PROCURA-SE O MINISTRO DA DEFESA DO IRÃ

Procurado...

Procurado...

Desde novembro de 2007, o general Ahmad Vahid, recentemente nomeado Ministro da Defesa do Irã, é alvo de uma Circular Vermelha (Red Notice) emitida pela INTERPOL a pedido das autoridades argentinas. Ele é Procurado (Wanted) por seu envolvimento, como comandante da Força Quds, “unidade especial” da Guarda Revolucionária do Irã, no atentado terrorista de 18 de julho de 1994 contra a Associação Mutual Israelita Argentina (AMIA), em Buenos Aires, que matou 85 pessoas e feriu 150. Vahid foi indicado para o cargo pelo Presidente Mahmoud Ahmadinejad e a indicação foi aprovada a 3 de setembro de 2009 pelo Majlis, o Parlamento do Irã.

A Circular Vermelha emitida pela INTERPOL não é uma ordem de prisão, mas um dos meios que a organização possui de informar seus 187 países-membros sobre uma ordem de prisão emitida por autoridade judiciária nacional, nesse caso pela Argentina. Este país-membro indiciou nove indivíduos por envolvimento no atentado à AMIA; a INTERPOL endossou a Circular Vermelha para seis deles, incluindo Ahmad Vahidi, em decisão tomada na sua Assembléia Geral em Marrakesh. A INTERPOL ajuda as forças policiais nacionais a identificar e localizar os Procurados, respeitando a soberania e a independência de cada país-membro. Ela não pode ordenar a prisão dos Procurados, decisão que deve ser tomada por cada país-membro. Mas muitos países-membros consideram a Circular Vermelha uma ordem válida de prisão preventiva, especialmente se há compromisso com o país que emitiu a ordem através de tratado de extradição bilateral. No caso do Ministro Vahid, a INTERPOL encoraja seus escritórios nacionais a cooperar em base bilateral e oferece toda ajuda necessária[1].  

O caso requer algumas considerações sobre os problemas delicados que acarreta a presença cada vez mais ostensiva do Irã na América Latina. Imaginemos o Ministro Vahid integrando a comitiva do Presidente Mahmoud Ahmadinejad em sua anunciada visita ao Brasil (e ao Equador): cumprirão os nossos governantes o Tratado de Extradição entre o Brasil e a Argentina, prendendo e extraditando o ilustre visitante, recebido em tapete vermelho? No Brasil de Lula, que se aproxima de modo dissimulado das ditaduras que Chávez corteja abertamente, é interessante imaginar as figuras caligarescas de Celso Amorim, Marco Aurélio Garcia e Tarso Genro justificando o rompimento do Tratado firmado em 1961. Eles agiriam sob a pressão de um Hugo Chávez pronto para invadir o Brasil com seu exército revolucionário caso a Polícia Federal, a contrapelo do governo, decidisse cumprir a Circular Vermelha e o artigo primeiro do Tratado: “As Altas Partes Contratantes obrigam-se à entrega recíproca, nas condições estabelecidas pelo presente Tratado e de conformidade com as formalidades legais vigentes no Estado requerido, dos indivíduos que, processados ou condenados pelas autoridades judiciárias de uma delas, se encontrem no território da outra”.

O Ministério das Relações Exteriores da Argentina já divulgou uma nota oficial considerando a designação do general Ahmad Vahid para o Ministério da Defesa do Irã como “uma afronta” à Justiça de seu país, assim como às vítimas do ataque monstruoso. O vice-chanceler de Israel, Dani Ayalon advertiu, com muita propriedade, que a nomeação do Ministro Vahid “é mais uma peça do mosaico” que reflete a influência do Irã sobre a América do Sul, tendo sua base logística na Venezuela, podendo trazer sérios riscos à região.

Indiferente à afronta iraniana ao país-irmão, Hugo Chávez levou mais longe sua revolução bolivariana, aliando-se a qualquer ditadura que se proclame contra o imperialismo americano: da castrista às islâmicas. Em seu périplo atual, ele visitou a Síria, a Líbia, a Argélia e o Irã. Na Síria, afinado com o Presidente Bashar al-Assad, que se diz “pronto para a paz, ao contrário de Israel”, depois de suspender as negociações de paz em dezembro de 2008 após a ofensiva israelense em Gaza, provocada pelo lançamento de milhares de foguetes por um Hamas armado pela Síria e pelo Irã, Chávez declarou que “o Estado de Israel tornou-se um Estado genocida, um Estado assassino, inimigo da paz”.

O caudilho venezuelano acusou Israel de ser “parte dos esforços imperialistas para dividir o Oriente Médio… O mundo inteiro sabe disso. Porque o Estado de Israel foi criado? Para dividir. Para impedir a união do mundo árabe. Para assegurar a presença do Império Americano em todas essas terras […]. É agora ou nunca a hora de libertar o mundo do imperialismo e mudar o mundo unipolar num mundo multipolar […]. É hora de levantar novamente a bandeira de Nasser por socialismo, poder popular e libertação do povo árabe”, declarou, evocando o nacionalismo egípcio pan-árabe do nefasto Jamal Abdel Nasser[2], antes de ir celebrar com Moammar Gaddafi o aniversário de seus 40 anos no poder na Líbia…[3].

Na República Islâmica do Irã, que Chávez visitou pela sétima ou oitava vez, tendo já firmado com Ahmadinejad “mais de 200 protocolos de cooperação econômica, energética, industrial, cultural e sanitária”[4], declarou que seus dois países “idealistas e revolucionários” estarão “lado a lado na campanha contra os poderes arrogantes do mundo”, ajudando “nações revolucionárias através da futura expansão e consolidação de seus laços”. Ahmadinejad declarou que “a expansão das relações Teerã-Caracas é necessária, dados os interesses, amigos e fés comuns”[5]. Causa espanto que desejando “expandir-se” na América Latina, o Irã achincalhe a Argentina e seus aliados, nomeando para Ministro da Defesa um general procurado pelo pior atentado terrorista na história recente da América Latina. E acolha os protestos do caudilho venezuelano contra uma base militar norte-americana na Colômbia, iniciando suas ingerências “idealistas” e “revolucionárias” na América Latina. Uma mão suja lava a outra: Chávez recompensa o apoio de Ahmadinejad defendendo o programa nuclear do Irã, garantindo ser um “direito soberano dos povos” o de ter “todos os equipamentos e estruturas para usar a energia atômica para fins pacíficos” e que “não há uma única prova de que o Irã esteja construindo uma bomba atômica […]. Logo nos acusarão de também estar construindo uma bomba atômica na Venezuela”. Essa declaração revela qual o principal objetivo comum entre Irã e Venezuela: Chávez pretender construir, com a ajuda do Irã, uma vila nuclear em Caracas…

Na nova corrida nuclear ora empreendida por arremedos de Hitler no Terceiro Mundo, notícias inquietantes começam também a arranhar a imagem do Brasil como país confiável. Além do empenho da Administração Lula em aproximar-se de ditaduras islâmicas, seguindo a estratégia terceiro-mundista ditada por Cuba[6], o Ministro da Ciência e Tecnologia, Roberto Amaral, declarouem 2003 à BBC Brasil que o Brasil deveria buscar o conhecimento necessário à fabricação da bomba atômica[7]; em 2004 houve um primeiro incidente com a Agência Internacional de Energia Atômica (AEIA), que encontrou certa resistência às inspeções das centrífugas de enriquecimento de urânio nas usinas de Resende[8]; em 2007, o general José Benedito de Barros Moreira, secretário de Política, Estratégias e Relações Internacionais do Ministério da Defesa, defendeu na TV a necessidade do Brasil possuir bombas atômicas para “proteger seus recursos naturais”[9].

Agora, o livro A Física dos explosivos nucleares, divulgando a tese de doutorado Simulação numérica de detonações termonucleares em meios híbridos de fissão-fusão implodidos pela radiação, defendida pelo físico Dalton Ellery Girão Barroso no Instituto Militar de Engenharia (IME) do Exército, confirmou que o Brasil detém conhecimento e tecnologia para desenvolver a bomba atômica e despertou, ao reproduzir informações sigilosas sobre a ogiva nuclear americana W-87, novas suspeitas na AEIA, que solicitou a apreensão da obra. Militares insatisfeitos com essa “ingerência” levaram o caso ao ministro da Defesa, Nelson Jobim, que desacatou a agência e manteve a polêmica em segredo, até que ela vazou na imprensa[10]. Também é sintomático que um jornalista próximo dos círculos do poder como  Paulo Henrique Amorim defenda um Brasil-potência, um Brasil atômico: “O Brasil precisa da bomba atômica”, escreveu o infeliz, “pois só assim o país será respeitado pelo mundo”. [11] Como se o mundo “respeitasse” a Coréia do Norte, o Paquistão…

Quanto à alegação de que o Irã estaria desenvolvendo apenas um programa de “energia atômica para fins pacíficos”, seria universalmente aceita se não soasse tão sinistra nas bocas de Ahmadinejad e Chávez. Eles mesmos fazem o mundo duvidar de suas alegações no momento mesmo em que as formulam uma vez que afirmam, antes ou depois, ou simultaneamente que “Israel será varrido em breve do mapa” e que o “Estado judeu é inimigo da paz”. Nesse contexto de cinismo e dissimulação, desenvolver um programa de “energia nuclear para uso pacífico” significa tanto desenvolver um programa de energia nuclear para uso pacífico quanto fabricar bombas atômicas para usá-las contra o inimigo da paz – seja chantageando Israel para que ceda aos ditames da “causa palestina” (cuja utopia é o fim do Estado Judeu), seja destruindo Israel à velha maneira de Dr. Strangelove, sem esquecer o milhão de árabes ali residentes, para legar uma liberada Palestina radioativa aos “queridos” palestinos que sobrarem da explosão…

 


 

[1] INTERPOL statement clarifying its role in case involving Iranian minister wanted by Argentina. INTERPOL, 4 set. 2009. URL: http://www.interpol.int/Public/ICPO/PressReleases/PR2009/PR200980.asp.

[2] Israel a ‘genocidal’ ‘killer’ state, says Chávez. Islâmi Davet, 4 set. 2009. URL: http://www.islamidavet.com/english/2009/09/04/israel-a-genocidal-killer-state-says-chavez/.

[3] Chávez Blasts Israel while in Syria. Islâmi Davet, 4 set. 2009. URL: http://www.islamidavet.com/english/2009/09/04/chavez-blasts-israel-while-in-syria.

[4] Chávez termina sua oitava visita oficial ao Irã. O Estado de S. Paulo, 6 set. 2009. URL: http://www.estadao.com.br/noticias/internacional,chavez-terminasua-oitava-visita-oficial-ao-ira,430363,0.htm.

[5] Ahmadinejad Seeking to Boost Global Resistance against Arrogant Powers. Islâmi Davet, 5 set. 2009. URL: http://www.islamidavet.com/english/2009/09/05/ahmadinejad-seeking-to-boost-global-resistance-against-arrogant-powers/.

[6] Bomba atômica tornaria Brasil um ‘pária’, diz diplomata. O Globo, 16 nov. 2007. URL: http://g1.globo.com/Noticias/Brasil/0,,MUL183441-5598,00.html; Bomba atômica no Brasil. Veja, sem data. URL: http://veja.abril.com.br/em-dia/bomba-atomica-303111.shtml.

[7] FIGUEIRÓ, Asdrúbal. Brasil deve dominar tecnologia da bomba atômica, diz ministro. BBC Brasil, 5 jan. 2003. URL: http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2003/030105_amaralafdi.shtml.

[8] QUADROS, Vasconcelo. Domínio sobre enriquecimento de urânio reforça preocupação. Terra / JB Online, 5 set. 2009. URL: http://noticias.terra.com.br/brasil/interna/0,,OI3959843-EI306,00.html.

[9] Defesa atômica. O Estado de S. Paulo, 17 nov. 2007. URL: http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20071117/not_imp81583,0.php.

[10] QUADROS, Vasconcelo. Brasil já tem tecnologia para desenvolver bomba atômica. Terra / JB Online, 5 set. 2009. URL: http://noticias.terra.com.br/brasil/interna/0,,OI3959788-EI306,00.html.

[11] AMORIM, Paulo Henrique. O Brasil precisa da bomba atômica. Blog Paulo Henrique Amorim. URL: http://www.paulohenriqueamorim.com.br/?p=17158.

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UM POVO ACIMA DO BEM E DO MAL

A Palestinian Girl's Heroism

Heroísmo de uma garota palestina: queimando, feliz, as próprias mãos.

 

A sociedade palestina organizada pelo Hamas na Faixa de Gaza supera todos os limites da imaginação ocidental em seu retorno à barbárie. O grupo terrorista que assumiu democraticamente o poder em Gaza, depois de sacrificar mais de mil civis palestinos em sua guerra estúpida contra Israel, demonstra agora para o mundo civilizado, paralisado e quase embevecido diante de tantos horrores legais, que a primitiva lei islâmica – a shari’a – está sendo cumprida à risca; a despeito de séculos de tentativas sempre renovadas – e freqüentemente fracassadas – de civilização.

Inspirados na vida de Maomé (que recebeu Aixa, de sete anos, das mãos do pai Abu-Becre, amigo do profeta, para ser sua nova esposa adolescente, como conta Virgil Gheorghiu, em A vida de Maomé), os chefetes do Hamas organizaram, no dia 29 de julho de 2009, naquela faixa de território, um mega-evento de união massiva de militantes adultos com meninas pré-adolescentes. Uma monstruosa “festa do casamento pedófilo”, com 450 enlaces simultâneos.

Autoridades do Hamas, entre as quais Mahmud Zahar, um dos chefetes mais respeitados, estiveram presentes para cumprimentar os felizes barbados e suas noivas-meninas, já perfeitamente convencidas, por toda a sociedade doentia em que nasceram, e em primeiro lugar por suas mães desnaturadas, que deveriam se sentir felizes abusadas em casamento forçado com homens muito mais velhos. Uma prova de humildade, obediência e sacrifício, os mais altos valores ditados por uma religião de paz, amor e bondade.

“Estamos dizendo ao mundo e à América que não podem nos negar alegria e felicidade”, declarou Zahar aos noivos, todos de terno preto, e recentemente liberados do campo de refugiados de Jabalia e, portanto, cheios de amor pra dar. Cada noivo recebeu um dote de US$500 do Hamas, que anunciou que seus trabalhadores também contribuíram com 5% de seus salários para os presentes de casamento. Não deixem de ver o clipe postado no site Road 90 , com as preciosas informações aqui reproduzidas (as declarações no clipe não têm legendas). É simplesmente espantoso: o autor da postagem chama a atenção para uma cena na altura dos 4 minutos, com o desfile dos marmanjos com suas noivinhas, de maquiagem carregada, como se fossem mulheres maduras, prontas para satisfazerem seus homens famintos de sexo no leito nupcial.

É esta Salò islâmica que o mundo incentiva, acarinha, defende e abençoa contra o “Pequeno Satã” Israel quando este Estado democrático, agredido, se defende de ataques terroristas; é esta sociedade doentia que abusa sistematicamente de suas crianças que o mundo irriga com milhões de dólares em ajuda humanitária, sob a liderança da Administração Obama, que acaba de destinar US$200 milhões para a Autoridade Palestina, sem deixar de dar continuidade a outros programas assistencialistas que somaram mais de U$600 milhões em 2008; além de US$184,7 milhões doados à UNRWA, uma “mãe” para os refugiados palestinos.

Um desses auspiciosos programas foi anunciado pelo novo “Consulado Geral Americano Jerusalém” (que aponta para uma Jerusalém palestina e, logo, Judenfrei) e pelo Dr. Adel Yahya, diretor da Associação Palestina de Intercâmbio Cultural (Palestinian Association for Cultural Exchange – PACE): o Fundo Cultural de Preservação do Departamento de Estado Norte-Americano “ajudará três históricas aldeias da Faixa Ocidental – Beitin, Aboud e Al-Jib – a preservar sua herança cultural e promover destinação turística”. Quantas vezes você não sonhou em excursionar com toda sua família por Beitin, Aboud e Al-Jib? Agora, graças ao Departamento de Estado Norte-Americano, sob a Presidência de Barak Obama, seu sonho poderá tornar-se realidade.

Enfim, é para um governo que já demonstrou cabalmente o desprezo pela vida humana e que desvia a ajuda humanitária que recebe do Ocidente para patrocinar o terror contra o Ocidente, a pedagogia do ódio aos judeus e agora também as “alegrias” da pedofilia, que a Administração Lula, como não podia deixar de ser, também se comprometeu a contribuir com US$10 milhões em ajuda humanitária. Sem falar na partida de futebol oferecida pelo Brasil em favor da “paz”, programada apenas em território palestino, e só depois do protesto israelense concedida também em Israel, com alguns ídolos da seleção brasileira, como Ronaldinho, novo astro do cinema iraniano, já contratado para aparecer num filme de propaganda antissionista, onde uma pobre menina palestina desgraçada pelo Exército de Israel sonha em ver o Fenômeno…

Não se pode condenar a ansiedade de Celso Amorim e Marco Aurélio Garcia em colocar seus ilustres traseiros nos cobiçados assentos do Conselho de Segurança da ONU. Nem se pode condenar a ajuda humanitária do mundo ocidental à Autoridade Palestina, sempre que ela decide imolar sua população e destruir suas casas entrando em guerra com Israel na esperança periodicamente renascida de aniquilar um Estado moderno com pedras e foguetes.

Contudo, em nome da civilização, ou melhor, do sonho que todo homem minimamente civilizado acalenta de civilização, o Ocidente deveria condicionar suas ajudas humanitárias a um mínimo de humanitarismo. Ou seja, a uma efetiva campanha, a ser levada a cabo nos territórios de barbárie, contra o terrorismo como forma de governo, contra a pedagogia do ódio nas escolas e contra o abuso de crianças legalizado em massa. O mundo, porém, ajuda incondicionalmente os palestinos, fechando os olhos para todos os males praticados por esse povo abençoado pelas mídias e, assim, perigosamente colocado e mantido acima do bem e do mal.