O FETICHISMO ARMAMENTISTA DA DIREITA

O pré-candidato à Presidência e Deputado da Direita, o capitão reformado Jair Bolsonaro, quer liberar a posse de armas, pois, conforme declarou ao programa de entrevistas de Mariana Godoy na Rede TV, “um povo armado nunca se submeteria a uma ditadura.” Nem ele nem os jornalistas chapas-brancas perceberam a contradição. O defensor da ditadura que combateu a luta armada agora defende a luta armada contra a ditadura…

A liberação das armas de fogo é uma ideia atraente para a Nova Direita e seus jovens militantes paranoides, com complexos sádico-anais, que posam nas redes sociais segurando rifles e pistolas, sentindo-se potentes ao desafiar a proibição de posse de armas de fogo para quem não está habilitado e treinado.

Mas essa liberação não atenderá apenas aos anseios das classes médias aterrorizadas com invasões, assaltos e estupros, que odeiam Direitos Humanos e vibram com o slogan “bandido bom é bandido morto” (aplacando a má consciência de seu eleitorado cristão, Bolsonaro assegura-lhes que “bandidos não são seres humanos”, podendo ser torturados e exterminados sem qualquer piedade.)

Num efeito inesperado, a proposta de Bolsonaro permitirá também o armamento dos jovens esquerdistas que se encontram cada vez mais desesperados com o impeachment de Dilma, a prisão de Lula, a perseguição sem trégua aos políticos do PT, os “esculachos” em aeroportos e restaurantes e os linchamentos morais nas redes sociais orquestrados pelas centrais da Nova Direita, formadas pelo “professor” Olavo de Carvalho, com replicação imediata por seus cinco mil “alunos” ativistas que aparelharam as mídias.

Como a Direita jurássica quer a liberação da posse de armas, justificada pela “resistência à ditadura”, os jovens esquerdistas radicalizados poderão se armar até os dentes para lutar com armas de fogo contra o novo “golpe” e a ditadura que se desenha no horizonte: os militantes da Nova Direita usam camisetas “coronel Ustra” (Bolsonaro promete, se eleito, declarar o primeiro torturador da ditadura condenado pela Justiça “Herói da Pátria”); exigem a cassação do registro do PT; clamam pela prisão preventiva de todos os petistas; rogam por uma intervenção militar; sonham com a “proibição do comunismo”…

Ao desejar que “todo cidadão tenha uma arma”, essa Nova Direita jurássica dá carta branca a uma certa esquerda radicalizada para criar novamente seus grupos armados, suas guerrilhas rurais e urbanas. Movimentos sociais como CUT, MST e MSTT poderão acumular armas de fogo e passar à luta armada.

Seguindo a velha “estratégia da tensão”, a Nova Direita fez reviver a ideologia da Guerra Fria e promete trazer de volta a “guerra suja” dos “anos de chumbo”, com milícias fascistas de um lado, e guerrilhas comunistas de outro, forçando uma guerra civil que culminará numa  ditadura – de direita ou de esquerda.

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A NOVA DIREITA PRÓ-ISRAEL

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Lemos nos jornais que Marie Le Pen, na França, depois de afastar definitivamente seu polêmico pai Jean-Marie Le Pen do seu partido, a Frente Nacional, mudou seu nome para Reunião Nacional, em mais uma tentativa de dissociá-lo do seu passado fascista e antissemita, para transformá-lo de um partido de oposição em um partido de governo.

No Brasil, vemos o pré-candidato da Nova Direita liberal-fascistoide à Presidência, Jair Bolsonaro, visitando os EUA e Israel, e palestrando no clube judaico “A Hebraica” do Rio de Janeiro, onde proferiu algumas pesadas piadas racistas e machistas, divertindo uma plateia constituída em parte por seus seguidores fanáticos.

A Nova Direita liberal-fascistoide conseguiu conquistar uma parcela da comunidade judaica, representada pela organização Associação Sionista Brasil Israel, presidida pelo jornalista, advogado e empresário Ronaldo Gomlevsky, que saiu em defesa de Jair Bolsonaro, quando ele foi chamado de “nazista” pelo historiador liberal-revolucionário Marco Antonio Villa:

Apoiamos Bolsonaro por reconhecermos nele um amigo, um admirador da cultura e tradições judaicas e um defensor da soberania do Estado de Israel.

Acreditamos na sua sinceridade e empenho para combater a ideologia marxista que está destruindo o Brasil.

Compreendemos que a sociedade brasileira foi esgarçada de tal forma, que a única oportunidade do país se reerguer e se livrar deste câncer é dando uma guinada à direita para se reequilibrar e voltar ao centro.

Entendemos que um Congresso forte e livre de progressistas no poder é o que vai devolver o país à normalidade e aos valores morais e éticos que estruturaram a nossa sociedade.

Decidimos que é chegado o momento de nos posicionarmos, e isso significa rejeitar qualquer administração pública de qualquer matiz de esquerda.

[…]

Urge que o país se oxigene para o seu próprio bem. Estamos intoxicados com a desmoralização dos valores judaico-cristãos que perverteram a sociedade, mudando a ordem das coisas a ponto de transformar a exceção em regra e a regra em exceção.

Colocamo-nos à disposição da família Bolsonaro para organizar quaisquer eventos que ajudem a esclarecer a posição política diante dos questionamentos que todos estão fazendo sobre diferentes e polêmicos temas.

[…]

Ao acusar Bolsonaro e seus eleitores de nazistas, o historiador aponta seu dedo para boa parte da comunidade judaica que o apoia e se sente ofendida com este ataque desproporcional e histérico.

Claro que chamar Bolsonaro de “nazista” é um ataque desproporcional e histérico. Ninguém pode ser considerado nazista apenas por ter afirmado ser favorável à tortura e à sonegação de impostos; que se chegasse ao poder fecharia o Congresso e mataria 30 mil “vagabundos” de cara, incluindo o Presidente da República (na época Fernando Henrique Cardoso); e que a única solução para o Brasil seria, a seu ver, uma guerra civil, na qual morreriam alguns inocentes, mas tudo bem, que se danassem, isso fazia parte da coisa. Poderíamos também considerar desproporcional e histérico o apoio dos neonazistas brasileiros ao seu candidato, o Jair Bolsonaro.

Em 2004, o escritor cristão-fundamentalista Olavo de Carvalho, ex-comunista e ex-muçulmano, que frequentou a tarika do místico suíço Frithjof Schuon adotando o nome de Mohammed Ibrahim, sendo premiado no Concurso de Monografias sobre a vida do profeta Maomé, do Centro Islâmico do Brasil e no Concurso de Ensaios sobre História Islâmica da Embaixada do Reino da Arábia Saudita em 1986, passando depois a exaltar Israel como a ponta de lança do Ocidente no Oriente Médio, palestrou na Hebraica contra o totalitarismo islâmico. Aos 40:35 minutos da palestra, discorrendo sobre as diferenças entre o totalitarismo comunista e o totalitarismo nazista, Olavo fez uma digressão (transcrição e grifos nossos) ao lembrar-se de uma reportagem da TV (provavelmente o debate sobre os “100 anos de Hitler” na TV Bandeirantes):

No Brasil tudo é possível. Uma vez eu vi um sujeito na televisão dando entrevista, era o…. era o…  porta-voz do Partido Nazista Brasileiro, era um mulato. Eu não sei como é que ele conseguiu (risos). Mas não estou falando de brasileiro, estou falando de pessoas racionais. Racionalmente falando, quer dizer, uma ideologia da raça superior só interessa a quem pertence à raça superior, o que evidentemente não é o nosso caso, tá certo? Então, vocês vejam que não sei se vocês já repararam, sempre que existe uma teoria da superioridade racial, por uma maravilhosa coincidência essa raça é sempre a do teórico. (Pausa). Vocês já viram algum teórico racista que pertence à raça inferior? Só eu pertenço à raça inferior, os outros não… Aaaah… Onde quer que você veja uma pretensão de superioridade racial, e nós já a vimos não só no caso nazista, mas vimos hoje em certos teóricos do movimento Black americano, eu lendo esses camaradas, eu vejo como é fácil você argumentar neste sentido, desde que você esteja assegurado que o resultado da sua pesquisa científica será aprovado porque o superior é você. Porque se você estiver com uma suspeita, bom, vou investigar esse negócio, vai que eu provo que existe superioridade racial e eu caí justamente na inferior, eu não vou prosseguir com essa pesquisa, não sou besta. Então, por ser uma ideologia de tipo nacional e racista, é evidente que o interesse dela para outras nações, essa teoria só poderia ser vendida para outras nações na base da fraude, quer dizer, cada nova nação que os nazistas faziam aliança, vai ter que provar que eles pertencem à raça superior também, quer dizer, o italiano é ariano de algum modo, os árabes também vão ser um pouco arianos, e assim por diante, quer dizer, é um trabalho retórico, uma retórica muito tortuosa demais, tá certo? Então nós não podemos conceber uma… algo como uma Internacional Nazista. Vai chegar ao ponto em que você só provoca antagonismo.

A digressão é reveladora da visão que Olavo de Carvalho tem de si próprio, como um “teórico racista de raça inferior”, nascido num país miscigenado. Embora se sentisse desprezível enquanto membro de uma “raça inferior”, mas capaz de espertezas e desonestidades numa suposta pesquisa científica sobre “superioridade racial” que o colocasse entre os “inferiores”, ele ainda assim se considerava dotado de uma mente superior, o que lhe permitia considerar “os brasileiros” como “pessoas irracionais”, ou seja, um povo de cretinos e idiotas. Nos milhares de vídeos de Olavo no YouTube, editados do seu Curso de Filosofia e do seu True Outspeak, postados por seus alunos e replicados por outros tantos fãs, ele não se cansa de desprezar os brasileiros, como seres “inferiores”, “fracassados”, “sub-humanos”. Para Olavo, o Brasil é um país de “macacos”.

Em agosto de 2017, a jornalista Joice Hasselman foi convidada pela Pastora Evangélica Jane Silva, presidente da Comunidade Brasil-Israel, a um evento em Jerusalém onde falou “em nome do povo brasileiro” e pediu perdão pela agressão do governo brasileiro a Israel na UNESCO: “O Brasil é por Israel, ninguém pode rasgar a Bíblia”, afirmou Hasselman, entregando uma bandeira brasileira e um documento da Comunidade Brasil-Israel, atestando o “apoio do povo brasileiro” e seu “reconhecimento” de Jerusalém como a capital eterna de Israel, recebendo uma bandeira de Israel.

A Nova Direita liberal-fascistoide procura dissociar-se de seu passado fascista (“Nazismo é Esquerda”, é seu novo mantra protetor) e das fantasias antissemitas sobre os Rothschild (difundidas por seus ideólogos nos anos de 1930 e adotadas no Brasil pelo integralista Gustavo Barroso em obras como Brasil, colônia de banqueiros) ao mesmo tempo em que atualiza essas fantasias (emanadas dos Protocolos dos Sábios do Sião) em teorias conspiratórias pós-Auschwitz (que atribuem o domínio do mundo ao Clube Bilderberg e do Brasil ao Foro de São Paulo, à “onipresença” dos agentes do Mossad e do “todo-poderoso” investidor judeu George Soros nas sinistras ações progressistas). A que se deve o apoio da Nova Direita liberal-fascistoide a Israel? Podemos elencar três motivos:

(1) Anticomunismo requentado da Guerra-Fria. Como quase toda a Esquerda passou a condenar Israel e a apoiar a OLP após a Guerra dos Seis Dias (1967), abraçando as teorias “anticolonialistas” e “terceiro-mundistas”, que fazem da “causa palestina” a principal bandeira de sua política exterior, a Nova Direita liberal-fascistoide alinhou-se, num reflexo automático, a favor de Israel. Requentando o anticomunismo da Guerra-Fria, sua militância obteve grande sucesso nas mídias e redes sociais, explodindo em todo o mundo com o rico apoio das organizações anticomunistas americanas.

(2) Interesses materiais dissimulados. Os ícones da Nova Direita liberal-fascistoide querem conquistar os milhões de votos, os milhões de leitores e os milhões de likes dos evangélicos, que sustentam Israel por razões religiosas / financeiras (peregrinações a Israel, venda de água benta em Israel, criação do Templo de Salomão, etc.). Os evangélicos também possuem sua própria agenda de longo prazo, que é moralizar a sociedade brasileira e cristianizar o Estado Judeu, mas alianças entre a Bancada Evangélica e a Nova Direita liberal-fascistoide são recorrentes, com o senador Magno Malta tratando artistas como criminosos e o curador Gaudêncio Fidelis, coagido a prestar depoimento numa CPI dos Maus Tratos, como bandido e vagabundo; ou o deputado Pastor Marco Feliciano afirmando que os 24 milhões de funcionários públicos do Brasil vivem “escorados no Estado”, não passando de vagabundos que não trabalham.

(3) Fetichismo armamentista cristão-fundamentalista. Ser pró-Israel para os militantes da Nova Direita liberal-fascistoide é ser militarmente engajado contra o Islã, é ter a seu lado um poderoso Exército voltado contra o mundo árabe-muçulmano em defesa da civilização ocidental judaico-cristã (mais cristã que judaica em seu wishful thinking); é emular a fantasia fetichista do Cruzado, do super-soldado anti-islâmico armado até os dentes, que Israel representa aos seus olhos.

Olavo de Carvalho, Felipe Moura Brasil, Padre Paulo Ricardo, Jair Bolsonaro, Joice Hasselman, Nando Moura, Kim Kataguiri et caterva não são pró-Israel pelas razões corretas – por ter sido o Estado Judeu criado como resposta ao Holocausto nazista, com o apoio da maioria dos países da ONU, incluindo a URSS; por ser uma ilha de democracia cercada de ditaduras árabes por todos os lados; por ser um Estado Laico onde os gays têm seus direitos respeitados até dentro do Exército e que não discrimina suas minorias religiosas; onde as mulheres têm voz ativa; um Estado multiculturalista e pacifista (obrigado a defender-se nas guerras que os árabes não cessaram de mover contra ele).

A melhor prova de que a Nova Direita liberal-fascistoide é pró-Israel por anticomunismo requentado da Guerra Fria, interesses materiais dissimulados e fetichismo armamentista cristão-fundamentalista é que seus ideólogos continuam a defender a Inquisição (que, segundo Olavo de Carvalho, “foi um passo enorme na luta pelos Direitos Humanos”, uma instituição misericordiosa, que desconhecia aparelhos de tortura e não perseguia os judeus); e a atacar a tradição progressista judaica – de Marx & Engels (comparados a Hitler) à Escola de Frankfurt (acusada de envenenar o mundo com o “marxismo cultural”); dos sionistas de esquerda dos kibutzim (associados aos piores genocidas do século XX) às feministas judias Sulamtih Firestone, Betty Friedan e Judith Butler (abominadas como bruxas, feminazis e “inventoras da ideologia de gênero”).

A Nova Direita liberal-fascistoide não é exatamente uma defensora de Israel, mas uma defensora de sua própria fantasia de Israel como um país militarizado, cruel com os palestinos, idealmente limpo dos judeus de esquerda, sem lugar para sionistas socialistas, livre dos judeus capitalistas-comunistas que Olavo de Carvalho caracteriza como “Rothchilds e filhos da puta da ADL” [Anti-Defamation League] e que ele percebe como “traidores da pátria enchendo o cu de dinheiro”, os quais deveriam ser varridos de Israel, escorraçados do mapa, destinados à “Solução Final”.

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Olavo de Carvalho, Padre Paulo Ricardo e um discípulo fiel posando com rifles: fetichismo armamentista cristão-fundamentalista. Imagem encontrada na Internet.

WILD WILD COUNTRY

Série da Netflix premiada no Festival de Sundance, Wild, Wild Country (2018), de Chapman Way e Maclain Way. é um documentário sensacional, que recria, com reportagens da época entremeadas com depoimentos atuais dos envolvidos, um caso de distopia inimaginável, ocorrida no interior selvagem dos EUA entre 1981 e 1985.

A realidade ultrapassa a imaginação neste filme que coloco na mesma prateleira reservada às obras-primas da distopia em livro e filme, como 1984, A Revolução dos Bichos, A Peste, A Guerra das Salamandras, Fahrenheit 451, Rinocerontes, Invasão dos Corpos e A Aldeia dos Amaldiçoados

O que leva um ser humano a seguir um monstrengo como o guru indiano Bhagwan Shree Rajneesh (1931-1990), também conhecido como Osho? Para se tornar um “sannyasin” é preciso ter um buraco na alma. O Povo Laranja, uniformizado com roupas em tons de vermelho e laranja, tinha esse buraco preenchido pela simples presença do guru ou de sua secretária, a diabólica Ma Anand Sheela.

Com rios de dinheiro afluindo misteriosamente para o caixa da Comunidade, controlado pela apaixonada Sheelam, o Povo Laranja ergueu da noite para o dia, no meio do nada, ao lado da cidadezinha de Antelope, no Condado de Wasco, no Estado do Oregon, habitada por 40 aposentados, uma Utopia de liberdade sexual ilimitada para milhares de habitantes de alma esburacada.

Infernizando a vida dos 40 aposentados, estes acabaram por se rebelar contra a tirania do Povo Laranja, e agiram como verdadeiros heróis em defesa da liberdade humana contra a expansão do Mal. Sua luta pela reconquista de sua cidadezinha pacata, quase fantasma, foi coroada com a estátua de um antílope com a inscrição da famosa frase do filósofo liberal Edmund Burke, “Para o triunfo do mal só é preciso que os bons homens não façam nada”.

Os membros sobreviventes da seita parecem muito bem sucedidos. A Hitler de saias vive exilada na Alemanha, cuidando de esquizofrênicos. A assassina de bom coração mora numa casa imensa, cercada de estantes de livros. O sinistro advogado do guru, até hoje apaixonado por ele, está concluindo um livro para limpar o nome de Osho. Outra seguidora, que tomou parte em tentativas de assassinato, mora também numa mansão. Mas os buracos nas almas continuam abertos, à espera de novos preenchimentos…

Podemos fazer uma analogia da seita Rajneesh com o petismo no Brasil. Os mesmos ingredientes se encontram entre nós: uma sociedade igualitária regida pelo amor como “Projeto de Brasil”; o vermelho como cor eleita; o progressismo social e sexual como bandeira de caráter totalitário; Lula como o Guru que acaba na prisão; os petistas como o Povo Laranja; o Programa Social de Sheelam, arrebanhando os sem-teto das grandes cidades americanas para com eles obter votos suficientes para manter a Comunidade no Oregon, como Bolsa-Família; o discurso de paz e amor edulcorando uma militância feroz, capaz de todos os crimes; a mentira pregada com convicção; e as misteriosas fortunas sustentando o estilo de vida nababesco e libertino de uma Comunidade Político-Religiosa.

Outra analogia pertinente é entre a seita Rajneesh e o culto anticomunista difundido pelo escritor Olavo de Carvalho através de “Cursos de Filosofia” que comportam práticas de Meditação como deitar na grama do jardim de seu “rancho” da Virginia para admirar a grandeza do Universo; uso de palavrões nas comunicações com o público externo para intimidar adversários; fetichismo armamentista, com coleção de rifles e exercícios de caça ao urso; estratégicas de guerra para a “sobrevivência da Comunidade” (proposta de Eliminação da Esquerda, Ocupação das Redes Sociais, Escola sem Partido); paixão cega dos discípulos pelo guru (mantra “Olavo tem razão”, replicação infinita de seus vídeos no YouTube); doações várias (aquisição de propriedades, cursos, livros, viagens, produção do filme Jardim das aflições através de crowdfunding) – formando uma Comunidade Político-Religiosa com mais de cinco mil membros.

Para saber mais:

Site oficial de Wild Wild Country: https://www.netflix.com/br/title/80145240.

Movimento Rajneesh: https://pt.wikipedia.org/wiki/Rajneesh.

O “filme proibido” Ashram Poonahttps://vimeo.com/247594349.

TRANSMÚSICA

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O mundo conhecia poucas cantoras travestis, drags e trans até o segundo milênio: o pioneiro e bem educado ex-soldado operado na Dinamarca Christine Jorgensen, que fez uma  carreira de sucesso nos anos de 1950; o criativo Richard O’Brien, que escreveu e co-estrelou o filme (de sua peça) The Rocky Horror Picture Show (1975), de Jim Sharman, um marco na cultura queer, selecionado para preservação na National Film Registry pela Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos em 2005.

No Brasil, especialmente no Rio de Janeiro, havia shows de travestis apreciados por um público eclético e até familiar. As travestis, drags e trans tinham consciência de suas limitações e dublavam as grandes cantoras que admiravam em divertidas (auto)paródias obscenas. Vi Camille K no teatro carioca dos anos de 1980: era impagável dublando Yma Sumac em Gopher Mambo. Foi uma das travestis veteranas homenageadas no documentário Divinas Divas, de Leandra Leal.

Quando eu vivia na Alemanha, nos anos de 1990, apreciava as performances musicais da travesti Georgette Dee. No show All of me, com direção de Bettina Wilhelm, Dee interpretava Orlanda, um travesti-cantor de sucesso, que começava seu número com um suspense: depois de um longo silêncio, anunciava: Ich bin ein bißchen traurig… (Eu estou um pouco triste…). Ela queria se casar. E se casava… com uma mulher, interpretada por outro travesti, hilariante, chamado Mechthild Grossmann (da Pina Bauschs Truppe).

Orlanda era convidada para cantar em Varsóvia, e lá vivia um romance complicado que quase terminava em tragédia. Tudo era caricatural e absurdo, culminando com uma cena de masoquismo, em que ela se torturava espetando o dedão do pé.

No fim, um happy end com o casal reconciliado. Orlanda se apresentava no teatro dizendo: Stellen Sie sich mal vor (imaginem) que vocês viajam num navio, e o navio começa a afundar… O que fariam? Eu iria para o restaurante… Ali, em meio ao naufrágio, encontra o amor de sua vida, e descreve o fim de tudo cantando All of me.

O humor sarcástico, o pathos amargo e o glamour espalhafatoso faziam o encanto dos shows de travestis, que o filme australiano The Adventures of Priscilla, Queen of the Desert (Priscilla, a Rainha do Deserto, 1994), de Stephan Elliott, capturou tão bem.  Mas se antigamente as cantoras travestis, drags e trans sonhavam em encarnar Marlene Dietrich ou Marylin Monroe, hoje sonham em encarnar Madonna ou Beyoncé.

Com a massificação das cirurgias de mudança de sexo e a difusão das Paradas Gays e movimentos LGBTQ, o mundo agora regurgita de cantores e cantoras travestis, drags e trans: a israelense Dana International; a austríaca mulher-barbada Conchita Wurst, que venceu o Festival Eurovisão em 2014; a alemã Kim Petras; a francesa Marie France; o canadense Lucas Silveira; a holandesa Romy Haag; a tailandesa Bell Nuntita; o neozelandês Ramon Te Wake; os ingleses Antony Hegarty e T. Thomason…

Nos EUA, o elenco é numeroso: depois das veteranas Amanda Lepore e Ru Paul, surgiram cantoras travestis, drags e trans em série: Ah Mer Ah Su, Anohni, Antony Hegarty, Betty, Breanna Sinclairé, Danica Roem, Eli Conley, Katastrophe, KC Ortiz, Laura Jane Grace, Laith Ashley, Mina Caputo, Mya Byrne, Nomi Ruiz, Peppermint, Ruth Pearce, Ryan Cassata, Shawnee, Skylar Kergil, Shea Diamond, Sophia-Doreen, etc.

Hoje tive a tristeza de ver alguns clipes da nova galera musical LGBTQ que embala o Brasil: Aretuza Lovi, Banda Uó, Danny Bond, Gloria Groove, Jaloo, Jhonny Hooker, Lia Clark, Lineker, Liniker, MC Linn da Quebrada, MC Trans, MC Transnitta, MC Xuxú, Mulher Banana, Mulher Pepita, Pablo Vittar, Rico Dalasam, etc.

Cantar não é pra qualquer uma. É preciso ter mais que uma boa voz e muito mais que uma vontade louca de cantar. É preciso nascer para isso e refinar-se, estudando música. Falta alguém para dizer-lhes: – ‘Miga, sua loca’, o mundo não é seu banheiro. E o público já não percebe a diferença entre uma cantora drag e uma drag que se põe a cantar. 

Não se trata de uma maldição que atinge as travestis, drags e trans que se arvoram em cantoras, surfando na onda benfazeja de programas de auditório e turnês internacionais de exotismo, até chegarem ao hit parade, garantindo seus quinze minutos de fama, com os quais poderão comprar um apartamento e assombrar-se para o resto de suas vidas.

O que torna lamentável o sucesso atual das cantoras travestis, drags e trans no Brasil é que elas emergem dentro do caldo envenenado da nossa música pop contemporânea, uma sopa feita de fezes e lantejoulas, onde o machismo do funk se completa com a boçalidade do sertanejo, igualando LGBTQ e CIS na mesma torpeza. As cantoras travestis, drags e trans agora sonham encarnar Tati Quebra Barraco, Valesca Popozuda e Anitta.

Os excluídos, marginalizados e periféricos trocaram o teatro de revista pelo videoclipe musical cheio de efeitos especiais. Adotam nomes artísticos americanizados e assumem sem questionamentos a condição de colonizados, ignorantes da cultura brasileira, gerados e alimentados no pop anglo-americano que dominou o mundo.

Com uma maquilagem grotesca e um visual bizarro, sentem-se “lacradores” e “empoderados” rebolando o traseiro e cantando pornô-músicas como Boquetáxi, Eu Faço Bocket, Enviadescer, Uma vez piranha, Eu fiz a chuca.

O público “progressista” vibra, aplaude, glorifica, enquanto o público “conservador” sente pena e aversão, sendo, porém, obrigado pelo ethos do politicamente correto da sociedade tolerante a reprimir seus sentimentos, calar sua boca e aceitar a putaria como norma. O ressentimento das Donas Reginas é explorado politicamente pela Direita, numa escalada de moralismo militante e histeria coletiva, seguindo o padrão da ascensão do nazismo na República de Weimar. A História não se repete mesmo?

REVISIONISMO NO BRASIL

13th International Biennial Seminar: World Political and Social Changes and their Impact on Jewish communities. The Kantor Center and the Audiatur Foundation Seminar on Antisemitism.

2012-Israel-Papers-on-Antisemitism-and-Racism

(1) TEXTO EM INGLÊS

(2) TEXTO EM PORTUGUÊS

(3) PROGRAMA DO SEMINÁRIO

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(1) REVISIONISM AND THE STRENGTHENING OF BRAZILIAN EXTREME RIGHT

Currently, in electronic and audiovisual media, ideologues are promoting a destructive revision of History through fraud, manipulation and conspiracy theories, overlapping the historical facts with their deformed visions of the past.

In your subversion of History, revisionism focuses on key themes such as the Inquisition, tha Slavery, the Nazism and the Holocaust. About the Inquisition, bloggers from the self-proclaimed “new right” makes the following statements:

The Inquisition was a major step in the fight for human rights. Before the Inquisition had a lot more people condemned without investigation. (CARVALHO, 2015)

The Inquisition was dedicated only to save souls […]  Nobody died tortured by the Inquisition. (NOUGUÉ, 2016)

The instruments of torture of the Inquisition are all invented, all invented. All professional historians of the world know it. (CARVALHO, 2016).

The Inquisition was created to try to defend the ordinary citizen of lynchings.  (MOURA, 2017).

A technique of propaganda is to create shocking slogans. Through these slogans revisionists bloggers raise great discussions on social networks, increasing the number of views and likes of their pages, getting payments from YouTube. Some of these slogans are: “Hitler was a Socialist”; “Nazism is left”, “The Holocaust is a lie”; “The Earth is flat”; “The man has ever set foot on the Moon”; “There’s never been a dictatorship in Brazil”.

For your shocking nature, the revisionists slogans who thrive in cyberspace create a parallel universe, a fiction that replaces reality, apparently “enjoying” a youth that ignores History, and soon become unable to distinguish truth from untruth.

In Brazil, following a worldwide trend, the left went into decline and the right is on the rise. The impeachment of President Dilma Rousseff was interpreted as “coup” by the left, in a blind denial of their crimes, ignoring the popular protest that led millions of people to the streets.

The failure of the left in power and its inability to renew itself – praisiing dictators like Fidel Castro, Hugo Chavez and Maduro, and showing no solidarity to the people of Cuba or Venezuela – was extended by the investigations of corruption of judges of the Public Ministry, the Lava Jato movement inspired by the Italian movement Mani Pulite, which overthrew the traditional political parties and indirectly led to the power the most corrupt of the corrupts, Silvio Berlusconi.

Discredit released the political class has boosted the so-called “conservative” movements, represented by Evangelical pastors engaged in campaigns of moralization of society. They have long infiltrated in the policy to control the society through a legislation that favors the Christian mentality.

The so-called “Evangelical Caucus” in Congress currently has 99 deputies and senators, wielding enormous political influence and veting any measure contrary to their dogmas. Recently, the Universal Church of the Kingdom of God, led by Bishop Edir Macedo, has created an army of young uniformed pastors called Gladiators of the Altar, presented in a nazi coreography.

Prosecutors are investigating whether there is any connection between this army and the cases of destruction of catholic churches and sites of umbanda and candomblé – the religion of many black people.

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The intellectual mentor of the extreme-right is the mabusian figure of the writer Olavo de Carvalho. With 5000 students on the Internet that fanatically defend him as followers of a sect, Olavo de Carvalho was astrologer, Communist Party militant, Islamist, and today presents itself as a Christian fundamentalist and bastion of anti-communism.

The self-proclaimed “philosopher” is a partisan of the Bilderberg Group – New World Order – Illuminati conspiracy theory, in which the world is dominated by an “globalist and multiculturalist” elite, supported by “metacapitalists” like George Soros, supposedly in the service of communism. His debate with Alexandr Dugin was published in Romenia.

The political leader of the extreme-right is Jair Bolsonaro, a former captain of the Brazilian army, who participated in the hunt for Communist guerrillas during the military regime. He stands for dictatorship, torture, death squads (groups of officers responsible for exterminating criminals), the militarization of the public schools and the legal use of weapons by “citizens of the good”, for self-defense in the face of the impotence of the State in ensuring security public.

At the beginning of his political career he stated that, in power, would close the Congress and kill 30,000 “bandits”, including the then President Fernando Henrique Cardoso (BOLSONARO, 1999). He stated that Hitler was a criminal, but a great strategist (O FASCISTA, 2015). Pre-candidate for the Presidency of Brazil, Bolsonaro has a good chance to be elected in the midst of profound economic, political and moral crisis in Brazil.

Stephen Fry interwiews Bolsonaro:

Ellen Page interwiews Bolsonaro:

Popular among young people of the right and of the extreme right, Olavo de Carvalho and Jair Bolsonaro conquered a part of the Jewish community, as the former President of the Jewish Federation of Rio de Janeiro, Ronaldo Gomlevsky. All of them condemn the “degenerate art” supposedly promoted by “leftists paedophile”, the “gender ideology” and the “cultural Marxism” (MBL, s/d).

In March 2017, the President of the Jewish club Hebraica in Rio de Janeiro, Luiz Mairovitch, invited Bolsonaro for a lecture. In his show of rudeness, he compared the quilombolas to confined animals: “the slimmest of them weighed about seven at (unit of weight equivalent to 15kg), and would not be able to breed”. Commenting on his trip to Israel, he bragged of having four sons, actually five, when he gave a “fraquejada” (“weakness”) and was born a girl”. The audience cheered and laughed at the vulgar Bolsonaro jokes  (PESSOA, 2017).

Jewish youth movements have demanded a formal apology from the Hebraica President for having invited and received an authoritarian politician, which is praised by neo-Nazis (LEONARDO, s/d; MOURA, 2016).

The support of part of the Jewish community to right-wing extremists can be explained by the perception that the left joined the Palestinians against Israel, venting your anti-Semitism under the guise of anti-Zionism. For the same reason, the right-wing extremists now defend Israel and become “friends of the Jews”.

An example of the left’s approach to Islam was the participation of Councilman Eduardo Suplicy, of the Partido dos Trabalhadores (PT), in Islamic Meeting in Brazil, organized by the Islamic Center in São Paulo, on  July 2017. The theme of the event was “the combat against terrorism”, but one of the invited speakers was Ayatollah Mohsen Araki, of Iran, linked to Hezbollah and accused of involvement in the terrorist attack on the Asociación Mutual Israelita (AMIA) in Buenos Aires in 1994.

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The Evangelical churches cultivate good relations with Israel, where they make biblical pilgrimages. The Universal Church of the Kingdom of God did raise in Sao Paulo the enormous Temple of Solomon, inaugurated with pomp in 2014 and where the pastors teach their cults dressed as rabbis.

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Bolsonaro visited Israel and declared himself in love for the Jewish people and Olavo de Carvalho defends Israel as “the last bastion of Western civilization against Islamic barbarism”. At the same time, they defend the Inquisition, attack minorities and claim that the dictatorship that tortured to death the Jewish journalist Vladimir Herzog in 1985 was a wonderful period in the Brazilian History, when all the people lived happy, in order and progress, and “only bandits and terrorists have died”.

The minority more stigmatized by Olavo and Bolsonaro are the feminists and the LGBT community, assimilated to Nazism  – they call them the feminazis and the gayzists. They require the submission of the minorities to the Christian majority, reject sexual education in schools and defend the beating of children with homosexual tendencies and the “cure” of homosexuals by Christian psychologists with special treatments that include religious conversion.

Hundreds of journalists and bloggers replicate the hate speeches of their leaders on social networks. Those elements define themselves as Liberals, libertarians, right-wing conservatives, monarchists, as well as anarcho-capitalists.

They have sadistic fantasies, manifesting openly a desire to humiliate, rape, oppress, and exterminate their opponents. Those who don’t love their leaders are hereticals and must sufer their attackes, called as “communists” and covered with the most obscene names.

Inspired by the economic liberalism of Ludwig von Mises, for whom “fascism and all other dictatorial similar … saved the European culture”, so “the merit acquired by that will remain forever in favour of fascism in History”, the new “liberals” hate “human rights” (MISES apud MARCUSE, 1976).

At the same time, they believe in a “Minimum State and Free Market against Big State and Totalitarianism”. For them the “far-right” does not exist, it’s a mere phantom created by the “leftist scum”.

The so called liberal/conservative/right-wing/monarchist/anarcho-capitalist comes from a middle class intellectually poor, frustrated and radicalized by the refusal of the left to represent their interests. They want the “criminalization of communism” through laws that only a strong State would be able to impose and enforce. At the same time they accuse everyone who opposes to their ideas of being “Communist”.

The mantra “Nazism is left” is repeated without ceasing. The fascism is criticized only as a “leftist” regime. Nazism seems to them a lesser evil, almost nothing compared to Communism.

The Minimum State is also relative. The military junta that ruled Brazil from 1964 to 1986 has created a Central Bank and a number of State-owned enterprises and atomic power plants. The State controlled press, culture, economy. So following the criterion the New Right define the left, the Brazilian military regime they glorify would be much more leftist than the Government of the Socialist Workers Party, they curse.

The term “Socialist” in the Nationalsozialistische Deutsche Arbeiterpartei (NSDAP) is other analogical argument used by them to define Nazism as “left”. The liberal revisionists do not hesitate to resort to State terror to impose their conservative moral view to society, justifying a military dictatorship by the need of nationalism.

For the revisionists all lies, smears and distortions are allowed in the fight against “Communism”. Leftistis intellectuals, feminists, socialists, gay activists are demonized. For them, Simone de Beauvoir was a Nazi paedophile who hated both men and women (PERRONE, 2017), while the Colonel Carlos Alberto Brihante Ustra, former head of DOI-CODI, a condemned torturer, is celebrated as a hero (WHITE SHARK NEWS, 2016).

They deny that Hitler started World War II and offer a new vision of the History, based on the thesis of the Austrian historian Ernst Topitsch in Stalins Krieg (1985). For Topitsch World War II was only one phase of the great Lenin’s strategy to subdue the capitalist Nations to Communism. The thesis ignores the Holocaust, minimizes the Nazi ideology and made from Hitler a Stalin’s puppet.

In German literature, for generations the Holocaust remained taboo in fiction. More recently, writers of the generation of grandchildren of the Nazis as Bernhard Schlink, with the best-seller novel Der Vorleser (The Reader, 1996), bring a sweetened vision of Germany’s past.

The questioning of this literature (and movies based on it) revolving around the reflections by Elie Wiesel, Claude Lanzmann and Saul Friedlander on the aesthetic and ethical limits of Holocaust representations. Franz Kafka had already done, however, a discovery that filled him with terror and ecstasy: “everything can be expressed,” he wrote in his diaries.

In the cinema, Steven Spielberg also realized that “everything can be shown”, but when he approached the Holocaust on Schindler’s List, he backed down from the gassing of Jews. To represent the Holocaust is an aesthetic and ethical option. However, placing “ethical and aesthetic limits” to the Holocaust expression can also be a political choice. An option that helps preserve the good conscience.

The critical theory reveals the anti-Semitism that insinuates itself in the speech and in the imagination of the revisionists, which are rewriting and depicting the History from the point of view of the executioners.

Referencies

APOIADORES de Bolsonaro fazem saudação nazista em Fortaleza. YouTube, 7 de jul de 2016. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=jo1yBOjPVuU.

BOLSONARO, Jair. Entrevista para o Programa Câmera Aberta da Band RJ,  23 mai. 1999. YouTube. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=MkBJuABRey8.

BOLSONARO, Jair; PANNUNZIO Fábio. Jair Bolsonaro e Hebraica São Paulo explicam a polêmica. YouTube, 5 mar. 2017. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=QlRF6NTvIis.

CARVALHO, Olavo de. Mentira protestante sobre a inquisição e venda de indulgências. Disponível em: YouTube, 9 de jun. de 2016, https://www.youtube.com/watch?v=aplcIFzGep0.

CARVALHO, Olavo de. O mito da Inquisição e da criação da Igreja por Constantino. YouTube, 8 mai. 2015. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=jGcC8_MCDYk.

LEONARDO C. Ato de neonazistas em apoio a Jair Bolsonaro. YouTube, 12 jan. 2016. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=UX8LUSfB73M.

MARCUSE, Herbert. “La lucha del liberalismo en la concepción totalitária del Estado”, in BAUER, Otto; MARCUSE, Herbert; ROSENBERG, Arthur. Fascismo e capitalismo. Teorías sobre los origenes sociales y la función del fascismo. Barcelona: Ediciones Martínez Roca, S. A., 1976, pp.43-79.

MBL. Líder judeu rebate Boechat e manda a real sobre o que é nazismo. YouTube.  Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=9iJJ3Ts0gMc.

MOURA, Jefferson. Não é tolerável a candidatura de um nazista! YouTube, 13 de set de 2016. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=jo1yBOjPVuU.

MOURA, Nando. INQUISIÇÃO – Católicos MALDITOS!!! YouTube, 6 ago. 2017. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=hSOFtf9lLZU.

NOUGUÉ, Carlos. A lenda negra sobre a Inquisição. YouTube, 4 de nov. de 2016. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=KpQl1t3RuG4.

O FASCISTA Jair Bolsonaro manifesta admiração por Hitler. YouTube, 15 de nov de 2015. Disponível em:  https://www.youtube.com/watch?v=ZBo-Vh5YARU.

PERRONE, Michele Filho. “Qual a ligação entre: Socialismo (Sartre), Feminismo (Beauvoir), Nazismo e Idiotas Úteis?”, Blog O Perrone, 3 mar. 2017. Disponível em: https://operrone.wordpress.com/2017/01/03/qual-a-ligacao-entre-socialismo-sartre-feminismo-beauvoir-nazismo-e-idiotas-uteis/.

PESSOA, Daniela. Deputado Jair Bolsonaro fala sobre polêmica com judeus. Revista Veja, 10 mar. 2017. Disponível em: https://vejario.abril.com.br/blog/beira-mar/deputado-jair-bolsonaro-fala-sobre-polemica-com-judeus.

WHITE SHARK NEWS. Voto do Bolsonaro no Impeachment: “Viva o General Brilhante Ustra”. Clipe da Rede Globo. YouTube, 19 abr. 2016. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=k4MaPjUOZ10.

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(2) REVISIONISMO E FORTALECIMENTO DA EXTREMA-DIREITA BRASILEIRA

Atualmente, nos meios eletrônicos e audiovisuais, multiplicam-se os ideólogos que promovem uma revisão destrutiva da História por meio de fraudes, manipulações e teorias conspiratórias, sobrepondo aos fatos históricos suas visões deformadas do passado.

Em sua subversão da História, o revisionismo concentra-se em temas-chaves, como a Inquisição, a Escravidão, o Nazismo e o Holocausto. Sobre a Inquisição, blogueiros revisionistas da autoproclamada “nova direita”, que ostentam com orgulho seu “conservadorismo”, a despeito de sua linguagem pornográfica e fascista, fazem as seguintes afirmações:

A Inquisição foi um passo enorme na luta dos Direitos Humanos… Antes da Inquisição tinha muito mais gente condenada sem investigação. (CARVALHO, 2015)

A Inquisição só se dedicava a salvar almas. Ninguém morreu torturado pela Inquisição. (NOUGUÉ, 2016)

Os instrumentos de tortura da Inquisição são todos inventados, todos inventados. Todos os historiadores profissionais do mundo sabem disso. (CARVALHO, 2016).

A Inquisição foi criada para tentar defender o cidadão comum dos linchamentos.(MOURA, 2017).

Uma técnica de propaganda é a criação de slogans chocantes. Através desses slogans os blogueiros revisionistas levantam grandes discussões nas redes sociais, aumentando o número de views e de likes de suas páginas, obtendo “monetização”, isto é, pagamentos do YouTube, com o que sustentam seus canais.

Alguns desses slogans são: “Hitler era socialista”; “Nazismo é de esquerda”, “O Holocausto nunca existiu”; “A Terra é plana”; “O homem jamais pisou na Lua”; “Nunca houve ditadura no Brasil”.

Por sua natureza chocante, os slogans revisionistas que prosperam no ciberespaço criam um universo paralelo, feito de impressões alucinantes, uma ficção que substitui a realidade, aparentemente “divertindo” uma juventude que ignora a História, mas que se vê progressivamente presa da alienação jocosa, tornando-se logo incapaz de distinguir a verdade da mentira.

No Brasil, seguindo uma tendência mundial, a esquerda entrou em declínio e a direita encontra-se em ascensão. O impeachment da Presidente Dilma Roussef foi interpretado como “golpe de Estado” pela esquerda inconformada com a perda do poder, numa cega negação de seus crimes e da força dos protestos populares que levaram milhões de pessoas às ruas.

O fracasso da esquerda no poder e sua incapacidade de se renovar foi ampliado pelas investigações de corrupção dos juízes do Ministério Público, o movimento Lava Jato inspirado no movimento italiano Mani Pulite (Mãos Limpas), que derrubou os partidos políticos tradicionais e permitiu indiretamente ao megaempresário Berlusconi, o mais corrupto dos corruptos, ascender ao poder.

O descrédito lançado à classe política impulsionou os movimentos ditos “conservadores”, representados por pastores evangélicos engajados em campanhas de moralização da sociedade, liderados ideologicamente pela figura mabusiana do ideólogo Olavo de Carvalho, e politicamente pelo ex-capitão do Exército, pré-candidato à Presidência, deputado Jair Messias Bolsonaro.

No Brasil, evangélicos fanáticos e intolerantes destoem imagens de santos e vandalizam igrejas católicas e terrenos de umbanda e candomblé – a religião dos negros oriundos da África durante a colonização. Os pastores evangélicos há muito se infiltraram na política para controlar a sociedade através de uma legislação que os favoreça.

A chamada “Bancada Evangélica” conta hoje com 88 deputados, exercendo enorme influência política e vetando toda medida que contrarie seus dogmas. Recentemente, a Igreja Universal do Reino de Deus, do bispo Edir Macedo, criou um exército de pastores uniformizados chamados de Gladiadores do Altar.

O Ministério Público investiga se exista alguma ligação entre esse grupo e os casos de destruição de centros de umbanda e candomblé e de igrejas católicas.

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O mentor intelectual da extrema-direita é o escritor Olavo de Carvalho. Com cinco mil alunos na Internet que o defendem fanaticamente como seguidores de uma seita, Olavo de Carvalho foi astrólogo, islamita, militante do Partido Comunista, e hoje se apresenta como cristão fundamentalista, bastião do anticomunismo.

O autoproclamado “filósofo” é um partidário da teoria da conspiração Grupo Bilderberg – Nova Ordem Mundial  – Iluminati, na qual o mundo é dominado por uma elite “globalista e multiculturalista”, sustentada por “metacapitalistas” como George Soros, supostamente a serviço do comunismo… Seu debate com Alexandr Dugin foi publicado na Romênia.

O líder político da extrema-direita é Jair Bolsonaro, que participou da caça aos guerrilheiros comunistas durante o regime militar. Ele defende a ditadura, a tortura, o Esquadrão da Morte (grupos de policiais que se encarregam de exterminar criminosos), a militarização das escolas públicas e o uso legal de armas pelos “cidadãos de bem”, para sua autodefesa diante da impotência do Estado em garantir a segurança pública.

No começo de sua carreira política declarou que, no poder, fecharia imediatamente o Congresso e mataria 30 mil “bandidos”, incluindo o então Presidente Fernando Henrique Cardoso (BOLSONARO, 1999). Mais recentemente declarou que Hitler era um criminoso, mas grande estrategista (O FASCISTA, 2015). Pré-candidato à Presidência do Brasil, Bolsonaro tem boa chance de eleger-se em meio à profunda crise econômica, política e moral em que o país mergulhou.

Stephen Fry entrevista Bolsonaro:

Ellen Page entrevista Bolsonaro:

Populares entre jovens de direita e de extrema-direita, Olavo de Carvalho e Jair Bolsonaro conquistaram também uma parte da comunidade judaica, como o ex-presidente da Federação Israelita do Rio de Janeiro, Ronaldo Gomlevsky, que adotou a linguagem pornográfica de seus ídolos na onda atual de condenação da “arte degenerada” supostamente promovida pela “esquerda pedófila”, pela “ideologia de gênero” e pelo “marxismo cultural” (MBL, s/d).

Em março de 2017, o presidente da seção carioca do clube A Hebraica, Luiz Mairovitch, convidou Bolsonaro para uma palestra. Em seu show de grosserias, o político comparou os quilombolas a animais confinados: “o mais magro deles pesava umas sete arrobas, não serviriam mais nem para procriar”.

Ao comentar sua viagem a Israel, gabou-se de ter tido quatro filhos homens, na verdade tinha cinco filhos, mas na quinta “dei uma fraquejada e nasceu uma menina”. Ele acrescentou que ela tem apenas seis anos, e “não precisei de nenhum aditivo”. A plateia aplaudia Bolsonaro e ria de suas piadas vulgares (PESSOA, 2017).

O apoio de parte da comunidade judaica aos extremistas de direita pode ser explicado pela percepção de que a esquerda se aliou aos palestinos e se voltou contra Israel, extravasando seu antissemitismo sob o disfarce do antissionismo político. Pela mesma razão, os extremistas de direita passaram a defender Israel e a condenar o Islã, afirmando-se “amigos dos judeus”.

Os movimentos judaicos juvenis exigiram um pedido de desculpa formal do presidente da Hebraica por ter convidado e recebido um político autoritário, que é aclamado por neonazistas (LEONARDO, s/d; MOURA, 2016).

Um exemplo da aproximação da esquerda ao Islã foi a participação do vereador Eduardo Suplicy, do Partido dos Trabalhadores (PT), no Encontro Islâmico no Brasil, organizado pelo Centro Islâmico no Brasil, em São Paulo, no dia 29 de julho de 2017. O tema do evento era “o enfrentamento do terrorismo”, mas um dos palestrantes convidados foi o aiatolá Mohsen Araki, do Irã, ligado ao Hezbollah e acusado de envolvimento no atentado terrorista à Associação Mutual Israelita (AMIA), em Buenos Aires, em 1994.

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As Igrejas Evangélicas cultivam boas relações com Israel, onde fazem peregrinações bíblicas. A Igreja Universal do Reino de Deus fez erguer em São Paulo o enorme Templo de Salomão, inaugurado com pompa em 2014 e onde os pastores ministram seus cultos vestidos como rabinos.

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Bolsonaro visitou Israel e declarou-se “apaixonado pelo povo judeu” (BOLSONARO, 2017) e Olavo de Carvalho defende Israel como “o último bastião da civilização ocidental contra a barbárie islâmica”. Ao mesmo tempo, eles defendem as Cruzadas e a Inquisição, atacam as minorias e afirmam que a ditadura que torturou até a morte o jornalista judeu Vladimir Herzog, então diretor da TV Cultura, foi um período maravilhoso da História do Brasil, quando todos viviam felizes, em ordem e progresso, e “só morriam bandidos e terroristas”.

A minoria mais estigmatizada por Olavo e Bolsonaro é a comunidade LGBT, que eles assimilam à ditadura e ao nazismo, exigindo que essa minoria se submeta à maioria cristã. Inimigos do que chamam de “ideologia de gênero imposta pelo marxismo cultural”, rejeitam a educação sexual nas escolas e defendem surrar as crianças com tendências homossexuais e submetê-las a psicólogos cristãos que pretendem “curá-las” com tratamentos especiais que incluem a conversão religiosa.

Dezenas de jornalistas e blogueiros replicam ao infinito os discursos de ódio de seus líderes nas redes sociais. Esses elementos, que se definem ora como liberais, ora como libertários, ora como conservadores, ora como direitistas, ora como monarquistas, ora como anarcocapitalistas, beiram a esquizofrenia com suas pautas negativas.

O discurso raivoso e as fantasias sádico-anais manifestam abertamente o desejo de humilhar, oprimir, estuprar e exterminar os adversários. Aqueles hereges que não adoram Olavo de Carvalho e Jair Bolsonaro são atacados como “comunistas” e achincalhados com os palavrões mais obscenos.

Inspirados no liberalismo econômico de Ludwig von Mises, para quem “o fascismo e todas as demais orientações ditatoriais parecidas… na conjuntura salvaram a cultura europeia”, pelo que “o mérito adquirido por isso permanecerá para sempre a favor do fascismo na História” (MISES apud MARCUSE, 1976, em tradução do autor), os novos “liberais” odeiam os “Direitos Humanos”.

Ao mesmo tempo, eles se revoltam quando chamados de fascistas, pois a direita que acreditam representar: “é Estado Mínimo e Liberalismo, enquanto esquerda é Estado Grande e Totalitarismo”, inexistindo para eles a “extrema-direita”, um fantasma criado pela “canalha esquerdista”.

O dito liberal/conservador/direitista/monarquista/anarcocapitalista é oriundo de uma classe média intelectualmente pobre, frustrada e radicalizada pela recusa da esquerda em representar seus interesses. Defende a “criminalização do comunismo” por meio de leis que somente um Estado forte seria capaz de impor e cumprir.

Acusa ao mesmo tempo todo aquele que se oponha às suas ideias de ser “comunista”. Deslocam assim tanto o centro quanto a extrema-direita do espectro político para a esquerda, ampliando o lugar da direita à extrema-direita, ocupada por eles sem vergonha, extremando suas posições sem se assumirem como fascistas.

O mantra “nazismo é de esquerda” é repetido sem cessar para que o anticomunismo não seja assimilado ao fascismo. Os fascistas são criticados apenas indiretamente, como a “esquerda”, que eles combatem, mas se aliariam facilmente a essa “esquerda” contra o “avanço do comunismo”. Odeiam tanto o comunismo que o nazismo lhes parece um mal menor ou sequer um mal.

O Estado Mínimo dos liberais também é relativo. A junta militar que governou o Brasil sob a presidência rotativa dos generais Castelo Branco, Costa e Silva, Garrastazu Medici, Ernesto Geisel e Figueiredo criou o Banco Central e uma série de empresas estatais (Embrafilme, Embratur, Embratel, Telebrás, etc.), usinas elétricas e atômicas (Itaipu, Tucuruí, Ilha Solteira, Angra I, Angra II) e obras faraônicas (Ponte Rio-Niterói, Transamazônica). O Estado controlava a imprensa, a cultura, a economia.

Seguindo o critério estatista com que os conservadores definem a esquerda, o regime militar brasileiro que eles glorificam seria mais socialista que o governo do Partido dos Trabalhadores, que eles amaldiçoam.

O termo “socialista” no nome do Nationalsozialistische Deutsche Arbeiterpartei (NSDAP) – o Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães – é um dos argumentos usados para definir o nazismo como “esquerda”. Mas o liberal econômico não hesita em recorrer ao terror do Estado para impor sua moral conservadora à sociedade, justificando o estatismo da ditadura militar pela necessidade de nacionalismo.

Os revisionistas distorcem os fatos históricos para que se encaixem em seus conceitos. Todas as mentiras e difamações são permitidas na luta contra o “comunismo”: Simone de Beauvoir é acusada de ter sido uma nazista pedófila que odiava homens e mulheres (PERRONE, 2017) enquanto o coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, ex-chefe do DOI-CODI e torturador condenado, é celebrado como herói (WHITE SHARK NEWS, 2016).

Eles contestam que Hitler tenha iniciado a Segunda Guerra e oferecem uma nova visão da História, com base na tese do historiador austríaco Ernst Topitsch (Universidade de Graz) em Stalins Krieg (1985), segundo a qual Stalin firmou o Pacto com Hitler em 1939 para “incentivá-lo a invadir a URSS”, assim como Franklin Roosevelt manobrou o Japão para que atacasse Pear Harbor.

Para Topitsch a Segunda Guerra foi apenas uma fase da grande estratégia de Lênin para subjugar as nações capitalistas ou ‘imperialistas’ ao comunismo. A tese ignora o Holocausto, minimiza a ideologia nazista e reduz Hitler a um fantoche de Stalin.

Na literatura alemã, por gerações o Holocausto permaneceu tabu na ficção. Mais recentemente, escritores da geração de netos de nazistas trazem uma visão edulcorada do passado da Alemanha. Um exemplo é Bernhard Schlink, com o best-seller Der Vorleser (O leitor, 1996).

Os questionamentos dessa literatura e do cinema que nela se baseia giram em torno das famosas reflexões sobre os limites estéticos e éticos de representação do Holocausto. O jovem Franz Kafka já havia feito, porém, uma descoberta que o encheu de terror e êxtase: “Tudo pode ser expresso”, escreveu em seus Diários.

No cinema, Steven Spielberg também percebeu que “tudo pode ser mostrado”, mas ao abordar o Holocausto em Schindler’s List, ele recuou diante da representação do gaseamento dos judeus. Representar ou não o Holocausto é uma opção estética e ética do artista.

Contudo, colocar “limites éticos e estéticos” à expressão do Holocausto também pode ser uma opção política. Uma opção que ajuda a preservar a boa consciência. Cabe à teoria crítica revelar o antissemitismo que se insinua no discurso e no imaginário dos revisionistas, que reescrevem e retratam a História do ponto de vista dos carrascos.

Referências

APOIADORES de Bolsonaro fazem saudação nazista em Fortaleza. YouTube, 7 de jul de 2016. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=jo1yBOjPVuU.

BOLSONARO, Jair. Entrevista para o Programa Câmera Aberta da Band RJ,  23 mai. 1999. YouTube. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=MkBJuABRey8.

BOLSONARO, Jair; PANNUNZIO Fábio. Jair Bolsonaro e Hebraica São Paulo explicam a polêmica. YouTube, 5 mar. 2017. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=QlRF6NTvIis.

CARVALHO, Olavo de. Mentira protestante sobre a inquisição e venda de indulgências. Disponível em: YouTube, 9 de jun. de 2016, https://www.youtube.com/watch?v=aplcIFzGep0.

CARVALHO, Olavo de. O mito da Inquisição e da criação da Igreja por Constantino. YouTube, 8 mai. 2015. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=jGcC8_MCDYk.

LEONARDO C. Ato de neonazistas em apoio a Jair Bolsonaro. YouTube, 12 jan. 2016. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=UX8LUSfB73M.

MARCUSE, Herbert. “La lucha del liberalismo en la concepción totalitária del Estado”, in BAUER, Otto; MARCUSE, Herbert; ROSENBERG, Arthur. Fascismo e capitalismo. Teorías sobre los origenes sociales y la función del fascismo. Barcelona: Ediciones Martínez Roca, S. A., 1976, pp.43-79.

MBL. Líder judeu rebate Boechat e manda a real sobre o que é nazismo. YouTube, s/d.  Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=9iJJ3Ts0gMc.

MOURA, Jefferson. Não é tolerável a candidatura de um nazista! YouTube, 13 de set de 2016. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=jo1yBOjPVuU.

MOURA, Nando. INQUISIÇÃO – Católicos MALDITOS!!! YouTube, 6 ago. 2017. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=hSOFtf9lLZU.

NOUGUÉ, Carlos. A lenda negra sobre a Inquisição. YouTube, 4 de nov. de 2016. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=KpQl1t3RuG4.

O FASCISTA Jair Bolsonaro manifesta admiração por Hitler. YouTube, 15 de nov de 2015. Disponível em:  https://www.youtube.com/watch?v=ZBo-Vh5YARU.

PERRONE, Michele Filho. “Qual a ligação entre: Socialismo (Sartre), Feminismo (Beauvoir), Nazismo e Idiotas Úteis?”, Blog O Perrone, 3 mar. 2017. Disponível em: https://operrone.wordpress.com/2017/01/03/qual-a-ligacao-entre-socialismo-sartre-feminismo-beauvoir-nazismo-e-idiotas-uteis/.

PESSOA, Daniela. Deputado Jair Bolsonaro fala sobre polêmica com judeus. Revista Veja, 10 mar. 2017. Disponível em: https://vejario.abril.com.br/blog/beira-mar/deputado-jair-bolsonaro-fala-sobre-polemica-com-judeus.

WHITE SHARK NEWS. Voto do Bolsonaro no Impeachment: “Viva o General Brilhante Ustra”. Clipe da Rede Globo. YouTube, 19 abr. 2016. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=k4MaPjUOZ10.

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(3) PROGRAMA DO SEMINÁRIO

13th International Biennial Seminar: World Political and Social Changes and their Impact on Jewish communities. The Kantor Center and the Audiatur Foundation Seminar on Antisemitism.

Zürich, October 22-24, 2017.

Acomodações: Hotel Ibis Zurich City West, Schiffbaustrasse 11, 8005 Zürich.

22 October

Opening Evening Event

Israelitische Cultusgemeinde Zurich, ICZ (Jewish Community Center), Lavaterstrasse 33, 8002 Zurich Jewish Center.

17:00

Greetings

Dina Porat  – Chairperson.

Josef Bollag – Founder and Foundation Board Member of Audiatur Stiftung.

Herbert Winter – President of the Swiss Federation of Jewish Communities.

Aviva Raz Shechter – Ambassador. Permanent Representative of Israel to The UN & and International Organization, Geneva.

18:00

Keynote Address

Monika Schwarz-Friesel: The Emotional Dimension of Antisemitism.

19:00-20:30

Reception.

23 October

9:00-11:00

Antisemitism, Anti-Zionism in the Extreme Left and Right (1)

Alexander Rasumny – Chairperson and Respondent.

Dave Rich: Antisemitism in the Radical Left and the British Labour Party.

Joël Kotek: Anti-Zionism as the Belgian Civic Religion from Radical Left to Radical Right.

Hanna Luden: Challenges Regarding Antisemitism in the Netherlands.

11:00-11:30

Coffee break.

11:30-13:30

Antisemitism, Anti-Zionism in the Extreme Left and Right (2)

Dr. Rafi Vago – Chairperson and Respondent.

Karl Pfeifer: Contemporary Antisemitism in Hungarian Ruling Party and the Extreme Right.

Natalia Sineaeva-Pankowska: Some Aspects of Contemporary Nationalist Narrative of the Polish Far Right.

Zbyněk Tarant: Contemporary Antisemitism in the Czech Republic – New Trends of an Ancient Hatred.

13:30-14:30

Lunch.

14:30-16:30

Contemporary Antisemitism in Eastern Europe.

Dr. Benjamin Albalas – Chairperson.

Yuri Teper: Left and Right Movements in Contemporary Russia, Antisemitism and the Jewish Question.

Irena Cantorovich: Jews in Ukraine After the “Revolution of Dignity” – Friends or Foes?

Anhelita Kamenska: Monitoring Antisemitic Content in Latvian Social Networks.

16:30

Social event in Meggen, Luzern, hosted by Dr. Joseph Bollag (transportation provided).  

24 October

9:00-11:00

Various Perspectives of Contemporary Antisemitism in Europe.

Dr. Mikael Shainkman – Chairperson and Respondent.

Carina Klammer: Antisemitism in Austria – Current Trends and Challenges.

Simon Erlanger: Second Class Citizens after All? How Switzerland Fails to Provide Security for Its Jewish Community.

Olga Deutsch: Civil Society and antisemitism – Is it a matter of right or left?

11:00-11:30

Coffee break.

11:30-13:30

Religions – Sources of Hatred or Bridges of Hope?

Lidia Lerner – Chairperson and Respondent.

Shimon Samuels: Assault on the Judeo-Christian Heritage and the De-legitimization of Israel.

Jeremy Jones: Jews, Christians, Muslims and Antisemitism today.

Sammy Eppel: The first Latin American Global Forum to Combat Antisemitism and the Impact of Evangelicals in this Ongoing Struggle.

Ekkehard Stegemann – The Return of Christian Anti-Judaism under the Pretext of Criticism of Israel.

13:30-14:30

Lunch.

14:30-16:30

Images of Jews and of Judaism.

Metin Delevi – Chairperson and Respondent.

Esti Webman: The ‘Jew’ as a Metaphor for Evil in Arab Public Discourse.

Luiz Nazario: Revisionism and the Strengthening of Brazilian Extreme Right.

Michal Navoth: The Refugee Crisis in Greece, the European response, and their Effect on Antisemitism.

16:30-17:00

Coffee break.

17:00-19:00

Confronting Antisemitism through Legislation and Lobbyism.

Haim Fireberg – Chairperson and Respondent.

Talia Naamat: Are the New Forms of Antisemitism Recognized in European Countries’ Legal Systems?

David Matas: Mobilizing internet providers to combat anti-Semitism.

Mike Whine: Confronting Hate Crimes and Hate Speech on the Ground.

19:00-19:30

Dina Porat – Chairperson.

Kenneth Marcus: Defining, Detecting, and Dissolving Hostile Environments.

19:30

Conclusion: Dina Porat and Rafi Vago.

NOVAMENTE CENSURADO NO FACEBOOK

Minha página no Facebook foi novamente bloqueada por uma semana devido a uma denúncia da comunidade do Facebook, ou seja, de alguém que me solicitou Amizade e se qualificou como Amigo com a intenção de demonstrar sua intolerância à primeira postagem inadequada ao seu elevado padrão moral que eu fizesse. A imagem de nudez que levou à denúncia não apareceu, desta vez, no aviso de bloqueio:

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Contudo, a única imagem de nudez que postei recentemente, e que acredito que tenha levado o Amigo a uma denúncia anônima ao Facebook foi o GIF de um dos experimentos realizados no fim do século XIX pelo pioneiro do cinema Eadweard Muybridge (1830-1904), para o estudo do movimento do corpo humano, e no qual um homem faz exercícios nu, como neste GIF da Wikimedia:

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GIF: Animal locomotion. Plate 294 (Boston Public Library). Fonte: Wikimedia / Domínio Público / Public Domain.

O Facebook anuncia no bloqueio que restringiu a exposição de nudez, e que mesmo descrições de atos sexuais podem ser removidas. Essas restrições são afrouxadas, contudo, de maneira bizarra, quando a publicação do conteúdo se der por motivos educativos, humorísticos ou satíricos. E se tornam caso de polícia se a postagem envolver exploração ou violência sexual:

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No caso do GIF de Muybridge, mesmo as bizarras exceções citadas, os tão subjetivos motivos educativos, humorísticos ou satíricos, foram sobejamente ignorados: divulgar a história do cinema não seria um motivo educativo, e a dimensão  humorística ou satírica naturalmente presente nas imagens do passado não mereceu consideração. Mas para garantir um ambiente seguro aos seus usuários, o setor de bloqueio do Facebook inclui uma espécie de confessionário, no qual o réu é convidado a limpar suas sujeiras:

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Após essa etapa dolorosa de confissão, arrependimento e remoção das postagens infames, o réu recebe, finalmente, a pena para os seus pecados, acrescentada de novas ameças de punição, caso ele persista em cometer novos pecados:

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Além de não poder publicar nada em sua página ou em páginas alheias, o bloqueado não pode avisar seus amigos verdadeiros por mensagem pessoal de que se encontra bloqueado, não pode sequer curtir uma página ou uma postagem. Ele só pode acompanhar em silêncio, sem poder interagir, as postagens alheias, como um excluído da comunidade, sem direito a voz, como uma anti-pessoa. Se ele, inadvertidamente, curte alguma coisa que leu, recebe a seguinte mensagem:

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Enfim, nada como impor uma regra para seus usuários, criar ao mesmo tempo exceções à mesma, interpretando a seu modo tanto a regra quanto as exceções, para punir quem bem entender, sem qualquer transparência, com base apenas em denúncias anônimas. O processo de bloqueio do Facebook lembra os processos da Santa Inquisição.

Quando eu retornar ao Facebook, excluirei os Amigos que não conheço, começando por aqueles que solicitaram Amizade nos últimos meses. E incluirei no expurgo os Amigos que nunca se manifestaram, permanecendo em situação de ocultamento, ou que já demonstraram possuir um padrão moral demasiado elevado para minhas postagens obscenas sobre a história da arte e do cinema.

JOHN WILLIAMSON

John Williamson - Vinte anos debaixo do mar. Memórias de um realizador cinematográfico.  Porto - Livraria Tavares Martins, 1942..jpg

Acabo de ler um livro maravilhoso: Vinte anos debaixo do mar (Memórias de um realizador cinematográfico), de John Williamson, publicado nos EUA em 1937, e traduzido para o português em 1942, por Campos Monteiro Filho, na edição da Livraria Tavares Martins, do Porto.

Filho de um inventor de origem escocesa, que fazia salvamento de trabalhadores em plataformas marítimas com um equipamento submarino de sua invenção, o jovem Williamson, após estudar Engenharia e Artes, decidiu, em seu primeiro emprego, em Norfolk, trabalhando como jornalista no The Virginian-Pilot, publicar algo de novo.

Pediu emprestado ao pai o equipamento de salvamento e fez nele uma adaptação para incluir uma câmera fotográfica, chamando seu invento de fotoesfera. Publicadas no The Pilot de Norfolk, as primeiras fotos do fundo do mar fizeram tanto sucesso que Williamson ficou mundialmente famoso da noite para o dia.

John Williamson - Vinte anos debaixo do mar. Fotoesfera para filmar 'Vinte mil léguas submarinas' (1916)..jpg

O inventor da fotografia submarina foi logo convidado a trabalhar em Hollywood. Facilmente adaptou à sua fotoesfera uma câmera cinematográfica e se encarregou das filmagens de Vinte mil léguas submarinas (1916), primeira adaptação do clássico de Jules Verne e o primeiro filme a usar a técnica da fotografia submarina.

Realizado em locações nas Bahamas, o filme fez enorme sucesso. Mais tarde, ainda no cinema mudo, Williamson também trabalhou numa pioneira produção submarina em cores, A ilha misteriosa, também de Verne, uma continuação de Vinte mil léguas submarinas. O filme conseguiu captar o maravilhoso colorido do fundo do mar.

Contudo, apesar de suas espantosas tomadas em tecnicolor, A ilha misteriosa não obteve o mesmo sucesso de Vinte mil léguas submarinas. Foi relegado a segundo plano nas bilheterias – e ao esquecimento da crítica – por ter sido lançado no mesmo ano que The Jazz Singer (O cantor de jazz, 1927): o público só queria agora saber de filmes falados…

Williamson descreve em seu livro o imenso trabalho que teve para obter seu acervo de imagens submarinas, os golpes de azar e de sorte que envolveram as duas produções, únicas em sua época. Enfrentou polvos, tubarões, tufões, perigos e situações inusitadas: sua narrativa é carregada de suspense. Mas a paixão pelo trabalho e a disposição em fazer tudo com perfeição superaram os desafios técnicos e as ciladas do destino.

O realizador também desenvolveu e patenteou um pioneiro mecanismo de efeitos especiais para dar vida ao polvo gigante de Vinte mil léguas submarinas, feito de tubos e molas, que os críticos e o público da época tomaram como verdadeiro, acreditando piamente que o pescador se debatia com um polvo gigante real até ser salvo por Nemo…

John Williamson - Vinte anos debaixo do mar. Trad. Campos Monteiro Filho..jpg

A última grande missão submarina de Williamson foi de caráter científico, encomendada pelo Field Museum of Natural History (Museu Field de História Natural), de Chicago: a coleta de “Material para sete grupos de peixes das Bahamas, no seu habitat, com corais e demais acessórios”, para o acervo da instituição.

O novo desafio é descrito com riqueza de detalhes e Williamson obtém aqui um novo  sucesso, conseguindo coletar com técnicas próprias, incluindo pequenas cargas de dinamite, até o embarque para Chicago, uma árvore inteira de corais, com seus galhos intactos, além de enorme variedade de peixes, embalsamados e vivos.

John Williamson - Vinte anos debaixo do mar. Coleta de 7 famílias de peixes e corais para o Field Museum..jpg