atômico, com morte radioativa colateral para todos os “refugiados palestinos” em Gaza e na Cisjordânia: a visão islamita da “causa palestina” encobre, de fato, um desejo de morte coletiva. Razões de economia política misturam-se a violentos distúrbios psíquicos produzidos por uma educação religiosa extremada que, ao sufocar Eros, libera Tânatos. Um irracionalismo doentio irrompe no mundo político.

 

Resta, então, às IDF a dura tarefa de defender seu povo, sob o achincalhe das multidões antissemitas, contra agressores patológicos que, abençoados por seus sacerdotes, sonham em “varrer Israel do mapa”, nas palavras genocidas do Presidente do Irã, dos líderes do Hamas, dos grupos de extrema-esquerda, dos neonazistas, dos pacifistas. “Viva o Hamas, judeus na câmara de gás”, gritaram dois deputados na Holanda durante uma manifestação, sendo paradoxalmente advertidos por Ahmed Aboulatb, muçulmano praticante, nascido no Marrocos e atual prefeito de Roterdã: “Nesta cidade não serão admitidos esses slogans”, afirmou.

 

Os palestinos passaram a exibir então os cadáveres de suas crianças para as mídias internacionais. Imediatamente, em diversas capitais do mundo, manifestantes agitaram bonecas enroladas em lenços palestinos respingados de tinta vermelha para demonstrar que Israel dedicava-se a massacrar crianças em Gaza. Horrorizado com este “genocídio” (mais um…) do povo palestino, o mundo entregou-se a manifestações assustadoras, grotescas, alegres, antissemitas, vibrantes, fascistas. Como a de São Francisco a 10 de janeiro de 2009, que congraçou terroristas palestinos e judeus anti-semitas, mulheres de burka e travestis politizados, palestinos homofóbicos e gays sadomasoquistas, todos felizes e contentes a gritar slogans como “Esmaguem o Estado Terrorista de Israel” ou “Israel, Estado Monstro Sedento de Sangue”; e a expor raivosamente loiras bonecas americanas ensangüentadas representando as massacradas crianças palestinas…

 

Enquanto divulgava diariamente, com grande destaque, em todas as mídias, as altas taxas da mortandade infantil na ofensiva israelense em Gaza, o Ocidente consumista insistia em ignorar que os lançamentos dos foguetes do Hamas eram feitos a partir das áreas urbanas densamente povoadas de Gaza, com o objetivo mesmo de potencializar o número das vítimas no contra-ataque. Vídeos ilustrativos podem ser vistos na Página das IDF no You Tube: um deles, censurado após mais de 10 mil acessos, mostra terroristas carregando um caminhão lançador de foguetes antes de serem cuidadosamente mirados e atingidos por um míssil israelense; outro registro aéreo para Download, datado de 29 de outubro de 2007 (ou seja, durante a “trégua”) flagra terroristas do Hamas lançando foguetes contra Israel a partir de uma escola controlada pela ONU. Também ilustrativo é o registro da TV Al-Aqsa, do Hamas, de 6 de janeiro de 2009, mostrando lançamentos a partir de uma área urbana, no clipe Launching mortar bombs from an UNRWA elementary school.

 

Consciente da estratégia “quanto mais mortos melhor” do Hamas, e prevendo que um contra-ataque vitimaria um grande número de civis, o Exército de Israel, em operação militar inédita na história, alertou a população palestina através de milhares de telefonemas aos seus celulares, além de lançar panfletos com antecedência suficiente para salvar suas vidas – e claro, apenas suas vidas. O dado novo foi desconsiderado pelas mídias, interessadas apenas em registrar cadáveres de “civis inocentes” e rostos chorosos de injuriados palestinos culpando Israel, os EUA, a ONU, e todos os ocidentais pelas suas desgraças, menos eles próprios.

 

Numa matéria sobre “telefones móveis usados por ambos os lados para aterrorizar o inimigo”, um repórter descreve como militantes do Hamas enviaram mensagens aos israelenses dizendo que eles seriam atacados; e como oficiais israelenses enviaram mensagens aos palestinos sobre os locais que seriam bombardeados. Ora, o uso do celular pelos dois lados não significa que os dois lados usaram o celular para “aterrorizar o inimigo”: uma coisa é enviar à população civil mensagens sobre iminentes ataques aleatórios, apenas para que ela sofra mais; outra é alertar uma população civil sobre iminentes ataques determinados, para que ela possa afastar-se dos alvos e salvar suas vidas. O uso da telefonia traz nos dois casos angústia e sofrimento; ninguém quer ter a privacidade invadida, ainda mais com mensagens terroristas ou militares, mas não há equivalência moral no uso do celular pelo Hamas e pelo Tsahal: uma coisa é causar terror pelo prazer de causar terror, outra é tentar reduzir as “casualidades de guerra”.

 

Também esta tentativa israelense de preservar o humanismo em plena guerra ao terror não apenas falhou em seus objetivos como foi usada pelo terror para intensificar a catástrofe palestina: os alertas serviram para que o Hamas apinhasse os locais visados com escudos humanos voluntários, potencializando, ao invés de reduzir, o número de vítimas, numa prática escabrosa que remonta a ataques anteriores documentados pelos próprios palestinos. Podemos ver no clipe Terrorists Using Civilians as Human Shields, em gravação da TV libanesa ANB, como, na iminência de um ataque israelense à sua “residência”, em 20 de novembro de 2006, Wa’el Rajab, Chefe da Força Policial do Hamas, convocou civis para escudos humanos. Igualmente Abu Bilal al-Já’abeer, no nordeste da Faixa de Gaza, notificado por celular sobre o bombardeamento iminente de sua residência, telefonou para seus conhecidos, que mobilizaram uma multidão de amigos e vizinhos, que ali compareceram para desafiar o inimigo com sua presença no alvo, evitando assim as bombas, mas demonstrando ao mesmo tempo estarem dispostos a morrerem ali bombardeados, no clipe Gaza children – human shield.

 

 

Essa estratégica de suicídio coletivo é outro fato novo a ser considerado. Ela demonstra claramente que a população colabora com o terror, seja espontaneamente, seja sob a pressão do coletivo aterrorizado. Além disso, se nem todos os civis são terroristas, todos os terroristas são civis. Não existe exército formal de terroristas. A luta contra o terrorismo será sempre uma luta entre militares (do Estado ameaçado) e civis (membros do grupo armado e treinado militarmente, sem constituir Exército formal). Assim, quando a impressa alardeia, na luta de Israel contra o Hamas, a “morte de civis inocentes” em “reações desproporcionais” de um Estado bem armado contra terroristas (felizmente!) mal armados, está a encobrir propositadamente a complexidade da situação real: os “civis inocentes” mortos nos ataques israelenses incluem tanto civis mais ou menos inocentes quanto terroristas nada inocentes. Esses fatos novos são minimizados e distorcidos deliberadamente. Assim um bon vivant jornalista brasileiro não hesitou em comentar o conflito nestes termos:

 

Não há diferenças fundamentais entre os seres humanos. Vítimas de ontem podem perfeitamente ser os algozes de amanhã. […] Dizem que o Hamas usa os civis como escudos para a resistência. Se um bandido usasse uma criança como escudo, o leitor atiraria? Harry, o sujo, atirou. Israel também […] O homem não amadureceu […] continua nos primórdios da história. As conquistas ainda se impõem pela força. Até pelo genocídio. (EDITORIAL. Os Vencidos. O Tempo, Belo Horizonte, 11 jan. 2009).

 

No editorial, certas palavras carregadas de sentidos subentendidos (“vítimas de ontem”, “algozes de amanhã”, “Harry, o sujo”, “genocídio”) são usadas calculadamente para distorcer a realidade. Confunde-se aí o uso de civis como “escudos humanos” por terroristas que lançam foguetes contra outros civis com o uso de “reféns” por bandidos em fuga ou encurralados pela polícia. Tudo no intuito de sugerir que Israel cometeu em Gaza um novo Holocausto, e que o terrorismo é apenas um espantalho com que Israel justifica seu “belicismo” (“Dizem que o Hamas usa os civis como escudos para a resistência…”. Dizem? Como assim? O jornalista não tem acesso ao YouTube e às dezenas de evidências registradas pelos próprios palestinos?). Essas distorções da realidade, antes testadas apenas em discursos islâmicos antissemitas, panfletos revisionistas, sites neonazistas e pasquins neo-stalinistas, migraram de modo integral para as mídias liberais, como bem observou Robert Kurtz, em seu artigo “A guerra contra os judeus” (Folha de S. Paulo, Caderno Mais!, São Paulo, 11 jan. 2009). Exemplo disso é a capa da revista liberal IstoÉ sobre o conflito em Gaza em que Israel é estigmatizado como “Estado terrorista” sobre um clichê de mãe chorosa simbolizando a “tragédia palestina”, supostamente causada pelos “terroristas” israelenses.

 

O discurso do “terrorismo de Estado”, lançado pelos simpatizantes dos grupos terroristas para paralisar os Estados democráticos sempre que eles, após um ataque, reagem com a força necessária (seja alvejando homens-bombas e seus líderes; seja bombardeando os lançadores de foguetes que alvejam as populações civis; seja tentando destruir, através de operações militares, o aparato do terror) também foi agora adotado pelas mídias de consumo. Nesse discurso, fica implícita a legitimidade do terror e a ilegitimidade de seu combate. Em outras palavras: ainda que condenável, o terrorismo é considerado humano, uma vez legitimado pela “opinião pública” (ou pelas mídias de consumo) como uma “resistência”, devendo ser tolerado e combatido apenas na mesma proporção, isto é, com humanidade. Assim, Israel deve sofrer os ataques condenáveis, mas humanos, do Hamas, acatando as perdas e danos de seus cidadãos sem reagir. E ocorrendo, contra essa expectativa da “comunidade internacional”, uma resposta militar de Israel, tal reposta torna-se imediatamente desproporcional, ou seja, um “terrorismo de Estado”. É essa ideologia libertária cristã que está na base, por exemplo, do artigo do jornalista Robert Fisk, “Geografía da propaganda israelense”:

 

NOS ÚLTIMOS DEZ ANOS FORAM 600 OS MORTOS PALESTINOS E 20 OS ISRAELENSES.

Após vinte dias de ofensiva en Gaza, as vítimas palestinas superam as 900 e em torno de 13 as israelenses […] Não nos damos conta do horror das 12 (agora 20) mortes de israelenses em 10 anos, dos milhares de foguetes e do inimaginável trauma e estresse de viver perto de Gaza. Esqueçamos os 600 palestinos mortos ali nesse lapso… […] [Mas] como nos sentiríamos se […] estivéssemos sob o fogo de aviões supersônicos e tanques Merkava e milhares de soldados cujos projéteis e bombas fazem voar em pedaços 40 mulheres e crianças […] e que, numa semana, mataram 200 civis e causaram lesões a 600. Na Irlanda, minha justificação favorita deste banho de sangue proveio de meu velho amigo Kevin Myers: ‘A quota de mortes em Gaza é, por suposto, estremecedora, aterradora, indescritível’, deplorou, ‘Entretanto, não se compara com a quota mortal de israelenses se o Hamas lograsse seus objetivos.’ Entenderam? O massacre em Gaza justifica-se porque Hamas faria o mesmo se pudesse, ainda que não o faça porque não pode. Foi preciso Fintan O’Toole, filósofo de plantão no Irish Times, para dizer o indizível: ‘Quando expira o mandato de vitimização?’, perguntou, “Em que ponto o genocídio nazista dos judeus na Europa deixa de desculpar o Estado de Israel ante as demandas do direito internacional e do direito comum da humanidade?” […] No momento em que mencionei que 600 palestinos mortos por 20 israelenses mortos em Gaza em 10 anos era algo grotesco, os escutas pró israelenses condenaram-me por dar a entender (coisa que não fiz) que só 20 israelenses pereceram em todo Israel em 10 anos. Claro que morreram centenas de israelenses fora de Gaza nesse tempo, mas o mesmo ocorreu com milhares de palestinos. […] Os jornalistas deveríamos estar do lado dos que sofrem… Se cobríssemos a libertação de um campo de concentração nazista, não daríamos igualdade de tempo aos queixumes das SS. Ao que um periodista do ‘Jewish Telegraph’ de Praga respondeu que ‘as Forças de Defesa de Israel não são Hitler’. Claro que não. Mas quem disse que eram? (FISK, Robert. Geografía de la propaganda israelí. Página 12, Buenos Aires, 14 jan. 2009. Tradução do autor).

 

Manipulando estatísticas “com pegadinhas” em comparações numéricas capciosas para criar confusão no leitor e forçá-lo a dirigir sua indignação moral para um alvo pré-definido; pontificando que os judeus que vivem perto de Gaza deveriam sofrer muito mais antes e morrer em muito maior quantidade antes de se considerarem vitimados ou agredidos; acusando as IDF de banhos de sangue através de argumentos de amigos imbecis; e escorando seu antissemitismo no antissemitismo de um “filósofo” que condena Israel com argumentos “indizíveis” subitamente tornados “dizíveis”, Robert Fisk trai-se ao afirmar que “os jornalistas deveríamos estar do lado dos que sofrem”. Ora, jornalistas deveriam estar do lado dos fatos objetivos mais relevantes, transmitindo-os aos leitores distantes dos mesmos sem parcialidade, isto é, com um mínimo de interferência de seus juízos de valor pessoais, permitindo aos leitores, justamente, formarem seus próprios juízos. Se devessem estar do lado dos que sofrem, ao cobrir a libertação de Auschwitz os jornalistas seguidores da ética proposta por Fisk deveriam apiedar-se das S.S. e dedicar maior espaço aos queixumes dos carrascos nazistas: eram as S.S., afinal, que, derrotadas, sofriam agora com as conseqüências de sua imoralidade, sendo obrigadas a carregar até as valas comuns a imensa quantidade de corpos de judeus que haviam massacrado; eram as S.S. que agora sofriam a prisão nos cárceres aliados; e que logo mais sofreriam o julgamento de seus crimes no Tribunal de Nuremberg, esse “injusto tribunal de vencedores” na visão dos revisionistas. Ao se engajarem “do lado dos que sofrem”, os novos jornalistas – Fisk e os de sua laia – abdicam do dever profissional de informar objetivamente e de transmitir, sem deturpar, os fatos que testemunham arrastando os leitores para a “causa” que abraçaram através de montagens tendenciosas de fatos e estatísticas, em jogos perversos de palavras e distorções da realidade. Tudo isto feito em nome de seu engajamento nacausa dos sofredores” – sempre os palestinos, jamais os israelenses, como se numa guerra apenas um lado sofresse; e como se o lado (mais) sofredor estivesse com a razão, a verdade, a justiça…

 

O antissemitismo insinua-se especialmente nas manipulações das informações naqueles espaços das mídias onde a autoria é indefinida. O diabo não mora mais nos detalhes: ele se mudou para as manchetes. Os exemplos são inumeráveis. As mais recentes distorções da realidade pelas lentes do antissemitismo nas mídias de consumo foram facilitadas pelo número superlativo de crianças mortas nas operações israelenses em Gaza. Excluídas as delirantes fantasias anti-semitas da “maldade dos judeus” embutidas na visão de um Exército israelense alvejando propositadamente mulheres e crianças inocentes para ganhar a condenação mundial por seus crimes de guerra; fantasias que as mídias incutiram sutilmente na população mundial com a dramaturgia cristã de seus “relatos objetivos” de piedade para com os “pobres oprimidos”, vitimados pelos vilões “ricos e poderosos”, resta saber por que as crianças, as principais vítimas de toda e qualquer guerra moderna, morreram em maior quantidade nesta guerra, inquietando e até calando muitos dos simpatizantes de Israel. Segundo fontes diversas, foram vitimadas entre 25% e 30% de crianças de um total estimado de 1400 palestinos mortos na operação destinada a destruir a máquina de terror do Hamas. Imaginando as IDF concentradas em sua missão militar, mirando terroristas e sua infra-estrutura, qualquer leigo pode perceber que há aí algo de errado. Considerando-se a reconhecida habilidade do Exército de Israel (“um dos exércitos mais poderosos do mundo”, segundo o delírio dos antissemitas), a razão da alta mortandade infantil em Gaza não pode ser atribuída, como o foi oficialmente, a falhas de mira. A razão deve ser procurada, a meu ver, na própria estrutura da sociedade palestina que o Hamas montou em Gaza, isto é, uma estrutura inteiramente voltada para o terror. Para além das sempre infelizes “casualidades de guerra”, muitas crianças vitimadas o foram depois de terem sido arrastadas à força pelos terroristas, quando não conduzidas pelos próprios pais, entusiastas da “causa”, aos locais visados pelo Exército israelense. Um exemplo encontra-se no depoimento de uma jovem palestina que perdeu o irmão menor na explosão de um míssil israelense, e que, mesmo assim, culpa o Hamas pela tragédia:

 

 

Matar e morrer matando, para depois explorar hipocritamente esse martírio procurado, desejado, junto aos ocidentais que prezam a vida, e a boa vida, tornou-se parte da cultura da morte incutida na população palestina por líderes e autoridades, pais e mestres. Vídeos com as mensagens finais de mártires, gravados pouco antes de seus atentados, sempre estiveram entre os mais vendidos nas locadoras de Gaza. O “tornar-se mártir” converteu-se na principal aspiração das crianças palestinas, que ganharam “programas de resistência infantis” produzidos pela TV Al Aqsa, do Hamas, como “Os Pioneiros do Amanhã”. Nesta série, a apresentadora Saraa, uma menina “sábia”, entrevista super-heróis terroristas para a petizada. O primeiro de desses ídolos, visto no clipe Hamas Mickey Mouse Teaches Terror to Kids, foi Farfur, o “Mickey palestino”, que pregava a guerra aos “infiéis”, e especialmente aos judeus:

 

 

Encarregado da missão de retomar Tel-Aviv, que pertenceria a seu avô, Farfur é por isso “martirizado ao vivo”, no clipe The Fall of Farfur, espancado até a morte por um “soldado israelense” interpretado por um negro, estimulando nas crianças palestinas tanto a adesão ao terror quanto a um duplo racismo: contra os judeus e os afro-descendentes:

 

 

O racismo islâmico foi assimilado dos Protocolos dos sábios de Sião e dos panfletos nazistas, fontes permanentes de inspiração para os caricaturistas palestinos e pró-palestinos. Uma suposta militância política “antissionista” leva-os ao antissemitismo de fato, não hesitando em conspurcar de todas as maneiras a Estrela de Davi, pintando judeus como ratos, serpentes, polvos, aranhas, monstros, demônios, etc. como no concurso iraniano de “Caricaturas do Holocausto”, promovido pela República Islâmica do Irã, em 2006, com ampla participação de artistas brasileiros. Este racismo está patente na minissérie produzida e transmitida em dezembro de 2004 pela TV iraniana Sahar 1, Por ti, Palestina ou Os olhos azuis de Zahra. Nesta minissérie filmada em persa com locações em Israel, Judéia e Samaria, e traduzida depois para o árabe, uma menina palestina tem seus lindos olhos azuis – “arianos” – cobiçados e extirpados num hospital israelense para serem implantados em Theodore, o filho sem rins e paralítico do fictício primeiro ministro israelense, Yitzhak Cohen, comandante militar da região, que discursa: “Nós somos a melhor raça do mundo. Nossas terras devem se estender do Nilo ao Eufrates. O Petróleo está entre o Eufrates e o Nilo.” É mencionado um carregamento naval “cheio de fetos” e revela-se que o atual Presidente de Israel só se mantém vivo graças aos órgãos roubados das crianças palestinas. Essas vão alegres serem vacinadas por médicos da ONU, na verdade agentes sionistas disfarçados, tendo assim os olhos arrancados, conforme transcrições do Projeto Memri. O diretor da minissérie, Ali Derakhshni, ex-ministro da educação do Irã, declarou que sua intenção era apenas fazer “um programa sobre crianças”, embora ele mesmo admitisse à TV iraniana que Theodoro – o menino sem rins e paralítico – “simboliza Israel” (El Reloj). A propósito deste seriado, José Roitberg lembrou que José Arbex Jr, em 1997, na revista Caros Amigos, publicou uma matéria acusando os israelenses de inocularem nas crianças palestinas um novo vírus, bastante discriminatório, que “só mataria os árabes”.

 

Enfim, morto o rato Farfour, logo surgiu na TV do Hamas a gorda abelha Nahoul, que, como se pode ver no clipe Flinging Cats by the Tail on Hamas TV, ensinava crianças a torturar gatos e, em seguida, a jogar pedras em leões, numa clara analogia com a intifada. Contudo, Nahoul dava as costas aos leões e estes alcançavam seu corpo com as patas. Saraa observa que muitas crianças palestinas faziam isso, repreendendo o comportamento de Nahoul. Mas não era a crueldade de Nahoul que a sábia menina censurava, mas uma intifada descuidada, que dava as costas ao inimigo, deixando o flanco desprotegido. Já se propunha, então, um “programa de resistência infantil”, que substituía o lançamento de pedras nas intifadas estimuladas pelo Fatah pelo treinamento militar de crianças terroristas educadas para a morte pelo Hamas:

 

 

No clipe Hamas Children Show Teaches: Jews are Murderers vemos a abelha Nahoul conclamando as crianças palestinas a matar os “perversos judeus criminosos” e, junto com Saraa, vibrando com o desejo manifestado pelo garoto Sabah, que assistia ao programa, de tornar-se jornalista quando crescer. “Uau, precisamos de jornalistas. Sabe por que, Nahoul?”, pergunta Saraa, e Nahoul responde, com toda a hipocrisia que os palestinos aprendem a ter: “Ah, para fotografar os judeus quando eles matam Farfour e as criancinhas?” “Sim, Nahoul!… Vamos todos para a Jihad quando crescermos!”:

 

 

Nahoul também morria martirizada no episódio transmitido a 2/9 de fevereiro de 2008, como se vê no clipe Hamas’ Children TV with a Terrorist Jew-Eating Rabbit, porque, estando ferida, os “judeus” a impediam de ser conduzida a um hospital no Egito. Mas a cadeia dos ídolos mártires mirins não terminaria aí: seu irmão, o coelho Assud jurou vingança e prometeu partir para a tomada de Jerusalém. Perguntado por que, sendo coelho (“Arnoub”), ele trazia o nome de Assud (“Leão”), ele explicava que “coelho não é bom, é um covarde, mas eu, Assud, vou exterminar os judeus, se Alá quiser, e vou comê-los, se Alá quiser!”. A frase era acompanhada de um terno efeito de vídeo fechando a imagem na forma de um coração. Saraa, a “sábia” menina apresentadora, elogiando o martírio, encerra confirmando existirem “muitos, muitos soldados dos ‘Pioneiros do Amanhã’ que, se Alá quiser, ajudarão a libertar nossa Palestina”, sendo ela mesma a primeira a partir para a imolação de si mesma a fim de “libertar Al-Aqsa daqueles perversos sionistas”:

 

 

No episódio de 22 de fevereiro de 2008, que pode ser visto no clipe Muslim Palestinians Teach Children To Hate In Cartoons 1, a menina Saara e o coelho Assoud discutem a questão das caricaturas de Maomé, que consideram “heréticas” (como se os dinamarqueses – e o mundo inteiro – devessem seguir a religião islâmica e seus dogmas medievais, cuja transgressão é paga com a morte). Eles pedem o boicote aos produtos dinamarqueses e, sobretudo, aos produtos israelenses, e sonham com a conquista de toda a Palestina, para que os palestinos possam atravessar livremente, em seus carros, todas as fronteiras, do Egito à Arábia Saudita. O coelho Assoud já se imagina morrendo como um mártir dessa causa, sendo então substituído por um Leão nos próximos programas:

 

 

Considerando que o termo “criança” é aplicado a todos os menores de idade, o dado novo que os analistas bon vivants recusam considerar, é que, além de escudos humanos morreram na guerra de Gaza “inocentes” crianças-terroristas formadas pelo Hamas. Os cidadãos do Ocidente preferem fechar os olhos a essa realidade monstruosa e derramar suas lágrimas de crocodilo pelas crianças palestinas, “monstruosamente massacradas por Israel”. Eles imaginam aquelas crianças como seus próprios inocentes pimpolhos, que nada sabem sobre política extremista, luta armada, treinamento militar, ódio antissemita e martírio na jihad. Todos fingem ignorar que as fileiras do Hamas estão repletas de crianças terroristas, cuja formação foi documentada fartamente em fotos, vídeos e programas da própria TV do Hamas, hoje mundialmente acessível através do Projeto Memri, de permanente monitoramento das mídias do Oriente Médio, com os momentos mais significativos gravados e traduzidos em diversas línguas. O documentário O outro lado da guerra, de José Roitberg, postado no YouTube em duas partes. Na primeira parte, podemos constatar o impressionante estado da arte da propaganda terrorista, incluindo exemplos marcantes da educação para a morte das crianças palestinas extraídos do filme Obsession e de programas da TV Palestina, incluindo o pavoroso Comercial do Hamas, gravado pelo Projeto MEMRI a 24 de dezembro de 2008, na TV Al-Aqsa. Nesse anúncio sinistro, que antecedeu a ofensiva de Israel, o narrador terrorista sintetiza, com voz gutural, distorcida por entonações sadistas, a cultura da morte do Hamas, em ameaças medonhas, nas quais o foguete Qassan assume o principal papel simbólico-material, eroticamente adorado, evocado e cultuado como um deus, um Grande Falo dotado de potência capaz de despedaçar os judeus e reduzir Israel a cinzas.

 

 

Na segunda parte, os clichês jornalísticos sobre a guerra em Gaza são contestados, mostrando dois exércitos com valores diametralmente opostos. Retomando o clipe Forças Aéreas de Israel evitando atingir civis inocentes gravado pelas IDF, mostra, através de registros aéreos dos mísseis, como pilotos israelenses evitam ao máximo a morte de civis ao mirar lançadores de foguetes; em contraste, fica patente a crescente fusão da população civil palestina na infra-estrutura terrorista do Hamas, com populares desfiles do Hamas exibindo lançadores múltiplos de mísseis, rifles, metralhadoras, bombas e foguetes Qassan; toda a “indústria da morte” palestina pronta para imolar-se; túneis cavados dentro de residências para esconder e transportar armas, explosivos e munições. Retomando o clipe Mesquita ou depósito de armas?! gravado pelas IDF, e que revela como o Hamas fez de uma mesquita um depósito de foguetes, explosivos e canhão antiaéreo, o documentário conclui-se com a entrevista de uma professora inteiramente coberta pelo véu muçulmano, explicando que as crianças de seu jardim de infância, destinadas a unir-se ao Hamas, aprendem desde cedo que o martírio e o uso do véu são as suas “missões” na Terra:

 

 

Enquanto o regime palestino doutrinava as crianças palestinas para se tornarem mártires da causa da destruição de Israel, o mundo permanecia calmo e silencioso. Quando crianças palestinas começaram a ser mortas em Gaza, o mundo despertou de seu torpor e os antissemitas apressaram-se a acusar Israel por crimes de guerra. Muitos insistiram então que os foguetes do Hamas não passavam de rojões, sendo a reação israelense “desproporcional” e seu bombardeio de crianças inocentes um verdadeiro Holocausto. Afinal, os inocentes terroristas só desejavam estraçalhar impunemente o maior número de judeus com bombas e foguetes, e dar graças a Alá. Os desígnios do Altíssimo são, aliás, insondáveis, mas às vezes um fiel é recompensado por Alá com uma viagem a jato para o Paraíso, ao encontro das 72 virgens que ali o esperam para serem defloradas, como neste vídeo estarrecedor, e que seria cômico se não fosse trágico:

 

 

Todos desejam condenar Israel por crimes de guerra, quando caberia condenar, obviamente, o Hamas. Apenas humanistas dignos deste nome assinarão a Petição que exige da hipócrita ONU o reconhecimento dos inúmeros crimes de guerra abertamente praticados pelo Hamas, entre os quais o uso das crianças palestinas como carne para canhão. Uso denegado pelos críticos de Israel, mas publicamente admitido e exaltado pelo militante palestino Fathi Hammad em discurso gravado e transmitido pela Al-Aqsa TV, do Hamas, a 28 de fevereiro de 2008, e que merece entrar para os anais do totalitarismo. Fathi Hammad aí exalta o uso de crianças, mulheres e idosos como escudos humanos, com o consentimento, e mesmo com o entusiasmo das vítimas (após longa doutrinação), numa verdadeira perversão da natureza humana: “[Os inimigos de Alá] não sabem que o povo palestino desenvolveu [seus métodos] de morte e de matança. Para o povo palestino, a morte se tornou uma indústria, onde mulheres se sacrificam assim como todo o povo desta terra: os idosos se sacrificam, os lutadores da Jihad se sacrificam, e as crianças são sacrificadas. Assim, criamos um escudo humano de mulheres, crianças, idosos e lutadores da Jihad contra a máquina de bombas sionista, como se eles estivessem dizendo ao inimigo sionista: – Nós desejamos a morte, assim como vocês desejam a vida”:

 

 

O uso que o Hamas fez das crianças palestinas como carne para canhão foi documentado pelos próprios palestinos, orgulhosos de praticarem impunemente seus crimes de guerra enquanto acusam Israel de praticar crimes de guerra “matando inocentes crianças palestinas”. Essa situação inusitada merece uma análise mais profunda, que as mídias de consumo parecem incapazes de oferecer. Imagens de programas de TV da Autoridade Palestina e da TV do Hamas, arquivadas pelo Projeto MEMRI e postadas aqui e ali no YouTube revelam a extensão da catástrofe palestina, como no clipe Chindren of Hamas (prejudicado pela piegas e precária trilha sonora). Ou no registro intitulado El otro lado, em que vemos homens mascarados do Hamas apanhando crianças palestinas na rua e arrastando-as brutalmente para servirem de carne para canhão:

 

 

Ao serem treinadas para o martírio, as crianças palestinas tornaram-se poderosas armas no arsenal de propaganda do terror do Hamas. Em Gaza, após torturar e liquidar a tiros dezenas de rivais do Fatah, o Hamas conseguiu conquistar milhões de idiotas no Ocidente com a propaganda de suas crianças mártires. As imagens pornográficas dos corpos das crianças palestinas martirizadas, como a da menina ensangüentada nos braços do pai ou a de uma mãozinha infantil saindo cadavérica dentre os escombros são imagens-choques, que se sobrepõem a qualquer discurso de justificação da guerra, tornando irrelevante o entendimento do conflito. O emocional legitima a versão terrorista da História, dando lugar ao irracional, que se autojustifica. No clipe exageradamente intitulado Holocaust in Gaza pode-se contar um morto e cinco feridos – todo um “genocídio”; em outro, Children of Gaza!!!, a dor de mães teatralmente histéricas com a perda dos filhos é capitalizada pelos terroristas do Hamas, que comunicam sua determinação de jamais desistir do “programa de resistência”…

 

Há uma lógica perversa que vai da procura do martírio pelos palestinos ao uso do martírio obtido pelos palestinos para culpar Israel do martírio dos palestinos… Diante da propaganda hardcore palestina, a propaganda soft israelense, ao produzir formas superadas de fotografias idílicas de soldados das IDF confraternizando com inocentes crianças palestinas, soa estridentemente falsa e ingênua, recaindo em clichês empregados hoje apenas em campanhas eleitorais; como na imagem-símbolo da campanha da reeleição de Lula à Presidência em 2006, que analisamos em Mil Olhos.

 

As encenações eisensteinianas de crianças assassinadas, assim como os edulcorados instantâneos nazistas, fascistas, stalinistas, populistas de criancinhas presenteando líderes carismáticos com buquês de flores tornaram-se incapazes de mobilizar as massas. Pelo seu ridículo involuntário, as imagens de propaganda das IDF servem apenas às associações sádicas que as imagens ingênuas permitem fazer – e que antissemitas não se cansam fazer – entre soldado-israelense-com-criancinha e Hitler-com-criancinha (e por que não Stalin-com-criancinha ou Lula-com-criancinha?). É mesmo notável que a ética judaica consiga resistir, apesar do bombardeio moral dos judeus em quase todas as mídias, e em nome de um bem maior que a própria sobrevivência de Israel, à única propaganda que se mostra hoje eficiente.

 

Convém também distinguir – tarefa cada vez mais complexa – as imagens produzidas deliberadamente com fins de propaganda das imagens autenticamente fotojornalísticas, que informam e documentam, sem chocar pela procura intensamente elaborada, ideologicamente orientada, de certos detalhes e ângulos. As imagens gráficas que todos conhecemos do Holocausto, por exemplo, foram realizadas pelos Exércitos Aliados, e exibidas apenas no fim da guerra, quando seu poder de mobilização não era mais eficiente para os judeus, que já estavam mortos ou sendo libertados dos campos. O mundo comoveu-se e ainda se comove com essas imagens, fundamentais para a consolidação de Israel após o Holocausto.

 

Hoje, contudo, as imagens de violência gráfica do Holocausto (que não foram registradas pelos judeus dos campos, desprovidos de qualquer meio de comunicação, mas por soldados fotógrafos e cinegrafistas – alemães e aliados, em circunstâncias diversas); essas imagens cujo uso Claude Lanzmann rejeitou em seu documentário Shoah (“Shoah”, 1985), e que outros diretores, como Alain Resnais, em Nuit et brouillard (“Noite e brumas”, 1955), entenderam necessário rever; e outros, como Steven Spielberg, em Schindler’s List (“A lista de Schindler”, 1993), entenderam necessário encenar; essas imagens que marcaram a consciência do século XX hoje se desgastaram (seja por sua excessiva exposição, seja por sua superação em imagens de horrores registradas com técnicas mais avançadas) não têm mais força para mobilizar o mundo atual senão através de seu uso perverso e distorcido pelos antissemitas. Esse uso é hoje realizado sistematicamente a fim de destruir Israel e negar o Holocausto, através de justaposições insanas com as imagens contemporâneas do “sofrimento palestino” – que deve ser mantido entre aspas, pelo que apresenta de real e de imaginário, de verdadeiro e de forjado simultaneamente. De fato, o mundo não conhece ainda toda a dimensão da chamada Pallywood:

 

 

Neste sentido, é notável o exemplo de dignidade oferecido pela concepção do monumento às crianças vitimadas no Holocausto no Museu Yad Vashem, em Jerusalém: ali não se vê nenhuma imagem das crianças judias mortas, nenhuma exploração de seu sofrimento, de sua morte física, apenas a luz de seis velas acesas na escuridão, refletidas por espelhos que as multiplicam ao infinito, enquanto são recitados os nomes das crianças mortas de uma lista sem fim. Já os terroristas palestinos descobriram a força da propaganda totalitária hardcore, muito mais poderosa que as imagens dos martírios infantis encenados por Eisenstein e das poses floridas de crianças junto a ditadores ou populistas.

 

Gênios goebbelianos do marketing maquiavélico, os palestinos divulgam as imagens que o mundo de hoje quer ver: as de suas crianças sendo treinadas para matar e morrer; e as imagens subseqüentes de seus pequenos cadáveres embrulhados em panos. Os palestinos tornaram-se um sucesso de mídia encarregando os paparazzi internacionais de fotografar essas crianças mártires em tempo real. Primeiro momento: “treinando para o martírio”. Segundo momento: “destroçadas no campo de batalha”. É só isso que as mídias precisam transmitir, é só isso que os militantes da causa precisam martelar, para que o terror palestino se veja mundialmente legitimado. Em Gaza, a propaganda terrorista suplantou a propaganda totalitária das representações sangrentas e festivas, criando a propaganda gore da exibição de crianças reais abusadas por pais e mestres, que as treinam para matar e morrer, entregando, em seguida, seus corpos trucidados à sanha dos paparazzi de criancinhas mortas. Essas imagens hardcore, difundidas em massa, sem resquícios de ética, seja da parte dos palestinos, seja da parte das mídias de consumo, revelaram-se uma forma de propaganda capaz de mobilizar as massas mais heterogêneas. Imagens das crianças mártires são eficazes, populares, ansiadas, excitantes, fomentadas, aplaudidas. O mundo de hoje só se comove e se deleita com imagens reais de violência gráfica e pornográfica.

 

Já Israel é um fracasso na guerra de propaganda, pois não dá ao mundo o que ele deseja nesse campo. Não permitiu, por exemplo, que o mundo se comovesse com as imagens (sonegadas) das 123 crianças israelenses explodidas pelos homens-bombas palestinos entre outubro de 2000 e janeiro de 2005, em sucessivos atentados. Bloqueados por uma ética que o mundo há muito superou, os israelenses frustram as consciências antenadas com a não-exibição das imagens pornográficas de suas crianças trucidadas, e o mundo não perdoa esse tipo de boicote ao seu gozo piedoso, obtido através do contato visual com o sofrimento alheio mais rasgado, mais sangrento. Já a causa palestina ganha um sem número de adeptos porque não se acanha diante do inominável, conquistando corações e mentes com os pequenos cadáveres de Gaza. As mídias de consumo reservam às crianças mártires palestinas um espaço privilegiado em detrimento de milhares de outras, sacrificadas em tantos outros conflitos silenciados – 400 mil mortos e 2,5 milhões de refugiados em Darfur; 4 milhões de mortos ou destituídos de suas casas no Congo; 200 mil mortos e um terço da população desalojada pelo exército russo na Chechênia… Preocupadas apenas em obter a mais ampla audiência, comovendo a qualquer preço a desgastada, frouxa, empedernida sensibilidade contemporânea, as mídias de consumo descobriram que o coro é maior quando elas se aliam ao terror palestino, explorando e satisfazendo o mais antigo e duradouro prazer mórbido das massas, arraigadamente antissemitas.