WILD WILD COUNTRY

Série da Netflix premiada no Festival de Sundance, Wild, Wild Country (2018), de Chapman Way e Maclain Way. é um documentário sensacional, que recria, com reportagens da época entremeadas com depoimentos atuais dos envolvidos, um caso de distopia inimaginável, ocorrida no interior selvagem dos EUA entre 1981 e 1985.

A realidade ultrapassa a imaginação neste filme que coloco na mesma prateleira reservada às obras-primas da distopia em livro e filme, como 1984, A Revolução dos Bichos, A Peste, A Guerra das Salamandras, Fahrenheit 451, Rinocerontes, Invasão dos Corpos e A Aldeia dos Amaldiçoados

O que leva um ser humano a seguir um monstrengo como o guru indiano Bhagwan Shree Rajneesh (1931-1990), também conhecido como Osho? Para se tornar um “sannyasin” é preciso ter um buraco na alma. O Povo Laranja, uniformizado com roupas em tons de vermelho e laranja, tinha esse buraco preenchido pela simples presença do guru ou de sua secretária, a diabólica Ma Anand Sheela.

Com rios de dinheiro afluindo misteriosamente para o caixa da Comunidade, controlado pela apaixonada Sheelam, o Povo Laranja ergueu da noite para o dia, no meio do nada, ao lado da cidadezinha de Antelope, no Condado de Wasco, no Estado do Oregon, habitada por 40 aposentados, uma Utopia de liberdade sexual ilimitada para milhares de habitantes de alma esburacada.

Infernizando a vida dos 40 aposentados, estes acabaram por se rebelar contra a tirania do Povo Laranja, e agiram como verdadeiros heróis em defesa da liberdade humana contra a expansão do Mal. Sua luta pela reconquista de sua cidadezinha pacata, quase fantasma, foi coroada com a estátua de um antílope com a inscrição da famosa frase do filósofo liberal Edmund Burke, “Para o triunfo do mal só é preciso que os bons homens não façam nada”.

Os membros sobreviventes da seita parecem muito bem sucedidos. A Hitler de saias vive exilada na Alemanha, cuidando de esquizofrênicos. A assassina de bom coração mora numa casa imensa, cercada de estantes de livros. O sinistro advogado do guru, até hoje apaixonado por ele, está concluindo um livro para limpar o nome de Osho. Outra seguidora, que tomou parte em tentativas de assassinato, mora também numa mansão. Mas os buracos nas almas continuam abertos, à espera de novos preenchimentos…

Podemos fazer uma analogia da seita Rajneesh com o petismo no Brasil. Os mesmos ingredientes se encontram entre nós: uma sociedade igualitária regida pelo amor como “Projeto de Brasil”; o vermelho como cor eleita; o progressismo social e sexual como bandeira de caráter totalitário; Lula como o Guru que acaba na prisão; os petistas como o Povo Laranja; o Programa Social de Sheelam, arrebanhando os sem-teto das grandes cidades americanas para com eles obter votos suficientes para manter a Comunidade no Oregon, como Bolsa-Família; o discurso de paz e amor edulcorando uma militância feroz, capaz de todos os crimes; a mentira pregada com convicção; e as misteriosas fortunas sustentando o estilo de vida nababesco e libertino de uma Comunidade Político-Religiosa.

Outra analogia pertinente é entre a seita Rajneesh e o culto anticomunista difundido pelo escritor Olavo de Carvalho através de “Cursos de Filosofia” que comportam práticas de Meditação como deitar na grama do jardim de seu “rancho” da Virginia para admirar a grandeza do Universo; uso de palavrões nas comunicações com o público externo para intimidar adversários; fetichismo armamentista, com coleção de rifles e exercícios de caça ao urso; estratégicas de guerra para a “sobrevivência da Comunidade” (proposta de Eliminação da Esquerda, Ocupação das Redes Sociais, Escola sem Partido); paixão cega dos discípulos pelo guru (mantra “Olavo tem razão”, replicação infinita de seus vídeos no YouTube); doações várias (aquisição de propriedades, cursos, livros, viagens, produção do filme Jardim das aflições através de crowdfunding) – formando uma Comunidade Político-Religiosa com mais de cinco mil membros.

Para saber mais:

Site oficial de Wild Wild Country: https://www.netflix.com/br/title/80145240.

Movimento Rajneesh: https://pt.wikipedia.org/wiki/Rajneesh.

O “filme proibido” Ashram Poonahttps://vimeo.com/247594349.

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