A DANÇA DA MORTE DO NEOLIBERALISMO

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Os ideólogos neoliberais entraram em parafuso com o choque de realidade da pandemia produzida pelo vírus SARS COV2 (que produz a doença Covid-19), que provou a todos quão necessária é a existência de uma ampla rede de proteção social aos desempregados, à população de baixa renda e aos sem-teto; de um sistema público de saúde de excelência; de universidades públicas equipadas para pesquisas de ponta e aulas à distância.

O Ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, um médico ortopedista, ao expor o efeito devastador que a pandemia poderá causar em locais insalubres e com grande aglomeração de pessoas, refletiu, meditativo: “Talvez, no futuro, passada a pandemia, tenhamos que repensar a questão das favelas no Brasil”.

Enquanto o futuro não chega, o governo “conservador nos costumes, mas liberal na economia”, que atacava os programas petistas “Bolsa Família” e “Mais Médicos” como medidas ideológicas de um “regime socialista genocida que não deu certo em nenhum país do mundo”, ameaçando “transformar o Brasil numa Venezuela”, ampliou como nunca o primeiro e retomou rapidamente o segundo.

“Com a inserção de mais 1,2 milhão de famílias, teremos cerca de 14 milhões de famílias beneficiadas, o maior número da história do programa [Bolsa Família]”, destaca a nota divulgada pelo Ministro da Cidadania, Onyx Lorenzoni. E a recontratação dos médicos cubanos que ficaram no Brasil traiu a propaganda histérica de que os integrantes do programa Mais Médicos eram “guerrilheiros comunistas disfarçados”.

Mas os neoliberais ainda temem o pior. O empresário Guilherme Benchimol, fundador da XP Investimentos,  declarou: “Precisamos de um Plano Marshall, uma Bomba Atômica, para que o Brasil não entre em caos social”, supostamente citando as medidas tomadas pelos EUA após a Segunda Guerra Mundial para a reconstrução dos países europeus destruídos pelos bombardeios nazistas e aliados.

Bem, o Plano Marshall, que, em 1945, injetou 14 bilhões de dólares (cem bilhões de dólares em valores atuais considerando a inflação) na Europa para reerguê-la das ruínas, foi uma coisa; a Bomba Atômica, que matou 200 mil civis no Japão para demonstrar o poder americano frente a Stalin nas negociações da Conferência de Ialta, foi outra.

Desesperados com a realidade batendo à porta das ilusões vendidas por seus ideólogos, os empresários querem agora toda a ajuda possível do Estado, que antes tentavam reduzir ao mínimo, para compensar suas empresas das perdas inevitáveis da retração do consumo, e, consciente ou inconscientemente, também querem exterminar seus empregados, mantidos em quarentena sem salários.

É no contexto desse neoliberalismo genocida que podemos entender o Artigo 18 da Medida Provisória Nº 927, de 22 de março de 2020, que a equipe do psicopata Ministro da Economia, Paulo Guedes, redigiu para o Presidente Jair Bolsonaro, que alegou não ter se dado ao trabalho de ler antes de assinar, contemplando o extermínio dos trabalhadores:

Durante o estado de calamidade pública a que se refere o art. 1º, o contrato de trabalho poderá ser suspenso, pelo prazo de até quatro meses, para participação do empregado em curso ou programa de qualificação profissional não presencial oferecido pelo empregador, diretamente ou por meio de entidades responsáveis pela qualificação, com duração equivalente à suspensão contratual.

Nos próximos meses sem salário, o trabalhador deveria fazer cursos de qualificação on line enquanto ele e sua família, isolados em seus lares, ficavam, todos juntos, a morrer de fome. Claro que um absurdo tão grande teve que ser rejeitado pelo Congresso – que Bolsonaro e seu gado tanto criticam nas redes e em manifestações insalubres como a de 15 de março de 2020, por ser ainda um escudo contra as Bombas Atômicas do neoliberalismo genocida lançadas pelo Executivo contra o povo brasileiro.

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