JOHN WILLIAMSON

John Williamson - Vinte anos debaixo do mar. Memórias de um realizador cinematográfico.  Porto - Livraria Tavares Martins, 1942..jpg

Acabo de ler um livro maravilhoso: Vinte anos debaixo do mar (Memórias de um realizador cinematográfico), de John Williamson, publicado nos EUA em 1937, e traduzido para o português em 1942, por Campos Monteiro Filho, na edição da Livraria Tavares Martins, do Porto.

Filho de um inventor de origem escocesa, que fazia salvamento de trabalhadores em plataformas marítimas com um equipamento submarino de sua invenção, o jovem Williamson, após estudar Engenharia e Artes, decidiu, em seu primeiro emprego, em Norfolk, trabalhando como jornalista no The Virginian-Pilot, publicar algo de novo.

Pediu emprestado ao pai o equipamento de salvamento e fez nele uma adaptação para incluir uma câmera fotográfica, chamando seu invento de fotoesfera. Publicadas no The Pilot de Norfolk, as primeiras fotos do fundo do mar fizeram tanto sucesso que Williamson ficou mundialmente famoso da noite para o dia.

John Williamson - Vinte anos debaixo do mar. Fotoesfera para filmar 'Vinte mil léguas submarinas' (1916)..jpg

O inventor da fotografia submarina foi logo convidado a trabalhar em Hollywood. Facilmente adaptou à sua fotoesfera uma câmera cinematográfica e se encarregou das filmagens de Vinte mil léguas submarinas (1916), primeira adaptação do clássico de Jules Verne e o primeiro filme a usar a técnica da fotografia submarina.

Realizado em locações nas Bahamas, o filme fez enorme sucesso. Mais tarde, ainda no cinema mudo, Williamson também trabalhou numa pioneira produção submarina em cores, A ilha misteriosa, também de Verne, uma continuação de Vinte mil léguas submarinas. O filme conseguiu captar o maravilhoso colorido do fundo do mar.

Contudo, apesar de suas espantosas tomadas em tecnicolor, A ilha misteriosa não obteve o mesmo sucesso de Vinte mil léguas submarinas. Foi relegado a segundo plano nas bilheterias – e ao esquecimento da crítica – por ter sido lançado no mesmo ano que The Jazz Singer (O cantor de jazz, 1927): o público só queria agora saber de filmes falados…

Williamson descreve em seu livro o imenso trabalho que teve para obter seu acervo de imagens submarinas, os golpes de azar e de sorte que envolveram as duas produções, únicas em sua época. Enfrentou polvos, tubarões, tufões, perigos e situações inusitadas: sua narrativa é carregada de suspense. Mas a paixão pelo trabalho e a disposição em fazer tudo com perfeição superaram os desafios técnicos e as ciladas do destino.

O realizador também desenvolveu e patenteou um pioneiro mecanismo de efeitos especiais para dar vida ao polvo gigante de Vinte mil léguas submarinas, feito de tubos e molas, que os críticos e o público da época tomaram como verdadeiro, acreditando piamente que o pescador se debatia com um polvo gigante real até ser salvo por Nemo…

John Williamson - Vinte anos debaixo do mar. Trad. Campos Monteiro Filho..jpg

A última grande missão submarina de Williamson foi de caráter científico, encomendada pelo Field Museum of Natural History (Museu Field de História Natural), de Chicago: a coleta de “Material para sete grupos de peixes das Bahamas, no seu habitat, com corais e demais acessórios”, para o acervo da instituição.

O novo desafio é descrito com riqueza de detalhes e Williamson obtém aqui um novo  sucesso, conseguindo coletar com técnicas próprias, incluindo pequenas cargas de dinamite, até o embarque para Chicago, uma árvore inteira de corais, com seus galhos intactos, além de enorme variedade de peixes, embalsamados e vivos.

John Williamson - Vinte anos debaixo do mar. Coleta de 7 famílias de peixes e corais para o Field Museum..jpg

 

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