NÃO, OBRIGADO!

Senador petista João Pedro, do Amazonas. Foto de J. Freitas.

Senador petista João Pedro, do Amazonas. Foto de J. Freitas.

A crer nos defensores de sua nobre “causa”, o povo palestino possui um dom mágico: o de aumentar incessantemente sua população, cada vez mais espalhada e revoltada em todo o mundo, enquanto trágicos e sucessivos holocaustos palestinos são denunciados pelas mídias. Neste sentido, o discurso mais notável até hoje produzido no Brasil em defesa da “causa palestina” foi aquele proferido a 07/08/2009  pelo senador João Pedro (Bloco/PT – AM) sobre o “holocausto do povo palestino” que ele “acabara de presenciar” com seus próprios olhos. É um texto exemplar: uma meia-verdade a cada duas linhas; uma mentira a cada três; uma  ignorância a cada cinco; uma má-fé a cada dez; uma calúnia a cada vinte…  de modo que esse conjunto magnífico fede aos céus.

Atente-se apenas para esta singela frase: É inconcebível, é inaceitável que, no século XXI, uma população histórica, que faz parte da história do mundo, o povo palestino, 6 milhões de palestinos, em pleno século XXI, não tenha um Estado. Inconcebível por quê? Os árabes palestinos não têm um Estado porque sempre o recusaram. Querem tudo ou nada; furtam-se a compromissos, acordos, negociações. Simplesmente não querem viver em paz ao lado de um Estado judeu. Orgulho árabe? Racismo feroz? Chamem como quiserem. O fato é que recusaram o Estado palestino proposto em 1937 pela Comissão Peel; o Estado palestino proposto em 1947 pela ONU na Partilha do território entre árabes e judeus palestinos; o Estado palestino que emergia dos acordos de paz em Camp David em 2000…

Os palestinos querem, sim, o seu Estado, mas é na Palestina toda, uma Palestina finalmente liberta de Israel, uma Palestina desocupada, uma Palestina Judenfrei. Basta comparar o que acontece aos judeus que moram nos territórios palestinos e o que acontece aos árabes palestinos que moram em Israel: os poucos milhares de judeus loucos que vão morar nos territórios palestinos são apedrejados e mortos frequentemente, enquanto o milhão de árabes palestinos que moram em Israel vive em paz, gozando de todos os seus direitos como cidadãos israelenses. Aqueles loucos são chamados de “colonos” e suas casas, escolas e sinagogas de “assentamentos judaicos”: eles são perseguidos, mortos e acusados de ameaçarem a paz mundial. Já em Israel nenhum judeu acusa o milhão de árabes que ali vivem de serem “colonos” e suas casas, escolas e mesquistas de “assentamentos muçulmanos”: eles não são perseguidos, nem mortos, e tampouco acusados de ameaçarem a paz mundial.

Os que hoje integram o “povo palestino” preferiram em 1947 abandonar suas casas e sonhar com uma Palestina toda sua, refugiando-se em cabanas, como inocentes violentados pelo mundo, esperando que os Estados árabes vizinhos que declararam guerra a Israel prometendo empurrar os judeus ao mar entregassem para eles, por fim, um território Judenfrei. Desde então, os líderes palestinos e seus aliados só apostaram no conflito e no ódio requentado sem cessar: desencadearam as guerras de 1948, de 1956, de 1967, de 1973, de 1978, de 2006, de 2008; a Intifada I e a Intifada II. Os refugiados se reproduziram e se transformaram numa calamidade cada vez maior para o mundo inteiro, que se desdobra em ajudas humanítárias, enquanto os judeus expulsos dos países árabes foram absorvidos por Israel ou integraram-se em outras sociedades, pacificamente e sem causar alarde ou receber qualquer ajuda. Tanto que ninguém pensa nesses refugiados, que deveriam, no entanto, ser indenizados pelos países árabes da mesma maneira que os refugiados palestinos reivindicam ser indenizados por Israel.

Uma nova geração de refugiados palestinos, com lideranças formadas na Europa e nos Estados Unidos, tornou a “causa palestina” mais sofisticada e fascinante nos meios intelectuais, cada vez mais desprovidos de cultura, conquistando também as mídias de consumo, lançando modas como a dos lenços palestinos no pescoço de toda juvenilia, mas sempre com a mesma recusa embotada, terrorista, de estabelecer uma convivência pacífica com seus vizinhos, que consideram seus “ocupantes”, “opressores”, “colonizadores”, “pontas de lança do imperialismo” e “novos nazistas”; sonhando com o desaparecimento de seu Estado, a “entidade sionista”, o “câncer do Oriente Médio”. Ainda hoje, mal recuperados da guerra que provocaram em Gaza lançando irresponsavelmente milhares de foguetes contra a população civil israelense, seus líderes mais radicais já falam em organizar a Intifada III…

Por seu lado, os judeus se conformaram em 1947 à realidade, enterraram seus sonhos bucólicos na lama e no sangue, e criaram do nada esse Estado de Primeiro Mundo que é hoje Israel. Sempre que foi atacado, O Estado Judeu defendeu-se com força total, pois os sobreviventes do Holocausto aprenderam a levar a sério a menor ameaça de extermínio, mesmo aquelas feitas por mera provocação. Erram frequentemente em suas avaliações. Contudo, se deixam a guarda aberta,  uma dessas falsas ameaças de extermínio, pelo simples fato de ter sido feita, pode se concretizar. É o caso da coincidente conjunção das ameaças do Irã de varrer Israel do mapa com um programa nucler desenvolvido como um desafio ao resto do mundo… 

Os árabes palestinos só adquiriram a identidade de “povo palestino”, escamoteando astutamente seu arabismo, em seu intolerante combate ao Estado Judeu. Tornaram-se “o povo palestino”, essa “população histórica” segundo João Pedro, a partir da fundação da Organização para a Libertação da Palestina (OLP) em 1964. Segundo os historiadores, inexistem registros de um “povo palestino”, como o entendemos hoje, antes dos documentos produzidos pela organização terrorista liderada por Yasser Arafat. Algum chefe de Estado tratou com outros líderes palestinos antes dele? A não ser que se considere o Mufti de Jerusalém, o aliado muçulmano de Hitler, como um líder do povo palestino…

Foi para reivindicar um Estado próprio e dar maior peso à sua “causa” que os palestinos dissociaram-se da história e da cultura árabes, e começaram a criar uma história e uma cultura próprias. Há judeus sionistas, judeus não sionistas e judeus anti-sionistas (os fanáticos irresponsáveis do Neturei Karta, os neo-stalinistas endurecidos à Noam Chomsky; os doentes apoiadores do Hezbollah como Norman Finkelstein, e até um judeu que ingressou na Al Qaeda; sem falar nos surtados ao estilo de Gerald Thomas…).

Mas Israel é o único Estado judeu que existe, destinado a abrigar e defender todos os judeus perseguidos do mundo. Nenhum novo Estado judeu é reivindicado pelos judeus que desprezam e odeiam Israel, que sonham em vê-lo arruinado pelos boicotes mundiais ou devastado numa próxima guerra. Já o Estado palestino será apenas mais um Estado árabe entre tantos outros Estados árabes que oprimem seus cidadãos sob sucessivos regimes autoritários, destinado a um povo árabe que os outros povos árabes recusam acolher e assimilar, para manter sempre viva a chama do ódio ao sionismo, que mascara e  justifica suas mazelas sociais internas.

Todos conhecem centenas de grandes escritores, filósofos, artistas judeus. Os intelectuais palestinos de destaque contam-se nos dedos de uma mão, e sua obra é de duvidosa qualidade. Todos os povos que se emancipam interiormente inspiram seus poetas a oferecer como provas de maturidade espiritual obras-primas literárias que se tornam chaves para suas culturas; livros venerados como jóias, verdadeiros patrimônios da humanidade.

Mas onde estão o Gilgamesh, o Código de Hamurabi; A Bíblia; a Ilíada, a Odisséia, os Diálogos de Platão e a Tragédia grega palestina? Onde estão a Eneida, o Satyricon e as Vidas paralelas; o Maha-Bharata e o Kama-Sutra; o Livro dos reis; a História secreta dos mongóis; a Vida de Milarepa; Os anais verídicos dos Mandchus; o Che king; o Kodiki e o Nihonchoki palestinos?

Onde estão o Beowulf; o Popol-Vuh; o Decameron e a Divina comédia palestina? Onde estão o Alcorão e as Mil e uma noites palestinas? Onde estão a Canção dos Nibelungos; o romance de Tristão e Isolda, o Discurso do método, os romances de Voltaire e Flaubert, a obra de Gide e Sartre e as memórias da Simone de Beauvoir palestina? Onde estão o Paraíso perdido, os Cantos de Canterbury, o teatro de Shakeapeare e o Frankenstein paletino?

Onde estão a Guerra e paz, o Eugene Onegin, o Taras Bulba, Os irmãos Karamasov e os versos do Maiakovski e da Tsvetaiéva palestinos? Onde estão o D. Quixote; as Folhas da relva, o Kadish e o Uivo; os contos de Borges; Os Lusíadas e os poemas de Pessoa; o Guarani, o I-Juca Pirama, O navio negreiro, O emparedado, Os sertões, os Grandes sertões: veredas e o Macunaíma palestino?

Só um louco ousaria colocar o intelectual atirador de pedras Edward Said e suas equivocadas idéias disseminadas em Orientalismo; o terrorista e escritor Ghassan Kanafani (1936-1972), ainda pouco conhecido no Ocidente; o poeta nacional dos palestinos, co-fundador da OLP e autor da Declaração de Independência Palestina (1988), Mahmoud Darwish (1942-2008); ou o poeta que exalta as “operações de martírio” em Eu vi Ramallah, Mourid Barghouti, e outros intelectuais palestinos sem maior expressão, entre os grandes espíritos da humanidade…

O povo palestino terá seu Estado quando provar estar coletivamente disposto a conviver em paz com seus vizinhos judeus, quando elegerem como seus líderes homens de valor, democratas e combativos, mas não terroristas e demagogos: daqui a dez, cem ou mil anos, quando seu espírito amadurecer e aceitar a existência irrevogável do Estado de Israel e a opção dos judeus loucos que desejam viver em seus territórios, sem culpá-los de suas mazelas nem explodi-los para “ver no que dá”.

Os judeus esperaram dois mil anos pelo seu Estado, depois de terem contribuído por séculos com o que de melhor existe na cultura mundial, e serem sempre e em toda parte perseguidos. Por que os palestinos, que adoram colocar-se na posição dos “novos judeus”, perseguidos pelos “novos nazistas”, não podem esperar também seus dois mil anos, contribuindo para a cultura da humanidade como os judeus contribuíram, antes de terem finalmente seu Estado  palestino e, como os “novos nazistas”, começarem a oprimir outros “novos judeus”?

Que os brasileiros não caiam na esparrela de, em nome dos sonhados assentos da liderança petista no Conselho de Segurança da ONU , apoiar a criação de afogadilho de um Estado palestino no fundo indesejado pelo próprio povo palestino, ainda imaturo, instável e explosivo, incapaz de demonstrar autêntico desejo de construir um presente e um futuro de intercâmbios comerciais, culturais e artísticos – não de pedras, bombas e foguetes –  com seus vizinhos judeus.

Deveriam os brasileiros, se ainda prezam o lema de ordem e progresso inscrito em sua bandeira, que garantiu até hoje a convivência pacífica entre os diferentes povos que aqui se enraízam, incitados pelo senador João Pedro, em nome de uma bandeira vermelha respingada de lama, ornada com uma decadente estrela – tal como seu terno mal cortado ostenta o rubro acessório totalitário do momento, e incitado por um grupo de refugiados de Ramallah estabelecidos em Manaus e agrupados na Associação Árabe do Amazonas, apoiar um movimento internacional pela criação do Estado palestino, começando mal, sem diplomacia,  achincalhando Israel em pretendidas audiências públicas?

Um Estado palestino cuja primeira medida seria bombardear o país vizinho e provocar guerras ainda piores que as que o povo palestino já legou ao mundo em sua breve existência, sem nenhuma contrapartida cultural? Um Estado palestino precipitado no Oriente Médio apenas para satisfazer os terroristas, os ignorantes, os frustrados existenciais e os traseiros nacionais assentados no Conselho de Segurança da ONU – todos os que se dedicam a destruir o “capitalismo”, ou seja, a vida – que todos aqueles que destroem a vida confundem com o capitalismo?

Não, obrigado!

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OS NOVOS “PROGRESSISTAS”

O escritor palestino Edward Said, em gesto simbólico e "progressista", atira pedras nos "inimigos" israelenses.
Em gesto “progressista”, o escritor neopalestino Edward Said atira pedras nos “inimigos” israelenses.

 No mundo globalizado, a propaganda antissemita traveste-se de “consciência progressista” dentro do amplo movimento antiglobalização que prega um “outro mundo possível”, de contornos fascistas. Assim como o antissemitismo na Alemanha dos anos de 1930 unificou as diversas tendências políticas em torno de Hitler, o ódio a Israel torna o Estado Judeu o bode expiatório global, única ratio a sedimentar as exóticas alianças praticadas por militantes esquerdistas, escrevinhadores revisionistas, ativistas neonazistas, terroristas islâmicos e intelectuais “progressistas”, como os neo-stalinistas José Saramago e Slavoj Zizek; os neopalestinos Edward Said e Emir Sader; e os colaboracionistas judeus que, movidos pelo auto-ódio, usam suas origens como caução de sofisticadas distorções da realidade junto ao Eixo genocida – Norman Finkelstein, Noam Chomsky, Illan Pape. Todos permanecem em estado de tensão, monitorando cada passo do Estado Judeu para destruí-lo moralmente, enquanto esperam ansiosos o advento do Grande Líder Global, que há de obrigar Israel a “retornar às fronteiras de 1967”, a “reconhecer seus crimes de guerra”, a “aceitar um Estado Binacional no lugar da Entidade Sionista”, a “acolher os 4 milhões de refugiados palestinos”, a “desaparecer do mapa”.

Fatos históricos são deliberadamente distorcidos pelos novos “progressistas” que desejam castigar apenas Israel, livrando a cara de terroristas, genocidas e ditadores que se regozijam impunes no “outro mundo possível”. Um militante “progressista” afirma: “Chamar de antissemitismo toda e qualquer manifestação contra Israel é o eixo principal de toda a argumentação sionista”. O desejo de manifestação “contra Israel” precede qualquer conhecimento histórico. É antissemita na medida em que o Estado Judeu tornou-se um símbolo dos judeus nas consciências teleguiadas que desejam odiar, antes de qualquer razão.

Os palestinos podem ter suas razões para manifestar-se “contra Israel”. Quanto ao resto do mundo, a razão está no antissemitismo, que produz solidariedades automáticas “contra Israel”. Se a “ajuda americana a Israel” é a mesma que os EUA dão ao Egito, aquela ajuda americana cresce de repente com uma “infinidade de outras formas de ajuda”, “empréstimos privilegiados”, com omissão deliberada sobre os acordos com a Arábia Saudita, por exemplo. Fala-se de acordos americanos com Israel da ordem de US$30 bilhões nos próximos anos, mas omite-se que o mesmo acordo contempla o Egito, a Arábia Saudita, o Kuwait, o Catar e outros países árabes e muçulmanos “moderados” com US$30 bilhões ou mais. Ou seja, o apoio americano nunca foi exclusivo a Israel, mas sempre estendido a países árabes e muçulmanos, a fim de manter o frágil equilíbrio de paz na região, talvez mesmo lucrando com a fragilidade desse equilíbrio.

Os efeitos da guerra ao terror em Gaza são comentados como se o mundo não tivesse conhecido nenhuma outra guerra em toda a história em tal “escala”, senão nos massacres nazistas da Segunda Guerra, em imorais comparações entre as IDF e as S.S. E se o mito do “poderoso exército de Israel” ou da “poderosa máquina de guerra de Israel” é derrubado, logo surgem “a VI Frota americana bem ao lado” e “bases militares americanas no Mediterrâneo” que magicamente se incorporam àquele exército, omitindo-se os exércitos inimigos, ou considerando-os impotentes. Não que o exército de Israel seja fraco. Mas definitivamente não é “dos mais poderosos do mundo”, como os antissemitas apregoam. Todo exagero é distorção da realidade. Quanto às “indenizações astronômicas forçadas e conseguidas com pressão forte do lobby dentro dos EUA” alegadas pelos “progressistas”, além de evocar o grotesco fantasma antissemita dos “judeus donos do mundo” dos Protocolos dos Sábios de Sião, confunde a Alemanha e a Suíça com os EUA e compensações com extorsões.

Os antissemitas revoltam-se com a política de Wiedergutmachung adotada por sucessivos governos da Alemanha e com a admissão da Suíça do roubo astronômico que seus bancos praticaram. Curiosamente, não há protesto contra as igualmente justas compensações que os Sinti e Roma, também vitimados pelo nazismo, estariam a “extorquir” da Alemanha pelos seus 300 mil mortos na visão dos novos “progressistas”.

Os novos “progressistas” que interpretam, distorcendo palavras e realidades, alguns discursos de Ben Gurion e Golda Meir sobre a “necessidade de reverter a composição demográfica da região” como exemplos de “limpeza étnica” não explicam porque um milhão de árabes continua vivendo em Israel enquanto 900 mil judeus foram expulsos dos países árabes; porque colonos palestinos podem viver assentados sem medo em Israel enquanto nenhum colono judeu pode viver assentado em territórios palestinos sem uma forte rede de proteção do Exército israelense… É notável como palestinos e aliados “progressistas” exigem que os colonos judeus sejam varridos dos territórios enquanto acusam os judeus de promoverem uma “limpeza étnica”! A explosão demográfica palestina dentro e fora de Israel, saudada pelos “progressistas” como o fim inevitável do Estado Judeu, atesta largamente essa “limpeza étnica”…

Reclamam ainda que a ‘partilha’ de 1947 destinaria a um terço (os judeus palestinos) da população local (de palestinos árabes e judeus) mais da metade da área a ser dividida (com os árabes palestinos). Mas omitem que a maior parte da área destinada aos judeus palestinos era um deserto inabitável, boa parte um grande pântano, sem falar da Transjordânia, hoje Cisjordânia, que coube aos árabes palestinos. O Estado Judeu foi (e continua sendo) rejeitado pelos árabes ultranacionalistas que preferiam e ainda preferem um Oriente Médio Judenrein. A diferença de ontem para hoje é que se os ultranacionalistas constituíam uma minoria na ONU em 1947 agora eles a dominam, com uma maioria de países árabes, muçulmanos e seus aliados “progressistas” dependentes do petróleo votando “contra Israel” a torto e direito.

Os novos “progressistas” reclamam, então, que Israel não cumpre as decisões da ONU que visam minar moralmente Israel, como se o Estado Judeu devesse colaborar com sua destruição (a exemplo dos judeus anti-sionistas que se aliam aos genocidas). E aqui lembro as palavras tão atuais de Golda Meir a dirigentes árabes: “Entendo que nos queiram varrer do mapa, mas não pretendam que cooperemos com os senhores para lograr esse objetivo”.

Quanto às condições de vida dos palestinos, claro que elas não são das melhores, mas também não são das piores do planeta. Mas poderiam ser bem melhores se ao invés de investirem toda sua energia no sonho de destruir Israel, empregassem-na para construir uma sociedade voltada para a vida e o futuro, não para a morte e o passado. Com os bilhões de ajuda internacional que recebem da Europa, dos EUA e até de Israel, já teriam construído seu Estado possível (com os “inimigos judeus” ao lado, como Israel é o Estado judeu possível, com os “inimigos árabes” por todos os lados).

Contudo, o desejo de limpar etnicamente a Palestina dos “inimigos judeus” continuará impedindo a criação de seu Estado ideal, a Palestina Judenrein. E enquanto a intolerância racista do sonho da Palestina Judenrein persistir não haverá paz na região. Já um milhão de árabes de Israel goza todos os direitos de sua cidadania israelense (com a única óbvia restrição do serviço militar obrigatório), incluindo participação na Knesset, partidos políticos disputando eleições (com a única óbvia restrição dos partidos que pregam a destruição de Israel).

A democracia israelense pode orgulhar-se de sua Justiça independente, de sua liberdade de imprensa, de seu respeito às minorias, incluindo refúgio a homossexuais palestinos ameaçados de linchamento nos territórios. Não será uma democracia plena enquanto as guerras a assaltarem, exigindo restrições. Mas a minoria ortodoxa é respeitada, sem que tenha poder de decisão sobre o Estado laico, que garante igualdade de direitos para as mulheres; permite uma cultura gay florescer em Tel Aviv; dá aos seus árabes liberdade para trabalhar e viver como árabes, desenvolvendo seus negócios, freqüentando suas mesquitas, fundando seus partidos, suas organizações, etc.

Não se pode dizer o mesmo dos países islâmicos regidos pela Shari’a, que oprimem as mulheres até o apedrejamento, enforcam homossexuais, obrigam minorias a pagar tributos ou morrer, praticam a tortura, a escravidão, etc. Não existem “critérios racialistas” em Israel com afirmam os novos “progressistas”. Os judeus constituem e se consideram um povo engajado numa cultura, a princípio definida por uma religião que inclui elementos étnicos não determinantes nem excludentes, admitidas a conversão e o casamento misto, havendo entre seus seguidores negros e brancos, árabes e europeus, russos e latinos, sendo igualmente judeus os natos e os conversos e os descendentes por linha materna; os judeus libertários chegam a dizer que basta se sentir judeu para ser judeu.

Em Israel convivem adeptos de todos os credos religiosos e políticos, incluindo judeus religiosos e ateus; sionistas de esquerda e de direita; antissionistas de extrema-esquerda, devotados à causa palestina, e antissionistas de extrema-direita, aliados à República Islâmica do Irã; sem falar em neonazistas chegados de contrabando na imigração russa… Atacando o milagre dessa democracia israelense em meio a tantas guerras, associando o Estado Judeu ao nazismo e defendendo uma Palestina Judenrein, os novos “progressistas” preferem calar-se sobre os regimes de opressão em que estão mergulhados os inimigos de Israel, e cuja causa tenebrosa escolheram defender. Um dia suas máscaras cairão, mas talvez então seja tarde demais…