O FETICHISMO ARMAMENTISTA DA DIREITA

O pré-candidato à Presidência e Deputado da Direita, o capitão reformado Jair Bolsonaro, quer liberar a posse de armas, pois, conforme declarou ao programa de entrevistas de Mariana Godoy na Rede TV, “um povo armado nunca se submeteria a uma ditadura.” Nem ele nem os jornalistas chapas-brancas perceberam a contradição. O defensor da ditadura que combateu a luta armada agora defende a luta armada contra a ditadura…

A liberação das armas de fogo é uma ideia atraente para a Nova Direita e seus jovens militantes paranoides, com complexos sádico-anais, que posam nas redes sociais segurando rifles e pistolas, sentindo-se potentes ao desafiar a proibição de posse de armas de fogo para quem não está habilitado e treinado.

Mas essa liberação não atenderá apenas aos anseios das classes médias aterrorizadas com invasões, assaltos e estupros, que odeiam Direitos Humanos e vibram com o slogan “bandido bom é bandido morto” (aplacando a má consciência de seu eleitorado cristão, Bolsonaro assegura-lhes que “bandidos não são seres humanos”, podendo ser torturados e exterminados sem qualquer piedade.)

Num efeito inesperado, a proposta de Bolsonaro permitirá também o armamento dos jovens esquerdistas que se encontram cada vez mais desesperados com o impeachment de Dilma, a prisão de Lula, a perseguição sem trégua aos políticos do PT, os “esculachos” em aeroportos e restaurantes e os linchamentos morais nas redes sociais orquestrados pelas centrais da Nova Direita, formadas pelo “professor” Olavo de Carvalho, com replicação imediata por seus cinco mil “alunos” ativistas que aparelharam as mídias.

Como a Direita jurássica quer a liberação da posse de armas, justificada pela “resistência à ditadura”, os jovens esquerdistas radicalizados poderão se armar até os dentes para lutar com armas de fogo contra o novo “golpe” e a ditadura que se desenha no horizonte: os militantes da Nova Direita usam camisetas “coronel Ustra” (Bolsonaro promete, se eleito, declarar o primeiro torturador da ditadura condenado pela Justiça “Herói da Pátria”); exigem a cassação do registro do PT; clamam pela prisão preventiva de todos os petistas; rogam por uma intervenção militar; sonham com a “proibição do comunismo”…

Ao desejar que “todo cidadão tenha uma arma”, essa Nova Direita jurássica dá carta branca a uma certa esquerda radicalizada para criar novamente seus grupos armados, suas guerrilhas rurais e urbanas. Movimentos sociais como CUT, MST e MSTT poderão acumular armas de fogo e passar à luta armada.

Seguindo a velha “estratégia da tensão”, a Nova Direita fez reviver a ideologia da Guerra Fria e promete trazer de volta a “guerra suja” dos “anos de chumbo”, com milícias fascistas de um lado, e guerrilhas comunistas de outro, forçando uma guerra civil que culminará numa  ditadura – de direita ou de esquerda.

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