ANTISSEMITAS DE PLANTÃO

O Presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, abre o seminário 'The World Without Zionism' (O mundo sem sionismo, 2006).

O Presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, abre o seminário 'The World Without Zionism' (O mundo sem sionismo, 2006).

Nos dias que correm, os antissemitas fazem plantão nas redações dos pequenos e grandes jornais, nas agências de notícias, blogs, sites e redes sociais. Nenhuma notícia sobre Israel deve ser publicada sem que sejam utilizados os termos aprovados pelo código de ética desses zelosos antissemitas. Tão seguros eles se encontram hoje no controle das mídias que nem percebem os deslizes que cometem no afã de destruir os judeus através da diabolização de Israel.

Não me dou mais ao trabalho de coletar essas matérias, tão abundantes, variadas e multifacetadas, para um dossiê do futuro, que poderia explicar de modo bastante didático, às gerações vindouras, como foi possível, em pleno século XXI, num mundo tão bem informado, um segundo Holocausto dos judeus.

Seguindo o código de ética dos antissemitas de plantão, as notícias devem fazer os leitores acreditarem que Israel ataca Gaza gratuitamente, numa rotina de ofensivas sem motivação, por pura crueldade. Todo ciclo de ataques e retaliações deve, segundo o código de ética antissemita, ser sempre iniciado pelos israelenses, jamais pelos palestinos. Sempre em resposta, os palestinos revidam, mas só para marcar sua posição de heróica resistência contra os agressores sionistas, em legítima defesa.

Tamanha distorção indica que os antissemitas de plantão se sentem bastante confiantes em suas manipulações dos fatos. Sem se dar mais ao trabalho de tomar cuidado com as palavras na preservação de um mínimo de pensamento lógico, um grande jornal já pode apresentar aos seus leitores, em boa parte doutrinados pelo código de ética antissemita, o revide israelense como um ataque e o ataque palestino como um revide, somando mais um grão de areia na ampulheta antissemita que marca o tempo que resta aos judeus antes da execução do Holocausto II.

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A LENI RIEFENSTHAL DOS OPRIMIDOS

A mais célebre cineasta contemporânea, a brasileira coreana norte-americana Iara Lee, autora de dois documentários independentes: Synthetic Pleasures (1995) e Modulations (1998), e de meia dúzia de curtas mais obscuros, foi à sede da ONU, em Nova York, mostrar as imagens do vídeo que editou sobre o ataque israelense ao barco pirata Mavi Marmara, legitimamente interceptado ao tentar furar o bloqueio israelense que impede o transporte de armas para Gaza.

Não se trata de uma inocente útil usada por terroristas, mas, como Leni Riefenstahl, de uma artista livre engajada numa causa: em 2003, Iara Lee foi deportada da fronteira com a Jordânia, onde agitava. Em 2004, foi detida em Tel Aviv, onde agitava, e deportada. Em 2006, morando e agitando no Líbano, foi outra vez presa e deportada de Israel. Ao agitar agora na Mavi Marmara, Iara foi deportada de Israel pela quarta vez…  “Trabalho com os palestinos de forma incipiente”, ela declarou ao Terra: imaginem se trabalhasse de forma não-incipiente (seja lá o que ela queira dizer com isso).

A ativista Audrey Bromso também declarou à CNN turca que os barcos levavam mais que ajuda humanitária – permitida por Israel. A “Flotilha da Liberdade” levaria, segundo seu depoimento, casas pré-fabricadas e cimento, que ela chamou de ajuda de reconstrução. Ora, é largamente sabido que Israel proíbe a entrada de cimento na Faixa de Gaza para evitar a construção de túneis de contrabando de armas. Com essa proibição conseguiu evitar até agora ataques à população israelense, numa trégua com os palestinos, que os pacifistas desejam romper com o fim do bloqueio.

Engajada nessa causa pacifista, impaciente pela eclosão de uma nova guerra entre israelenses e palestinos, Iara Lee mostrou à ONU sua edição de 60 minutos dos 90 minutos de imagens gravadas dentro do barco por um cinegrafista sérvio, que, apesar de ter feito todo o trabalho, permanece sem crédito – mas Leni Riefenstahl fazia o mesmo, assumindo como seu o trabalho de dezenas de cinegrafistas contratados por sua produtora.

As cenas mostram ativistas com coletes e máscaras contra gás rezando a Alá e preparando-se para um confronto com soldados judeus. Um esquadrão de comunicadores fanáticos, equipados com computadores e câmaras de última geração – não custa lembrar que Iara Lee avaliou seu equipamento perdido em 15o mil dólares – transmitem mundo afora a mais infernal propaganda palestina. Quando os barcos israelenses chegam, ouvem-se tiros.

Rastros de sangue escorrem pela parede do andar de cima para o de baixo, onde o cinegrafista faz, de modo seguro, seus ousados registros. Um helicóptero sobrevoa a embarcação. Os corajosos tripulantes, na mais patética imagem de toda a história das culturas de resistência, lançam, contra o helicóptero israelense, uns pedregulhos com seus estilingues. O helicóptero se afasta dessa Intifada. Vitória? Não, feridos são trazidos para baixo. Soldados correm e gritam, enquanto o alarme do barco dispara. Os ativistas acabaram presos, mas isso o vídeo já não pode registrar.

Por alguma razão, a edição de Iara Lee suprime desse chamado material bruto (mas bem selecionado) os linchamentos dos primeiros soldados judeus que desceram ao barco. Os eventos registrados na sua edição capciosa decorreram após aquelas agressões. O vídeo mostra apenas a chegada do reforço  àqueles primeiros soldados judeus. Tampouco mostra o confronto entre os pacifistas armados e os soldados, que resultou em 9 mortes e dezenas de feridos. Ela mesma admitiu: “Eu só tenho uma geral, não tenho os close-ups dos caras assassinando a gente.”. Essa declaração ela fez, evidentemente, pouco depois de ter sido assassinada.

Impossível saber se no material suprimido da edição de Iara Lee havia registros das ações dos linchadores que espancaram e esfaquearam aqueles primeiros soldados. Neste caso, ela não precisou fazer como a Reuters, que suprimiu das fotos turcas, com um programa de Photoshop, as manchas de sangue do soldado judeu esfaqueado, assim como a faca de caça segurada por um dos pacifistas humanitários da Mavi Marmara: bastou a Iara suprimir de sua edição meia hora de imagens gravadas.

Como os soldados israelenses foram recebidos a tiros (dos revólveres roubados aos primeiros soldados que eles conseguiram derrubar com socos, pontapés, pauladas e golpes de barras de ferro), paira a dúvida sobre a origem dos disparos. As imagens tampouco esclarecem a quem pertence o sangue que escorre da parede: se dos ativistas que atiravam nos soldados ou dos soldados israelenses feridos – um deles com seis tiros no peito.

Assim, os votos de Iara Lee de que seu material sirva para a ONU conduzir uma investigação internacional e para seus advogados da ONG Cultures of Resistence processarem os responsáveis pelo ataque parecem vãos. Mais sucesso ela terá com seu novo projeto pacifista: organizar a partir do Brasil um novo barco, só com brasileiros, para integrar nova frota humanitária internacional, agora com 50 naves suicidas rumo a Gaza. Não bastou um Mavi Marmara: agora serão 50 barcos do inferno!

Em sua Aula, Roland Barthes escreveu:

A ‘inocência’ moderna fala do poder como se ele fosse um: de um lado, aqueles que o têm, de outro, os que não o têm; acreditamos que o poder fosse um objeto exemplarmente político; acreditamos agora que é também um objeto ideológico, que ele se insinua nos lugares onde não o ouvíamos de início, nas instituições, nos ensinos, mas em suma que ele é sempre uno. No entanto, e se o poder fosse plural, como os demônios? ‘Meu nome é Legião’, poderia ele dizer: por toda parte, de todos os lados, chefes, aparelhos, maciços ou minúsculos, grupos de opressão ou de pressão: por toda parte, vozes “autorizadas”, que se autorizam a fazer ouvir o discurso de todo poder: o discurso da arrogância.

Sempre agitando em nome da paz e da justiça, sempre usando um país diferente como base, sempre boiando na superfície, Iara Lee é mesmo um azougue:

Eu nasci no Brasil, morei nos Estados Unidos, na Tunísia, no Líbano, na Coreia, em Paris. A cada ano eu tento usar um país diferente como base, para poder entender um pouco o mundo de uma maneira mais direta. Através da Fundação Caipirinha [sua produtora nos EUA], eu uso a criatividade para promover a paz e a justiça.

Encantada com a liderança do  Hamas, Iara Lee assumiu, na luta dos oprimidos de Gaza, seu destino de cineasta oficial da Esquerda Nazista: de estranha passageira*, foi promovida a organizadora do barco brasileiro da Legião. Depois da guerra que os pacifistas preparam com seu ativismo, Iara Lee dirá, à maneira de Leni Riefenstahl, aos que a acusarem pelos seus compromissos com terroristas, que sempre foi apolítica, que não sabia de nada, que não entendia uma palavra de árabe, que era uma artista inocente.

* Now, Voyager (A estranha passageira, EUA, 1942). Direção: Irving Rapper. Com Bette Davis. Uma mulher (Davis) sai do hospício para refazer-se empreendendo uma viagem de navio. Romântica, apaixona-se por outro passageiro – um homem casado. Durante a viagem ela – tida por feiosa – torna-se bela e desejada, vivendo a aventura de sua vida.

UM POVO ACIMA DO BEM E DO MAL

A Palestinian Girl's Heroism

Heroísmo de uma garota palestina: queimando, feliz, as próprias mãos.

 

A sociedade palestina organizada pelo Hamas na Faixa de Gaza supera todos os limites da imaginação ocidental em seu retorno à barbárie. O grupo terrorista que assumiu democraticamente o poder em Gaza, depois de sacrificar mais de mil civis palestinos em sua guerra estúpida contra Israel, demonstra agora para o mundo civilizado, paralisado e quase embevecido diante de tantos horrores legais, que a primitiva lei islâmica – a shari’a – está sendo cumprida à risca; a despeito de séculos de tentativas sempre renovadas – e freqüentemente fracassadas – de civilização.

Inspirados na vida de Maomé (que recebeu Aixa, de sete anos, das mãos do pai Abu-Becre, amigo do profeta, para ser sua nova esposa adolescente, como conta Virgil Gheorghiu, em A vida de Maomé), os chefetes do Hamas organizaram, no dia 29 de julho de 2009, naquela faixa de território, um mega-evento de união massiva de militantes adultos com meninas pré-adolescentes. Uma monstruosa “festa do casamento pedófilo”, com 450 enlaces simultâneos.

Autoridades do Hamas, entre as quais Mahmud Zahar, um dos chefetes mais respeitados, estiveram presentes para cumprimentar os felizes barbados e suas noivas-meninas, já perfeitamente convencidas, por toda a sociedade doentia em que nasceram, e em primeiro lugar por suas mães desnaturadas, que deveriam se sentir felizes abusadas em casamento forçado com homens muito mais velhos. Uma prova de humildade, obediência e sacrifício, os mais altos valores ditados por uma religião de paz, amor e bondade.

“Estamos dizendo ao mundo e à América que não podem nos negar alegria e felicidade”, declarou Zahar aos noivos, todos de terno preto, e recentemente liberados do campo de refugiados de Jabalia e, portanto, cheios de amor pra dar. Cada noivo recebeu um dote de US$500 do Hamas, que anunciou que seus trabalhadores também contribuíram com 5% de seus salários para os presentes de casamento. Não deixem de ver o clipe postado no site Road 90 , com as preciosas informações aqui reproduzidas (as declarações no clipe não têm legendas). É simplesmente espantoso: o autor da postagem chama a atenção para uma cena na altura dos 4 minutos, com o desfile dos marmanjos com suas noivinhas, de maquiagem carregada, como se fossem mulheres maduras, prontas para satisfazerem seus homens famintos de sexo no leito nupcial.

É esta Salò islâmica que o mundo incentiva, acarinha, defende e abençoa contra o “Pequeno Satã” Israel quando este Estado democrático, agredido, se defende de ataques terroristas; é esta sociedade doentia que abusa sistematicamente de suas crianças que o mundo irriga com milhões de dólares em ajuda humanitária, sob a liderança da Administração Obama, que acaba de destinar US$200 milhões para a Autoridade Palestina, sem deixar de dar continuidade a outros programas assistencialistas que somaram mais de U$600 milhões em 2008; além de US$184,7 milhões doados à UNRWA, uma “mãe” para os refugiados palestinos.

Um desses auspiciosos programas foi anunciado pelo novo “Consulado Geral Americano Jerusalém” (que aponta para uma Jerusalém palestina e, logo, Judenfrei) e pelo Dr. Adel Yahya, diretor da Associação Palestina de Intercâmbio Cultural (Palestinian Association for Cultural Exchange – PACE): o Fundo Cultural de Preservação do Departamento de Estado Norte-Americano “ajudará três históricas aldeias da Faixa Ocidental – Beitin, Aboud e Al-Jib – a preservar sua herança cultural e promover destinação turística”. Quantas vezes você não sonhou em excursionar com toda sua família por Beitin, Aboud e Al-Jib? Agora, graças ao Departamento de Estado Norte-Americano, sob a Presidência de Barak Obama, seu sonho poderá tornar-se realidade.

Enfim, é para um governo que já demonstrou cabalmente o desprezo pela vida humana e que desvia a ajuda humanitária que recebe do Ocidente para patrocinar o terror contra o Ocidente, a pedagogia do ódio aos judeus e agora também as “alegrias” da pedofilia, que a Administração Lula, como não podia deixar de ser, também se comprometeu a contribuir com US$10 milhões em ajuda humanitária. Sem falar na partida de futebol oferecida pelo Brasil em favor da “paz”, programada apenas em território palestino, e só depois do protesto israelense concedida também em Israel, com alguns ídolos da seleção brasileira, como Ronaldinho, novo astro do cinema iraniano, já contratado para aparecer num filme de propaganda antissionista, onde uma pobre menina palestina desgraçada pelo Exército de Israel sonha em ver o Fenômeno…

Não se pode condenar a ansiedade de Celso Amorim e Marco Aurélio Garcia em colocar seus ilustres traseiros nos cobiçados assentos do Conselho de Segurança da ONU. Nem se pode condenar a ajuda humanitária do mundo ocidental à Autoridade Palestina, sempre que ela decide imolar sua população e destruir suas casas entrando em guerra com Israel na esperança periodicamente renascida de aniquilar um Estado moderno com pedras e foguetes.

Contudo, em nome da civilização, ou melhor, do sonho que todo homem minimamente civilizado acalenta de civilização, o Ocidente deveria condicionar suas ajudas humanitárias a um mínimo de humanitarismo. Ou seja, a uma efetiva campanha, a ser levada a cabo nos territórios de barbárie, contra o terrorismo como forma de governo, contra a pedagogia do ódio nas escolas e contra o abuso de crianças legalizado em massa. O mundo, porém, ajuda incondicionalmente os palestinos, fechando os olhos para todos os males praticados por esse povo abençoado pelas mídias e, assim, perigosamente colocado e mantido acima do bem e do mal.