PANORAMA DO CINEMA – AULA 2 (4)

O cinema impressionista francês – Parte 4


Jean Vigo

Destino trágico teve outro gênio precoce do cinema francês, biografado pela primeira vez no mundo pelo pesquisador brasileiro vivendo então na França Paulo Emílio Salles Gomes: Jean Vigo, filho do anarquista Miguel de Almereyda (também biografado por Paulo Emílio), nascido em 1905 sob o signo da maldição.

O primeiro filme de Vigo, o documentário poético A Propos de Nice (A propósito de Nice, 1930), foi seu primeiro fracasso, deixando-o sem trabalho até que surgiu a oportunidade de realizar outro documentário, de ambições mais modestas, sobre um campeão de natação: Taris, roi de l’eau (Taris, 1931), que resultou num novo fracasso financeiro.


A Propos de Nice (1930):

https://www.youtube.com/watch?v=2ETsLNADFLA


Taris, roi de l’eau (1931): 

https://www.youtube.com/watch?v=CjGC8isgDPQ 


Depois de ser obrigado a vender sua câmara para não morrer de fome e ver suspensa, à última hora, outra proposta de trabalho, Vigo encontrou um produtor disposto a dar-lhe uma nova chance. Concebeu, então, um filme sobre o tema que lhe era mais caro, devido à sua experiência em reformatórios: a vingança do adulto que permanece criança contra os adultos que traíram sua essência infantil.

Realizado em condições precárias, com uma única tomada de cada plano, Zéro de Conduite (Zero de conduta, 1933) foi rodado em oito dias, numa corrida contra o tempo, para não ultrapassar o prazo de aluguel do estúdio. Desde a estreia, o filme causou escândalo, sua poesia sendo qualificada de “água de esgoto” pela crítica. Proibido na França, só voltou a ser exibido em 1945, na euforia da Libertação.


Zéro de Conduite (1933): 

https://www.youtube.com/watch?v=W_kC0LKqgUY


Apesar da decepção, o mesmo produtor confiou a Vigo a direção de outro filme, impondo, porém, por precaução, um argumento alheio. Vigo aceitou a condição e contornou o obstáculo, infiltrando no roteiro original de L’Atalante (O Atalante, 1934) elementos oníricos inteiramente pessoais. Tendo apostado seu futuro nesse filme, terminou de rodá-lo com a saúde abalada.


L’Atalante (1934):

https://vk.com/search?c%5Bq%5D=O%20atalante&c%5Bsection%5D=auto&z=video253618929_171533254


Apesar da beleza luminosa que se desprende das imagens de L’Atalante, um crítico decretou: “Esquisito, longo, aborrecido, incapaz de render um tostão”. Os produtores, assustados, remontaram o filme à revelia do diretor e substituíram a trilha sonora de Maurice Jaubert por uma canção da moda. Cada vez mais enfermo, Vigo nada pode fazer. O filme foi vaiado pelo público e saiu de cartaz na segunda semana de exibição. Dias depois, Jean Vigo morreu aos 29 anos de idade.

Filmografia

A Propos de Nice (A propósito de Nice, França, 1930, p&b). Direção: Jean Vigo.

L’Atalante (O Atalante, 1934, p&b). Direção: Jean Vigo. Com Michel Simon, Jean Dasté, Dita Parlo.

Taris (Taris, França, 1930, p&b, mudo). Direção: Jean Vigo.

Zéro de conduite (Zero de conduta, 1933, p&b). Direção: Jean Vigo. Com Jean Daste, Robert Leflon.

Referências

GOMES, Paulo Emílio Salles. Vigo, vulgo Almereyda & Jean Vigo. São Paulo: CosacNaify / Edições Sesc, 2009. Caixa com dois DVDs.

Deixe um comentário

Faça o login usando um destes métodos para comentar:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.

%d blogueiros gostam disto: